The Phantom # 1

Por Thiago Rique
Data: 15 março, 2016

The Phantom # 1Editora: Hermes Press – Revista mensal

Autores: Peter David (roteiro), Sal Velluto (desenhos) e Eugenio Mattozzi (cores).

Preço: US$ 3,99

Número de páginas: 32

Data de lançamento: 2014

Sinopse

Os temidos piratas Singh estão de volta procurando a mítica cidade de Ophir. Mas terão de enfrentar não apenas seu centenário inimigo, o Fantasma, como também outro misterioso personagem, além de marcar o retorno de uma perigosa inimiga do Espírito-Que-Anda.

Positivo/Negativo

No começo da década de 2010, o Fantasma se envolveu numa polêmica editorial e comercial dentro de seu país de origem, os Estados Unidos. Na época, o personagem era licenciado pelo seu proprietário, o King Features Syndicate, uma agência de tiras em quadrinhos, para a Moonstone desde os anos 2000. Mas, naquele ponto, ele também cedeu os direitos de publicação para outra editora, a Dynamite.

A situação criou um mal-estar entre ambas, algumas declarações redigidas por assessores de imprensa aqui e ali até a Moonstone abandonar o trabalho com o Espírito-Que-Anda.

Desde então, a Dynamite vem tentando fazer uma abordagem mais ousada com o herói: primeiro lançou uma série de 11 números, cujos primeiros já foram publicados aqui num encadernado de luxo pela Mythos, mostrando a sucessão do atual Fantasma por seu filho, e depois apresentou o personagem na minissérie The King Watch, ainda inédita no Brasil, ao lado de Flash Gordon, Mandrake e Lothar.

Ironia das ironias, o King voltou a fazer a mesma coisa em 2014 e licenciou o personagem para uma segunda editora, a Hermes Press, a qual até então reeditava as tiras e HQs clássicas do herói em álbuns de luxo.

Assim, The Phantom mostra a iniciativa da Hermes em produzir suas próprias histórias com o Fantasma. Para isso, ela chamou dois veteranos: Peter David e Sal Velluto. David é conhecido no Brasil por sua fase à frente do Hulk, mas também foi o roteirista da minissérie do Espírito-Que-Anda para a DC Comics, no final dos anos 1980, publicada no Brasil pela Globo.

Experiente, o escritor toma duas corajosas decisões. Primeiro joga a trama para os anos 1930, quando o personagem foi criado por Lee Falk. O filme de 1996 tomou a mesma diretriz, com resultados menos felizes. A segunda é fazer da trama uma espécie de sequência das duas primeiras aventuras do Fantasma, Os Piratas de Singh e Os Piratas do Céu.

Ambas se provam acertadas, pois, apesar de ter poucas páginas, a trama é envolvente e até intrigante ao apresentar um segundo suposto imortal. Além de ser recheada de sequências com as quais os fãs estão acostumados, começando pela abertura recapitulando a história da família Walker.

Mas David erra a mão ao retratar Diana Palmer. Ela é uma mulher forte e isso foi mostrado de forma natural no passado, especialmente quando escrita por seu criador, Lee Falk. Mas aqui a personagem soa extremamente forçada e boa parte de sua participação se limita a clichês beirando os estereótipos de mulheres duronas dos quadrinhos.

Sal Velluto é bem menos conhecido no Brasil – teve parte de seu material à frente de Justice League Task Force lançado pela Abril Jovem em meados da década de 1990. Com um traço detalhista e tradicional, com belos cenários e trabalho de anatomia preciso, seus painéis são lindos e enriquecidos pelas cores de seu colaborador, Mattozzi, algo visível pela impecável impressão da Hermes e pela opção de usar papel couché brilhante no miolo, valorizando ainda mais o trabalho de ambos.

Velluto também desenha o Fantasma para a editora Egmont, na Europa, onde o personagem é um enorme sucesso nos países escandinavos. Sua escolha para ilustrar a série da Hermes passou diretamente pela ótima recepção junto aos fãs do Velho Continente.

Esta edição traz uma entrevista com o desenhista e uma galeria com as capas alternativas nos Estados Unidos. Por isso, a aventura tem meras 21 páginas, enquanto a média fica entre 23 a 24. Ainda assim, a experiência se mostra prazerosa o suficiente para o leitor aguardar pelo segundo volume.

The Phantom é muito recomendada para leitores insatisfeitos com a abordagem mais ousada da Dynamite. E também para interessados em uma ótima revista de ação inspirada em antigos pulps ou aventuras de época.

Mesmo que pareça paradoxal, também é indicada – por que não? – para quem gostou das séries da Dynamite. Afinal, num cenário em que o Fantasma cada vez mais se torna um personagem de nicho, toda iniciativa de colocá-lo comercialmente em circulação deve ser incentivada.

Assim, há espaço para todas essas abordagens, pois elas são necessárias para manter o Fantasma em circulação fora das tiras de jornais.

Classificação

3,5

• Outros artigos escritos por

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  • Stephan

    Quando poderemos ler um encontro entre o Espírito-Que-Anda e Tarzan?

    • Cassiano Cordeiro Alves

      Jogando RPG meu grupo eu já reunimos Fantasma, Mandrake e Spirit em Central City pós II Guerra combatendo Ra’s Al Ghul.

  • Celso Nunes

    Olá, Thiago. Excelente artigo. Parabéns pela sua análise concisa. Eu mostrei esse review para o desenhista Sal Velluto. Ele gostou muito. Mas ele pediu, se possível, para corrigir o sobrenome dele, pois em todo o texto você escreveu errado. No mais, um abraço.

  • Jonas Lobato

    PELO AMOR DE DEUS, CORRIJAM LOGO O SOBRENOME DO ARTISTA!
    É “VELLUTO”, COM DOIS “L” E APENAS UM “T”!!!
    Sério, isso fica até feio para nós, brasileiros. Curioso como nome de artistas das atualmente medíocres Marvel e DC vocês não erram. Ô povo bitolado…

    • Oi, Jonas. Obrigado pelo aviso, já corrigimos. Infelizmente, as vezes acontecem erros como esse, ainda que raramente (inclusive com autores de Marvel e DC), e sempre contamos com a atenção e boa vontade dos leitores de nos avisarem! Isso é sempre bem-vindo!

      O que não é bem-vindo é a grosseria e falta de educação.

      Abraços!