The Wicked + The Divine

Por Vitor Mazon
Data: 25 fevereiro, 2019

The Wicked + The DivineEditora: Geektopia – Edição especial

Autores: Kieron Gillen (roteiro), Jamie McKelvie (arte), Matthew Wilson (cores) e Dee Cunnifee (cores). Publicada originalmente em The Wicked + The Divine # 1 a # 5 (tradução de Maurício Muniz).

Preço: R$ 59,90

Número de páginas: 160

Data de lançamento: Dezembro de 2016

Sinopse

A cada nove décadas, 12 deuses reencarnam no corpo de jovens adultos. Eles são amados, odiados e há quem diga que podem realizar milagres. Em dois anos, estarão todos mortos.

Em 2014, o ciclo recomeçou, desta vez em Londres. Laura, uma jovem como tantas outras, segue as divindades aonde elas forem e, após um show, acaba chamando a atenção de um dos deuses reencarnados.

Positivo/Negativo

Kieron Gillen e Jamie McKelvie formam um daqueles times de roteirista e artista em que é quase impossível distinguir quais elementos cada um está trazendo para a história. The Wicked + The Divine, série mais ambiciosa da dupla até o momento, é a mais recente prova disso. Publicada pela Image nos Estados Unidos, já foi indicada a diversos Eisner e ganhou o British Comic Awards de 2014.

A história retoma temas já explorados em outras colaborações dos dois, como fama, juventude, culto à celebridade e o poder mágico da música, mas empacotados em uma trama de mitologia com grandes reviravoltas.

Em uma entrevista de 1966, John Lemon, vocalista dos Beatles, afirmou que a banda era mais popular do que Jesus Cristo. A declaração entrou para a História, e pode muito bem ter sido a inspiração inicial para a série que mostra deuses como astros pop.

Música é um tema recorrente no trabalho da dupla, mas enquanto em Phonogram (projeto que já teve três minisséries publicadas nos Estados Unidos e continua inédito no Brasil), eles imaginaram um mundo onde canções funcionariam como feitiços, The Wicked + The Divine explora a obsessão que se construí em torno dos astros pop e a própria efemeridade dessa fama. Afinal, em dois anos todos estarão mortos.

Neste volume, Gillen faz um ótimo trabalho apresentando os conceitos e bases desse universo. Ele dá teasers de que há um plano maior em jogo, mas o autor não tem pressa em colocar todas as peças no tabuleiro, deixando que a dinâmica interna do panteão vá se revelando aos poucos.

O foco desse primeiro arco é a relação entre Laura, uma adolescente, que vive mergulhada no fandom desses deuses pop, e Luci, a reencarnação feminina de Lúcifer. A dinâmica entre as duas personagens é o motor que leva o leitor a explorar esse mundo.

O roteiro coloca em destaque o anseio de Laura por pertencer a algo maior, mas sem mostrar muito da sua vida fora do fandom dos deuses.

A arte de Jamie McKelvie é o ponto forte da obra. Como os deuses são astros pop, ele carrega na inspiração da pop art. Seus personagens são expressivos e realistas, e os deuses poderiam muito bem ser cantores que se apresentam no Coachella, com claras referências a músicos da vida real, como David Bowie, Madonna, Florence Welch, Daft Punk, Rihanna, Kanye West e os Beatles.

O trabalho de Matthew Wilson com as cores é um fator importante no resultado positivo da arte. O traço claro e preciso de McKelvie é beneficiado pelos tons vibrantes, que destacam os personagens e a atmosfera de excessos em que os deuses vivem.

A Geektopia fez um bom trabalho neste volume. Um dos diferenciais da série são suas capas, que destacam o retrato de um dos personagens a cada número, e isso foi mantido pela editora brasileira.

The Wicked + The Divine mostra a sinergia da dupla Kieron Gillen e Jamie McKelvie. Este primeiro arco faz a construção desse mundo, sem exagerar na exposição. A série tem o espírito e a energia de uma boa música pop, apostando em um visual caprichado. O gancho final deixa o leitor ansioso para saber qual caminho a história tomará daqui para frente.

Classificação:

4,0

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  • Southern Cimmerian

    ao lado de Saga, são as únicas series sjw que realmente emplacaram, mas não é pra mim.