Terra Morta – A obsessão de Vitória

Por Hugo Canuto
Data: 3 julho, 2015

Terra Morta - A obsessão de VitóriaEditora: Draco – Edição especial

Autores: Cirilo S. Lemos (roteiro) e Victor Freundt (arte).

Preço: R$ 7,90

Número de páginas: 24

Data de lançamento: Novembro de 2014

Sinopse

Vitória é uma viciada em redes sociais que passa o dia postando selfies de sua rotina. Mas começa a achar estranho o número de likes desaparecer, ao mesmo tempo em que uma epidemia zumbi se espalha ao seu redor.

Positivo/Negativo

A partir de uma premissa divertida e despretensiosa, Cirilo S. Lemos e Vitor Freundt fazem dessa comédia do absurdo uma crítica ao comportamento atual nas redes sociais, por meio de Vitória, garota narcisista e fútil que passa os dias trancada no quarto curtindo e cutucando celebridades, ou dormindo boa parte do tempo.

É comum encontrar essas figuras no cotidiano, quando se abrem os sites e aplicativos, trocando likes e lendo páginas de celebridades. São uma espécie de zumbis no mundo real. E assim, quando uma estranha epidemia contamina todos que a cercam, Vitória entra em crise; já não há likes ou feedbacks, inbox ou fotos.

Com uma narrativa enxuta e coesa de Cirilo Lemos, baseada na obra do escritor Tiago Toy, o leitor acompanha a decadência da protagonista, cada vez mais isolada em sua paranoia, ao mesmo tempo em que o mundo vai sendo consumido pela epidemia.

Impossível não terminar a história questionando, com essa metáfora, o alheamento psicológico causado pelas mídias sociais, principalmente nas grandes cidades, onde os laços são mais frágeis.

A arte densa de Freundt, com muitas sombras e detalhes, transmite bem a atmosfera gore de um mundo tomado por mortos-vivos. Nada ali está por acaso, desde o irônico símbolo do buscador mais famoso do mundo, o despertador em forma de gatinho expressando a mente infantil da protagonista, suas expressões faciais e a dos zumbis. Tudo serve para complementar a trama.

Ponto para a Draco pela edição e pelo bom acabamento do gibi, que consegue ser divertido e contar uma boa história ao mesmo tempo em que tece uma crítica ao cotidiano.

Classificação

4,0

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