The fade out – Act One

Por Milena Azevedo
Data: 9 março, 2018

The fade out – Act OneEditora: Image Comics – Edição especial

Autores: Ed Brubaker (roteiro), Sean Phillips (arte) e Elizabeth Breitweiser (cor). Originalmente em The Fade Out # 1 a # 4.

Preço: US$ 9,99

Número de páginas: 120

Data de lançamento: Fevereiro de 2015

Sinopse

Em plena Era Dourada de Hollywood, um filme noir está preso em infinitas refilmagens de cenas, um roteirista traumatizado pela Segunda Guerra não consegue mais escrever e uma estrela de cinema foi morta de forma suspeita.Com isso, um magnata e seu segurança vão fazer de tudo para as câmeras continuarem rodando antes que o studio system vá para o brejo.

Positivo/Negativo

A expressão fade out é usada para indicar o fim da trama em um roteiro. Ela representa aquele “escurecimento” da tela ao encerramento de um filme.

O trocadilho empregado por Ed Brubaker no título desta série de 12 partes, a qual foi republicada em três encadernados e em uma edição de luxo, pela Image Comics, funciona como uma excelente metáfora para a histórias.

As coisas começam a ficar um negrume só para o roteirista Charlie Parish quando ele encontra o corpo sem vida da atriz Valeria Sommers (estrela ascendente dos filmes noir da Victory Street Pictures), mas, devido a um apagão, não se lembra de como foi parar em seu banheiro, na noite anterior.

Parish é um homem atormentado por lembranças traumáticas da Segunda Guerra Mundial, e não consegue escrever decentemente desde então. Para não perder o emprego, ele fez um acordo com um velho amigo roteirista, Gil Mason, recém-entrado na “lista negra” dos artistas subversivos e sem possibilidade de voltar a trabalhar na indústria cinematográfica durante as ações do Comitê de Atividades Antiamericanas (que investigava e condenava pessoas suspeitas de comportamento antipatriótico, ou seja, com ligações com a esquerda e o Partido Comunista).

Assim, Gil se tornou ghost writer de Charlie, ganhando uma grana para sustentar sua família e seu vício no álcool. Mas, em contrapartida, Charlie virou “babá” de Gil, salvando-o de roubadas após suas homéricas bebedeiras.

Como não bastasse tantas nuvenzinhas escuras sobre a cabeça de Charlie, no ano em que se passa a trama, 1948, a Suprema Corte deu ganho de causa ao Departamento de Justiça do Governo Norte-Americano na ação antitruste contra a Paramount Pictures, estabelecendo uma nova regulamentação para produção, distribuição e exibição dos filmes, visando beneficiar os pequenos estúdios e os independentes, os quais não tinham muitas chances no esquema dos cartéis comandado pelos cinco majors (MGM, Paramount, Twentieth Century-Fox, RKO Pictures e Warner Brothers).

Charlie trabalha para a Victory Street Pictures, pequeno estúdio comandado pelo magnata Victor Thrusby, que já havia feito um acordo para distribuição do seu mais recente filme com a Paramount. Ele precisava lançar seu filme dentro de 25 dias, para não concorrer com a nova produção da RKO (responsável por expressivos filmes noir, como O homem dos olhos esbugalhados, Rancor e Interlúdio, mas ninguém sabia o que viria sob a nova batuta do excêntrico Howard Hughes, que comprara metade do capital da empresa naquele ano).

Isso forçou Charlie a reescrever apressadamente o roteiro, de forma a agradar o diretor Franz Schmitt, o qual pretendia refilmar todas as cenas que estampavam o rosto da finada Val Sommers, após escolher a sua substituta: a ambiciosa loura platinada Maya Silver.

Este primeiro encadernado de The Fade Out mostra que, enquanto datilografa as novas ideias de Gil para o roteiro, Charlie vai a festas e presencia negócios sórdidos com o astro Earl Rath, e começa a ter flashes de memória da última noite em que Val foi vista com vida.

Como ele tem certeza de que a atriz não se suicidou, compartilha com Gil o que viu ao encontrar o corpo. Então, eles passam a sondar nos bastidores repulsivos e hipócritas de Hollywood quem matou Val; e por quê. Isso transforma a história da HQ numa trama noir (Brubaker emprega os elementos característicos dessa estética, como: narração em voice over, atmosfera urbana sombria, personagens de caráter dúbio, flashbacks, femme fatales; além do fato de cada capítulo começar e terminar com uma página toda em preto).

O apreço de Brubaker pelo thriller policial e pelo noir veio dos filmes e das histórias de bastidores contadas por seu tio, John Paxton, roteirista de alguns noir da RKO (dentre eles, Até a Vista, Querida, uma adaptação do romance pulp de Raymond Chandler, e o cultuado Rancor, pelo qual concorreu ao Oscar de Melhor Roteiro).

Desde o início de sua carreira, Brubaker já ensaiava histórias com um pezinho no pulp, como as que escreveu para a série Dark Horse Presents, entre 1991 e 1996, depois na DC Comics, com Batman – Gotham Noir e Gotham D.P.G.C (esta a quatro mãos com Greg Rucka), até chegar em seus quatro trabalhos para a Image, culminando no fino trato de The Fade Out.

Se a história já diz a que veio (com um roteiro bem redondinho), a arte de Sean Phillips (com quem Brubaker tem uma parceria incrível, como comprovam as séries Criminal, Incognito e Fatale) e as cores da Elizabeth Breitweiser (ela acerta na paleta, que mescla sobriedade e luxúria nas gradações de ocre em pastel, e na luz azul-esverdeada das cenas noturnas, bem como ao empregar uma técnica bem diferente para os flashes de memória de Charlie) complementam o trabalho, que ganhou o Eisner de Melhor Série Curta, em 2016.

Classificação

5,0

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• Outros artigos escritos por

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  • James Howllet

    Hum… Alguém vai lançar aqui no Brasil?

    • Gabriel Iatarelli

      Pouco provável.

      Quem começou a lançar esse material do Brubaker na Image aqui no Brasil foi a Panini há alguns anos e nunca mais falaram nada.

      A série que eles iniciaram foi Criminal, que também é excelente.

      Tô lendo esse material no Comixology, vira e mexe eles colocam promoções legais e eu que me vire no meu inglês.

  • Deveriam fazer séries e filmes de todas as HQs autorais do Brubaker.

    • Gabriel Iatarelli

      Eu adoraria ver um filme de Fatale!