Tarzan – O Homem-Leão e outras histórias

Por Renato Félix
Data: 5 setembro, 2014

Tarzan – O Homem-Leão e outras históriasEditora: Devir– Edição especial

Autores: Joe Kubert (roteiro e arte) e Tatjana Wood (cores) – originalmente em Tarzan # 225 a # 235.

Preço: R$ 43,50.

Número de páginas: 232

Data de lançamento: Setembro de 2013

Sinopse

Dez aventuras do Rei das Selvas – incluindo as quatro partes de O Homem-Leão – e uma de Korak, o filho de Tarzan, publicadas de 1973 a 1975.

Positivo/Negativo

Este é o terceiro e último volume da coleção que compila HQs de Tarzan escritas e desenhadas por Joe Kubert (1926-2012) para a DC Comics – reunidas e restauradas originalmente pela Dark Horse, nos Estados Unidos. As outras duas são Tarzan – A origem do Homem-Macaco e outras histórias e Tarzan – A volta do Homem-Macaco e outras histórias.

A devoção de Kubert ao personagem criado por Edgar Rice Burroughs e às HQs de Hal Foster é o primeiro fator de atração das aventuras que ele conduziu nos anos 1970. Mas, acertadamente, o autor não procura imitar o genial classicismo de Foster, criando um visual bastante pessoal. Seu Tarzan é rebuscado, repleto de ação e apresenta um personagem com expressões densas.

Em sua trajetória no título, Kubert adaptou contos originais de Burroughs e, a grande atração de cada álbum, três romances: Tarzan dos Macacos (1912), primeiro livro, cuja adaptação saiu no primeiro álbum; A Volta de Tarzan (1913), segundo livro, com versão em HQ publicada no segundo volume; e, aqui, Tarzan e o Homem-Leão (originalmente serializada de 1933 a 1935), 17º livro da série.

De certa forma, a adaptação reflete a longa publicação da trama, que muda drasticamente e vai ganhando novos elementos a cada um dos quatro capítulos da HQ. Nela, Tarzan se depara com uma equipe de filmagem e toma o lugar do ator principal, praticamente seu sósia (no livro, fica explícito que está sendo rodado justamente um filme sobre Tarzan).

Ele logo precisa salvar a atriz e sua dublê primeiro de piratas da selva e depois de um grupo de macacos falantes (que se comunicam como lordes ingleses) e um cientista louco. E um grande mistério se descortina.

Certamente, o uso de uma filmagem – vista com bastante sarcasmo – é inspirada pelas próprias adaptações de Tarzan para os hoje clássicos longas da MGM, estrelados por Johnny Weissmuller.

O primeiro foi Tarzan, o filho da selva (1932) e apresentava um Rei dos Macacos com algumas diferenças fundamentais para o idealizado por Burroughs – que mal sabia falar, enquanto o dos livros (e o da série de Kubert) aprendia a ler e a falar sozinho, se expressando muito bem, seja com macacos, seja com humanos.

Vale ressaltar também o excelente clima de mistério (quase de histórias de horror) de A fera da Lua, na qual um monstro ataca a tribo B’Tunga à noite. Selva de gelo também é uma grande trama, em que Tarzan acompanha dois jovens muito diferentes, cada qual em busca de sua afirmação como homem ao caçar os terríveis macacos da neve nas montanhas.

O jogo é das histórias em que uma civilização perdida parecia se esconder atrás de cada árvore na África. O que gerava amostras de criatividade quase sem limites. Mas é preciso chamar a atenção para o começo dela, uma das mais puramente cômicas cenas de toda a trajetória de Tarzan sob Joe Kubert: uma bela narrativa de uma página e meia, também mostrando um pouco do cotidiano do Rei das Selvas num raro descanso entre aventuras.

Há também Salto para a morte, a única das três edições que não é estrelada pelo Homem-Macaco. Mas, sim, por Korak, o Filho de Tarzan, personagem também criado por Burroughs. Nesta história, Kubert apenas desenha: o roteiro é de Bob Kanigher e a arte-final, de Russ Heath.

Nos extras, uma introdução escrita por Kubert para o relançamento nos Estados Unidos, esboços de Kubert feitos nos anos 1970 para as páginas de Tarzan e um ótimo texto do editor brasileiro Leandro Luigi Del Manto sobre o herói no rádio, no teatro e na TV.

A trilogia de álbuns da Devir põe novamente ao alcance dos leitores um período precioso de um dos maiores heróis da ficção – é uma das melhores versões de um dos personagens que mais tiveram versões distintas em sua trajetória.

Classificação

5,0

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