Thermæ Romæ # 5

Por Audaci Junior
Data: 24 outubro, 2014

Thermæ Romæ # 5Editora: JBC – Série mensal em seis edições

Autora: Mari Yamazaki (roteiro e desenhos) – Originalmente publicado em Terumæ Romæ (tradução de Drik Sada).

Preço: R$ 19,90

Número de páginas: 200

Data de lançamento: Fevereiro de 2014

Sinopse

O viajante do tempo Lucius Modestus não consegue mais voltar para a Roma de 138 d.C. e está há semanas na cidade balneária de Ito, no Japão dos dias atuais.

O arquiteto está trabalhando duro e estudando as técnicas dos “caras achatadas” para os banhos termais, na esperança de um dia voltar à sua época.

Mas quem está realmente encrencada é Satsuki, a “deusa Diana” nipônica do protagonista. Um grupo de marginais inferniza a vida dos moradores da cidade, inclusive a hospedaria em que Lucius trabalha.

Positivo/Negativo

O termo “garanhão” pode se referir, no sentido figurado, a um galanteador, sujeito libidinoso, mulherengo. Nesta comédia de Mari Yamazaki, porém, o protagonista boa-pinta vira encantador de cavalos.

O propósito de a égua Hanako entrar desembestada atrás do romano serve para argumentação de apresentar o Manual de Cavalaria de Xenofonte (430 a.C. – 355 a.C.), soldado ateniense discípulo de Sócrates, cuja obra serviu como base da arte de equitação ocidental.

Interessante notar como a prática in loco afeta o roteiro de Thermæ Romæ. Nas sempre bem-vindas notas que a autora apresenta entre os capítulos, ela conta que já teve a experiência “romana” de montar um cavalo sem sela e estribo, quando morou em Cuba.

Nesta edição, o leitor é apresentado a Tetsu, o avô de Satsuki, um senhor que pratica o seitai, técnica similar a quiropraxia. Comumente visto como símbolo de sabedoria pelos anos vividos, o ancião trará soluções para vários problemas colocados pela quadrinhista ao longo das páginas.

Também são mostrados vários elementos da cultura romana e nipônica, como o preparo de um peixe denominado pargo para ocasiões especiais, iguarias como caramujos fritos e moreias cozidas, a técnica da acupuntura e as termas exercendo uma função medicinal.

Do lado mais histórico, Yamazaki toca em uma questão vista como comum na época da Roma antes da propagação dos princípios cristãos: o suicídio. Assim como o seppuku (ou haraquiri) no Japão, o ato de tirar a própria vida não era um tabu em virtude de uma morte honrosa. Um gesto de dignidade visto com bons olhos até por filósofos como Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.) e o Imperador Adriano, cujas tentativas devido ao seu estado de saúde são mostradas aqui.

Apesar de uma ou outra forçada de barra na trama, como introduzir repentinamente outro cavalo para Lucius poder improvisar uma biga no melhor estilo do filme Ben-Hur (1959), a série deixa um gancho interessante para o seu desfecho no próximo volume.

Com boa dose de ação, leveza e humor, Thermæ Romæ ainda mantém seu “galope” e também a cadência da qualidade editorial acima da média em relação aos mangás de linha da JBC, com orelhas e aplique de verniz na capa cartonada, papel offset de boa gramatura e impressão.

Classificação

3,5

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