Terra X – A Saga Completa

Por Sidney Gusman
Data: 7 dezembro, 2009

Terra XAutores: Jim Krueger e Alex Ross (argumento), Jim Krueger (roteiro), John Paul Leon (desenho), Bill Reinhold (arte-final), Matt Hollingsworth (cores) e Alex Ross (artes dos extras e capas). Publicada originalmente em Earth X # 1 a # 12, Earth X # 0 e Earth X # X.

Preço: R$ 110,00

Número de páginas: 472

Data de lançamento: Outubro de 2009

Sinopse: Num futuro não tão distante, todos os humanos desenvolveram poderes e os mutantes passaram a ser os senhores da Terra.

Os super-heróis, que por décadas defenderam o planeta, se transformaram em meras relíquias do passado. Muitos deles, como o Tocha Humana e a Mulher Invisível, estão mortos. Outros estão bastante modificados, como Namor, que tem metade do corpo sempre em chamas, depois que foi “amaldiçoado” por Franklin Richards, por ter assassinado o Tocha; e Reed Richards, que após a perda da família mudou-se para a Latvéria e passou a usar a armadura do falecido Dr. Destino, para poder transitar dentro da fortaleza do vilão.

Nesse cenário, Aaron Stack, mais conhecido como Homem-Máquina, é “convocado” para ir à lua. Lá, Uatu, o Vigia, praticamente determina que, a partir daquele momento, o heroico robô o substituiria na missão de observar a Terra, pois esta passará por uma irreversível transformação.

Enquanto o Vigia vai contando uma nova versão da criação dos planetas – com grande participação dos seres conhecidos como Celestiais -, o Homem-Máquina, agora chamado apenas de X-51, vê toda a história do Universo Marvel ganhar detalhes que, até então, ele ignorava por completo.

X-51 vê os Inumanos voltarem repentinamente à Terra, num momento em que o novo Caveira Vermelha, um jovem com extraordinários poderes mentais, domina quase todos os seres e decide que será o mundo será seu reino.

Para impedi-lo, um obstinado, cansado e careca Capitão América e seu parceiro, Wyatt Wingfoot. Mas será que mesmo o mais determinado dos super-heróis será páreo para este vilão? E o que o Sentinela da Liberdade pode fazer em relação ao futuro do planeta, que está prestes a sucumbir ante inimigos muito mais poderosos?

Positivo/Negativo: Em novembro de 2001, este resenhista conferiu as quatro primeiras notas zero da história do Universo HQ. E foram para as edições da minissérie Terra X, da Mythos: # 1, # 2, # 3 e # 4.

Na época, a classificação mínima não foi por a história ser ruim ou mal desenhada, mas sim porque a obra foi mutilada de forma vexatória pela editora. Nada menos que 150 páginas (84 de HQs e 66 de matérias) foram cortadas sumariamente para que a Mythos publicasse sua versão “enxuta” de Terra X.

Em diversas passagens, sem nenhum pudor, os “adaptadores” reescreveram a história para ligar sequências que, no original, nada tinham a ver. Além disso, as revistas saíram com erros de português e de edição absurdos.

Agora, oito anos depois, finalmente Terra X é publicada na íntegra no Brasil, pela Panini. Mas, por ironia do destino ou uma chance para se redimir, os dois mentores da versão mutilada da obra, Helcio de Carvalho e Jotapê Martins, constam dos créditos desta edição completa.

E quem lê o álbum constata que Terra X não merecia o péssimo tratamento que recebeu em 2001. A história não é nenhuma obra-prima, mas é, sim, interessante. A começar pelo roteiro.

Mais do que construir o futuro apocalíptico do Universo Marvel, Jim Krueger e Alex Ross se preocuparam em explicar o seu “funcionamento”. Para isso, ligaram as origens de todos os seres superpoderosos da Terra aos Celestiais. E como o leitor vai descobrindo esses desdobramentos pouco a pouco, junto com X-51, vê que o conceito é muito bem amarrado.

