TEX ANUAL # 1

Por Sidney Gusman
Data: 1 dezembro, 2008


Autores: Antonio Segura (roteiro), José Ortiz (desenhos) e Giovanni Ticci (capa).

Preço: R$ 8,90

Número de páginas: 352

Data de lançamento: Dezembro de 1999

Sinopse: O caçador de fósseis – A trama, publicada originalmente em Maxi Tex # 2, em 1997, começa a ser montada em três vértices. O primeiro sobre paleontólogos que buscam ossadas de dinossauros pelo Velho Oeste norte-americano. Edward Cope, sua filha Natália e o ajudante Iron viajam sem parar atrás de novas descobertas, mas o inescrupuloso Charles Sutter não perdoa seu ex-sócio Cope por ter rompido a parceria e quer vingança.

A segunda frente é comandada pelo índio pé preto Four Bears, que permite que seu ódio pelos homens brancos beire a loucura – a ponto de assassinar seu pai adotivo, o homem que casou com sua mãe e ajudou a criá-lo. E ele planeja violências ainda maiores. Só que Tex e Kit Carson estão em seu encalço.

Finalmente, o terceiro plot da trama mostra Red Barnum, um caçador de recompensas que leva um tiro e busca socorro médico… ou um lugar para morrer em paz.

Só que essas linhas não serão paralelas para sempre e tendem a se encontrar em determinado ponto.

Positivo/Negativo: Esta edição marcou a estréia do roteirista espanhol Antonio Segura nas páginas de Tex. Num texto de introdução, Sergio Bonelli conta como convidou o autor de Sarvan e Burton & Cyb para escrever aventuras do principal personagem de sua editora.

E Segura chega mostrando trabalho. A trama é muito bem construída, em três frentes distintas que, claro, se encontrarão mais tarde. A condução é feita com extrema competência, pois o roteirista destina seqüências de ação e tensão para cada um delas.

Impressiona também a competente construção dos personagens coadjuvantes. Em poucas páginas, Segura deixa o leitor a par do que eles têm de melhor e pior, do seu modo de agir, do seu caráter, do porquê de seus atos – o passado de Four Bears, quase que justificando suas ações, é uma grande sacada.

O autor também parece se adaptar rápido a Tex e Carson, pois ambos estão bem retratados, tanto nos momentos de ação quanto no convívio entre ambos. Aliás, Segura tratou de explorar seu potencial para o humor especialmente nas cenas de Kit Carson, do bêbado Salomon e no começo de romance que surge entre Natália e o jovem pistoleiro Lynn.

A trama, enfim, tem todos os ingredientes para uma grande aventura de Tex: intriga, tiroteios, pancadaria, perseguições, combates contra índios, um estouro de uma manda de bisontes e até a redenção de um antigo fora-da-lei. Um legítimo (e bom) quadrinho de bangue-bangue.

Evidentemente, o cenário só se completa graças ao traço do também espanhol José Ortiz, que na época já era colaborador da Sergio Bonelli. Ele é um craque do traço em preto-e-branco e seu domínio de luz e sombras impressiona. Nas cenas noturnas, por exemplo, vale notar como escurece os rostos, deixando aparecer apenas pequenos contornos, suficientes para identificação dos personagens.

Seus cenários também são extremamente detalhados, e a narrativa, com mudanças de “tomadas de câmera” rápidas, muito eficaz. O ritmo da história flui com bastante naturalidade.

TEX ANUAL # 1No
entanto, Ortiz peca apenas em determinadas cenas de luta corpo a corpo.
Nas páginas 44 e 45, por exemplo, Tex, de repente, aparece franzino, quase
magrelo; quando, no restante da revista é retratado como corpulento, de
ombros largos. Nada que manche seu belo trabalho, mas é uma falha que
salta aos olhos durante a leitura.

Na última página da revista, a Mythos, que fez um bom trabalho de edição (há apenas um ou dois erros de digitação), apresenta ainda uma pequena biografia dos autores. Pena que tenha optado por uma capa de Giovanni Ticci que, apesar de bonita, não apresenta nada da história – e a da edição original era bem chamativa.

Como curiosidade, vale notar que na edição Tex ainda fuma bastante. Atualmente, suas histórias o mostram mais comedido em relação ao tabagismo.

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.