Terra X # 1

Por Sidney Gusman
Data: 22 dezembro, 2001

Terra X # 1Editora: Mythos – Minissérie em 4 edições

Autores: Jim Krueger e Alex Ross (argumentos), Jim Krueger (roteiro), Alex Ross (capas), John Paul Leon (desenhos), Bill Reinhold (arte-final) e Matt Hollingsworth (cores).

Preço: R$ 7,50

Data de lançamento: Novembro de 2001

Sinopse

Num futuro não tão distante, onde todos os humanos desenvolveram poderes, os mutantes passaram a ser os senhores da Terra e os super-heróis que por décadas defenderam o planeta se transformaram em meras relíquias do passado. Muitos deles, como o Tocha Humana e a Mulher Invisível, estão mortos. Outros estão bastante modificados, como Namor, que tem metade do corpo sempre em chamas, depois que foi “amaldiçoado” por Franklin Richards, por ter assassinado o Tocha; e Reed Richards, que após a perda da família mudou-se para a Latvéria e passou a usar a armadura do falecido Dr. Destino, para poder transitar dentro da fortaleza do vilão.

Nesse cenário, Aaron Stack, mais conhecido como Homem-Máquina, é “convocado” para ir à lua. Lá, Uatu, o Vigia, praticamente determina que, a partir daquele momento, o heróico robô o substituiria na missão de observar a Terra, pois esta passará por uma irreversível transformação.

Enquanto o Vigia vai contando uma nova versão da criação dos planetas – com grande participação dos seres conhecidos como Celestiais -, o Homem-Máquina, agora chamado apenas de X-51, vê toda a história do Universo Marvel ganhar detalhes que, até então, ele ignorava por completo.

X-51 vê os Inumanos voltarem repentinamente à Terra, num momento em que o novo Caveira Vermelha, um jovem com extraordinários poderes mentais, domina praticamente todos os seres e decide que será o mundo será seu reino. Para impedi-lo, um obstinado, cansado e careca Capitão América e seu parceiro, Wyatt Wingfoot. Mas será que mesmo o mais determinado dos super-heróis será páreo para este vilão?

Positivo/Negativo

Bem, depois de toda polêmica sobre o corte de páginas nesta minissérie, evidentemente, os reviews sobre as 4 edições só poderiam ser feitos após uma minuciosa comparação com o original. Então, vamos lá.

Conceito da história interessante, roteiro bem desenvolvido, desenhos bastante competentes e capas maravilhosas. Tudo isso está presente em Terra X. O problema é justamente o que não está! Ou melhor, o que foi tirado.

Pra começar, é bom explicar ao leitor que cada vez que um novo personagem era introduzido na trama original, ele ganhava duas páginas duplas, contando sua origem e suas grandes aventuras. Mas a “adaptação” feita no Brasil baniu várias delas. Neste primeiro número foram ignoradas as seqüências do Capitão América, Quarteto Fantástico, Namor, os personagens antiqüíssimos da Marvel (como os de sua linha de faroeste, por exemplo) e uma cena belíssima com inúmeros heróis lutando lado a lado.

O mais incrível foi a utilização de uma “meia página dupla”, na primeira aparição de Galactus. Se você reparar bem, verá no canto esquerdo alto silhuetas de skrulls. Pois bem, eles estavam em outra cena, que compunha esta que, originalmente, era uma página dupla.

Além disso, o texto, apesar de fluir bem, foi reescrito em várias passagens, o que desvirtua – e muito – o ritmo narrativo da série.

Nesta edição, que engloba os números 0 a 3 do original, foram cortadas 31 páginas de quadrinhos e 15 de textos (os apêndices, que traziam explicações sobre o que teria ocorrido com vários personagens da Marvel, e que os leitores brasileiros, claro, ficaram sem saber), totalizando 46! Leia os reviews das próximas edições e veja, no final, quantas foram, ao certo, as páginas extirpadas da versão nacional.

Você pode, então, perguntar: “Mas se cortaram tanto, por que há mídias de outros lançamentos no interior e duas outras capas de Alex Ross no miolo da revista?” Isso aconteceu porque o corte foi feito indiscriminadamente, sem estar calcado num espelho (espécie de diagrama de determina onde entra cada página da edição). Aí, para que as páginas duplas não ficassem separadas, o jeito foi “tapar os buracos” com propagandas.

Este conceito de “edição” está mais próximo de “releitura” ou “adaptação livre da obra”. Sendo assim, esta minissérie poderia ter sido batizada de Terra Y, Terra X Diet, Terra X, o Resumo, ou coisa parecida. Afinal, o que os leitores brasileiros acompanharam (a edição está muito bem trabalhada graficamente), definitivamente, não é a mesma história que foi lançada nos Estados Unidos.

Classificação:

Zero

• Outros artigos escritos por

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  • Capitão Marvel

    Haha vim aqui pelo podcast

    • Pedrão1234

      Também
      Quase comprei essa porra
      Melhor a edição da Panini lançada em 2009