Além disso, Krueger bola versões muito criativas dos futuros de Franklin Richards, Homem-Aranha, Vigia, Homem de Ferro, Wolverine, Raio Negro, Reed Richards, Thor e outros. Todos com personalidades bem definidas e, quase sempre, bastante diferentes do universo tradicional da “Casa das Ideias”.

Também fica evidente nesta saga completa a importância dos textos (cuja maioria foi abolida da versão de 2001) que encerram ou abrem os capítulos e narram as conversas do Vigia com X-51. Eles ligam os fatos de cada episódio e esclarecem o que aconteceu com os personagens para terem ficado no estado em que se encontram na trama.

Os desenhos de John Paul Leon são competentes. O artista não é nenhum virtuose do traço, mas dá conta do recado com folga. Nesse sentido, crédito também para o colorista Matt Hollingsworth, que usou tons escuros e sóbrios para retratar o futuro apocalíptico em que os personagens vivem.

Editorialmente, a Panini fez um belo trabalho. O único senão é a desnecessária chamada “476 páginas” na capa, que destoa do visual clean adotado. Ainda mais num livro tão caro. Soa quase como um “Ei, leitor, desta vez, é Terra X completa mesmo”.

Classificação:

4,0

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  • Chefe O’Hara

    Mais uma vez, cheguei tarde pra alguém ler isto, mas lá vai assim mesmo:

    Li a original da Mythos, e sabia que havia cortes, já que tinha arranjado uma revista norte-americana e vi que um pedaço do material não entrou naquela versão brasileira. Então, anos depois, comprei essa versão cara pra dedéu, sacrificando um pedaço do meu 13°. Ela ficou lá na estante por uns meses, me aguardando acabar a leitura de outras coisas mais prioritárias. Agora acabei, e…

    …e, sinceramente, vejo que a “versão completona” não é lá essas coisas. As páginas de quadrinhos cortadas não são tããão essenciais assim pra história: basicamente duas a quatro páginas com o Vigia e o Homem-Máquina recontando pela enésima vez as origens de um herói e o primeiro comentando “tal traço de personalidade de fulano foi implantado no código genético da humanidade pelos Celestiais”. Pura encheção de lingüiça que dá pra cortar na maior.

    Também tem o ritmo da história, demasiado lento e que só se beneficiou com certos cortes da Mythos (o próprio Sr. Sidney admite parcialmente isso na sua resenha da edição 4). E eu cortaria também a página preta com diálogos em letras enormes que abre cada capítulo.

    De essencial, só mesmo as páginas de diálogos contando o destino dos personagens, mas isso só é “essencial” por nossa curiosidade de “fanboy” de saber o que aconteceu com, digamos, o Homem-Múltiplo e a Cristal, e “não inflói nem contribói” pra trama.

    (Também acho que várias páginas desses diálogos podiam ser juntadas, suprimindo ilustrações e transformando duas em uma –coisa que a Mythos fez. Mas isso é coisa minha, já que elas vêm do caderno de esboços publicado como suplemento de uma revista Wizard onde ele fez propaganda de seu conceito. Quem não tem esse especial e gosta dessas notas de produção e esboçoa antigos vai certamente querer eles lá.)

    Também tem umas coisas estranhas que não são respondidas, como o porque dos Inumanos terem sofrido uma segunda mutação, do Raio Negro aparentemente não ser percebido como ser vivo pelos robôs do Dr. Destino ou do Vigia aparentemente estar tetraplégico e –nem ele, nem ninguém– só ligar pra sua cegueira. Colega, você está imóvel! Como é que isso não é importante?

    Por falar no Vigia, gostei do final que deram pra ele. É idiota esse conceito de “só registrar, nunca interferir”. E pior ainda o de “só registrar, nunca interferir … a não ser que o roteiro exija”. Também gostei do que fizeram com os Celestiais: aqueles bichos têm ao mesmo tempo uma cara de pastel e um desprezo pela vida que condiz com o destino dado a eles.

    Enfim, foi interessante ver o que foi cortado na primeira publicação, mas seria muito melhor fazer isso com uma edição de capa cartonada, papel fininho e custando uns 30 reais a menos. Porque só metade dos cortes é realmente digna de ficar.