Tex Gigante # 9 – O Cavaleiro Solitário

Por G. G. Carsan
Data: 21 dezembro, 2005

Tex Gigante # 9 - O Cavaleiro SolitárioEditora: Mythos Editora – Edição especial

Autores: Claudio Nizzi (roteiro) e Joe Kubert (capa e desenhos).

Preço: R$ 9,90

Número de páginas: 240

Data de lançamento: Abril de 2002

Sinopse

Tex vai visitar um velho amigo e sua família, mas chega com duas horas de atraso e os encontra mortos e escalpelados, gerando um enorme desejo de vingança e justiça.

Seguindo a pista dos quatro assassinos nas montanhas, o ranger cai numa armadilha, mas é poupado da morte rápida quando descobrem que é um “tira”. Então, é feita a simulação de um acidente (para não atrair uma caçada pelos homens da lei), no qual se prova que Tex tem os ossos bem duros e agüenta pancadas inimagináveis.

Os bandidos se separam para dar um tempo nas patifarias, mas o recuperado herói parte atrás de um deles, Frank, que junto com seu irmão tenta expulsar os colonos para ficar com suas terras (justamente do homem que ajuda Tex a escapar da morte).

Para pegar os dois, Tex conta com o apoio do vice-xerife de Big Creek (Riacho Grande), que se levanta contra o chefe corrupto.

O plano é simples e corajoso: raptar Frank, fazê-lo dizer os nomes dos seus cúmplices e obrigar seu irmão, Ray Barrett, a parar com a perseguição aos rancheiros. O problema é que Ray não cumpre sua palavra e provoca uma tragédia irremediável.

Em seguida, Tex partirá em busca de Luke Thorpe, em Utah; de Russ Jenkins, na desgraçada Escalante, cidade encravada nas margens do deserto; e, finalmente, do índio Jako.

ranger terá que derrotar um a um, superando dificuldades e tramóias que não param de se suceder.

Positivo/Negativo

De todos os Tex Gigante já publicados no Brasil, este foi o mais distinto no quanto aos desenhos, pois o responsável, Joe Kubert, brindou os fãs com formatos e tamanhos de enquadramentos não permitidos na Sergio Bonelli Editora.

Principalmente no início da história, com páginas com oito, nove e até dez quadros. Assim, o enredo flui mais compacto e algumas ações e reações ficam mais explícitas, por meio de expressões faciais detalhadas.

Esta edição tem um objetivo específico e louvável e uma missão quase impossível (pelo mesmo até o momento): levar Tex ao conhecimento dos leitores norte-americanos e cair nas graças desse público.

O roteiro se enquadra, ainda, na exigência do mercado ianque, cujas histórias são curtas, cerca de 48 páginas. Por isso, Tex caça os bandidos separada e sucessivamente, como se fosse em episódios continuados e completos, que se interligam.

De fato, conforme foi informado, Claudio Nizzi preparou o roteiro levando em conta o lançamento nos Estados Unidos, onde Tex deveria aparecer sozinho, sem o amigo Kit Carson, que dificilmente seria compreendido quando comparado ao seu xará que realmente existiu. Além disso, não deveria ser feita nenhuma alusão ao fato de o ranger ser chefe de uma tribo indígena – o que acabou sendo revelado no fim da aventura – e de ter um filho mestiço.

O Tex solitário é implacável, corajoso, firme, inteligente, rápido e transporta o leitor para as telas do cinema, como se estivesse assistindo às fabulosas películas estreladas por John Wayne, Burt Lancaster, Clint Eastwood, Giulliano Gemma, Gary Cooper e tantos outros.

Dois pontos que chamam a atenção no roteiro: 1) A queda fabulosa sofrida por Tex, sem que tenha nenhuma seqüela. Se ainda houvesse um rio, para amortecer o tombo; 2) A participação de mulheres no enredo, enfatizando duas modalidades de assédio sexual distintas, que deviam ser uma prática comum num mundo povoado por homens, e que é pouco explorado na saga do personagem.

Os desenhos do renomado Joe Kubert (desenhista de personagens famosos como Tarzan, Sargento Rock e Gavião Negro) são um show a parte. A seqüência em que Tex é jogado no precipício é maravilhosa; e na página seguinte o chapéu faz o mesmo caminho, entre os quadros.

Das 220 páginas da história, só 64 têm o formato natural dos Texones (como essas edições são chamadas na Itália) e Tex normais, com cinco ou seis quadros por página. Kubert abusou de 3 quadros seqüenciais.

Mesmo os fãs veteranos do ranger terão uma grata surpresa após a leitura deste número.

Um detalhe engraçado e diferente: as sombras provocadas pelos chapéus parecem máscaras sobre os rostos. E vale citar os bigodões dos senhores que ponteiam a história. Nesta revista, faz-se contato com personagens norte-americanos, sob o ponto de vista de um artista local. Por isso, soa diferente do que o que se vê normalmente.

A entrevista com Kubert é muito esclarecedora e relata suas maravilhosas criações e, sobretudo, suas idéias, além de contar como foi o trabalho com Tex e sua visão do mundo das histórias em quadrinhos.

E a matéria Alone Under the Stars (Sozinho sob as Estrelas), de Graziani Frediani, é uma crônica que seduz, pois deixa o leitor a par da vida daqueles homens rudes e perigosos que cavalgavam pelas paisagens insólitas do Oeste em busca de paz, de vingança, de nada.

Classificação

5,0

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