Sweet Tooth – Depois do Apocalipse – Volume 2 – Cativeiro

Por Diogo Martins de Santana (in memorian)
Data: 22 fevereiro, 2013

Sweet Tooth - Depois do Apocalipse - Volume 02 - CativeiroEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Jeff Lemire (roteiro e arte) e José Villarrubia (cores) – Originalmente publicado em Sweet Tooth # 6 a # 11.

Preço: R$ 19,90

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Fevereiro de 2013

Sinopse

Não existem mais pessoas boas no mundo. E Gus está aprendendo isso do pior jeito possível.

O garoto pensou que o homem chamado Jepperd fosse seu protetor, seu amigo. Mas ele o abandonou em um terrível lugar, onde crianças híbridas como Gus são mantidas em jaulas e homens insensíveis as utilizam como cobaias em experimentos letais, numa (até agora) inútil tentativa de desvendar os segredos do flagelo que assolou o mundo.

Esses homens acreditam que Gus é especial e irão até o fim para descobrir o motivo… custe o que custar.

Enquanto isso, Jepperd perambula pelo mundo devastado. Mas é incapaz de se livrar da vida que deixou para trás. Agora, está perdendo as estribeiras, seguindo um caminho autodestrutivo, cujo final guarda aquilo que tentou manter esquecido: a tragédia que o transformou no homem que é hoje.

Positivo/Negativo

Entre a edição anterior de Sweet Tooth e esta, não há qualquer tipo de interlúdio. A história começa com Gus e Jepperd trilhando caminhos diferentes e revive importantes momentos do passado de ambos, o que impulsiona a trama.

No primeiro volume, chamou a atenção a arte de Jeff Lemire, que opera, propositalmente, entre o tosco e o estranho. Há quem jogue pedras e há quem goste. E tudo continua lá: problemas com anatomia, closes em rostos distorcidos, traços quase inidentificáveis.

E o autor deixa claro escolheu desse tipo de desenho para retratar o mundo estranho da história, em que a maioria da população foi dizimada por uma doença desconhecida (até agora), que culminou num cenário pós-apocalíptico, no qual crianças nascem distorcidas e com características de animais; e adultos as dissecam para entender o que aconteceu com e no planeta.

É nesse ponto que o primeiro protagonista, Gus, ganha peso. Enclausurado, traído e distante do limitado mundo em que vivia, ele conhece outras crianças híbridas (que não tiveram tanta sorte de ter só uma galhada na cabeça) e descobre um mundo muito mais cruel do que imaginava; e que ser corajoso é difícil demais.

O núcleo centrado em Gus tem seu clímax num detalhe citado no primeiro volume: a idade do garoto. Ele afirma ter nove anos, mas a peste e, consequentemente, os híbridos, existem há oito. É a partir daí que o leitor vai descobrindo mais sobre seu passado.

Por meio de um processo hipnótico que o personagem sofre, o autor brinca livremente com a construção de quadros, variando entre a realidade e o onírico, para mostrar mais da isolada vida do garoto e de seu pai.

Jepperd, por sua vez, apesar de continuar sendo o lado “grande e mal-encarado” da trama, começa a mostrar suas complexidades. Apesar de, aparentemente, não ter tantas motivações (a não ser sobreviver), o que leva a entregar Gus para a milícia é responsável por colorir o passado de um personagem até então em preto e branco.

Lemire utiliza flashbacks para mostrar mais de Jepperd e, com isso, responder mais sobre o mundo em que os personagens vivem, com coisas que talvez tenha intrigado muita gente no primeiro volume, como, por exemplo, o que são aquelas pessoas com máscaras que atacaram a dupla?

Neste segundo encadernado, o autor mostra um pouco mais do mundo bizarro que criou, pelo olhar dos dois personagens principais: um brucutu monossilábico e uma criança frágil, com uma visão limitada do mundo, cujo único farol moral é uma religião que não importa muito para as outras pessoas e cria um efeito de cortina sobre a trama.

Jeff Lemire conta uma boa história, mostrando pouco, e deixando o leitor curioso e angustiado pelo próximo volume.

Classificação

4,0

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