Sweet Tooth – Depois do Apocalipse – Volume 4 – Espécies em extinção

Por Diogo Martins de Santana (in memorian)
Data: 4 outubro, 2013

Sweet Tooth – Depois do Apocalipse – Volume 4 - Espécies em extinçãoEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Jeff Lemire (roteiro e arte) e José Villarrubia (cores) – Originalmente publicado em Sweet Tooth # 18 a # 25.

Preço: R$ 23,90

Número de páginas: 176

Data de lançamento: Agosto de 2013

Sinopse

Após fugir da reserva, Gus e Jeppard lideram um pequeno grupo, que busca resposta sobre o passado do pai do garoto-cervo e a cura para a doença, em direção ao Alaska.

Mas uma pequena parada obriga o grupo a definir em quem confiar.

Positivo/Negativo

Umas das definições mais interessante que corre pela internet para Sweet Tooth – Depois do Apocalipse, é “Mad Max encontra o bambi”. Esta frase sintetiza muito bem o que vinha acontecendo até agora na trama, pois contextualiza o leitor sobre o mundo em que ele está entrando; e o tipo de protagonista que encontrará.

Seguindo o padrão dos últimos encadernados, a primeira história tem um formato um pouco diferente do tradicional. Narrada como uma espécie de livro infantil, permite que o leitor acompanhe um pouco da trama pela perspectiva de uma das crianças híbridas.

A narrativa é tocante e atinge o leitor com pequenos detalhes sobre a vida neste mundo devastado, como, por exemplo, o fato de um shopping inteiro ter sido saqueado, porém as roupas infantis nem ao menos foram tocadas; ou o fato de as crianças nunca terem usado vestimentas novas e limpas.

Essa primeira parte serve como um momento de introspecção da história e permite ao leitor perceber que aos poucos Gus vai se tornando forte e afastando o lado “Bambi” e se aproximando de um “Mad Max”.

Na segunda parte, o leitor conhece um pouco mais o passado de Wendy, Lucy e Becky. A perspectiva de um adulto em um mundo de mudança é apresentada pelas falas de Lucy, mas o ponto forte fica com as narrativas de Becky e Lucy, por apresentar este local, pela ótica de uma criança humana normal e outra híbrida.

É nesta parte que a arte da edição alcança seu auge. Para cada narradora, o desenho muda, com traços que se adaptam à sua intenção, além de ser um descanso para os olhos de quem acha a arte de Lemire muito bizarra.

Depois disso, a trama engata e flui bem. O grupo de meninas é encontrado por um homem solidário que vive em um forte em uma represa. Lá ele tem tudo: comida, abrigo e energia elétrica, menos companhia.

Este personagem é um contraponto bem inserido na trama. O mundo construído por Lemire é deserto, frio e perigoso. Num lugar doente, onde não se pode confiar em ninguém, aparece um personagem bondoso, que oferece um oásis em meio a todo terror vivido e, para completar sua imagem, tem um tipo de deficiência física.

Mas o comportamento dele é muito estranho e faz surgir uma suspeita em Jeppard. Afinal, este é um mundo bruto, em que ninguém tem boas intenções. E isso aumenta quando Gus leva um tiro misterioso.

Enquanto o garoto tem sonhos premonitórios cheios de metáforas e mensagens, que deixam bem claro que se ele quiser sobreviver terá de fazer sacrifícios e abandonar seu lado inocente, Jeppard briga com todos e é expulso da reserva, mas não sem antes arquitetar um plano para retomar o caminha para o Alaska.

A edição fecha com o retorno de perigos que recentemente tinham sido superados, mostrando que neste mundo nenhuma inocência é poupada.

Classificação

4,5

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