SUPERMAN – O HOMEM DE AÇO

Por Eduardo Nasi
Data: 1 dezembro, 2007


Título: SUPERMAN – O HOMEM DE AÇO (Mythos
Editora
) – Edição especial

Autores: John Byrne (texto e desenhos) e Dick Giordano (arte-final).

Preço: R$ 15,90

Número de páginas: 148

Data de lançamento: Janeiro de 2007

Sinopse: A origem pós-Crise nas Infinitas Terras do Homem de Aço é contada por John Byrne.

Positivo/Negativo: Demorou, mas saiu: a Mythos pôs nas bancas em meados de janeiro, ainda com data de capa de 2006, a primeira edição brasileira da minissérie O Homem de Aço no formato original.

A revista não tem a pompa, às vezes desproporcional à qualidade das histórias, dos encadernados de super-heróis da Panini. É uma edição quase franciscana. O miolo é em pisa brite, um aparentado do papel-jornal. Como extras, apenas uma página com as capas originais. Na capa, de gramatura baixa, no limite do eficiente, está o único luxo: uma discreta aplicação em dourado fosco.

Em compensação, dentro da revista, o leitor vai encontrar uma edição cuidadosa, com uma boa tradução e uma impressão bem feita, que valoriza o desenho de Byrne, visto pela primeira vez por aqui no formato para o qual foi concebido. De quebra, o texto chega sem os cortes nem as adaptações que eram necessárias para caber no chamado formatinho das edições da Abril Jovem.

Mais do que uma boa história, O Homem de Aço é uma minissérie canônica, que até hoje, 20 anos depois, costuma ser respeitada pelos roteiristas que assumem os títulos regulares do Superman.

Mesmo a nova origem oficial, O Legado das Estrelas, é fortemente calcada nas mudanças que Byrne fez nos anos 80, quando a Crise nas Infinitas Terras mexeu com os alicerces da DC.

A relação atual do herói com Batman, por exemplo, ainda é baseada nesses quadrinhos (junto com O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller e Klaus Janson). Nas histórias recentes de Greg Rucka, é a mesma Lana Lang que dá as caras.

E, principalmente, foi Lex Luthor que a série mudou para sempre: o grande algoz de Clark Kent nunca mais foi visto apenas como o cientista louco que pautou os 50 primeiros anos do herói. Sua faceta de vilão corporativo é provavelmente a mais definitiva das mudanças criadas por John Byrne.

A história de Byrne tem elementos que, pelo jeito, impregnarão para sempre a mitologia do último filho de Krypton. Mas é curioso perceber que, por mais que a minissérie ainda seja bastante influente, ela começa a dar sinais de envelhecimento na linguagem – principalmente por conta do excesso dos balões de pensamento, recurso que caiu em desuso nesse meio tempo e chega a ser visto até como um defeito em histórias recentes.

Na época em que a história foi publicada, mostrar o que se passava na cabeça dos personagens era uma bengala comum, e foi até mesmo uma marca de Byrne em suas histórias dos X-Men e do Quarteto Fantástico, na Marvel. Hoje, começa a soar cansativo. Mas pra isso se dá um desconto, claro – até porque, afinal, tem muita, mas muita revista de linha com tramas muito piores por aí.

Além da histórica aventura, a edição tem outro atrativo. Sem luxos e extras, a Mythos conseguiu chegar a um preço de capa mais convidativo do que alguns dos especiais que pôs nas bancas nos últimos anos.

Classificação:

4,0

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