TOM STRONG – A INVASÃO DAS FORMIGAS GIGANTES

Por Sidney Gusman
Data: 10 dezembro, 2008


Autores: Toque de incêndio – Alan Moore (roteiro), Chris Sprouse (desenho), Karl Story (arte-final) e Matt Hollingsworth (cores);

Alguns o chamam de cowboy do espaço – Alan Moore (roteiro), Chris Sprouse (desenho), Karl Story (arte-final) e Alex Sinclair (cores);

Fuga da formiga – Alan Moore (roteiro), Chris Sprouse (desenho), Karl Story (arte-final) e Alex Sinclair (cores);

O último round – Alan Moore (roteiro), Chris Sprouse (desenho), Karl Story (arte-final) e Dave Stewart (cores);

A eletrizante terra das mulheres! – Alan Moore (roteiro), Howard Chaykin (arte) e Dave Stewart (cores);

Mau para os ossos – Leah Moore (roteiro), Shawn McManus (desenho), Steve Mitchell (arte-final) e Dave Stewart (cores);

O estoque de heróis de Horatio Hogg! – Alan Moore (roteiro), Chris Sprouse (desenho), Karl Story (arte-final) e Dave Stewart (cores);

Preço: 32,90

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Janeiro de 2008

Sinopse: As quatro primeiras histórias compreendem o arco que dá título ao álbum. Nele, Coleman Grey, o Cavaleiro Misterioso, vem do espaço à Terra para avisar Tom Strong que milhões de formigas gigantes estão a caminho do planeta para devastá-lo.

Então, Strong reúne uma equipe, que conta com a russa Svetlana; Val Var Garm, o novo namorado “incandescente” de sua filha Tesla; os Strongmen, fãs mirins do herói que entram na missão sem serem convidados; alguns amigos de Grey; e certos aliados misteriosos. Juntos, eles rumam para o espaço ao encontro dos inimigos.

A eletrizante terra das mulheres! – Um ser metálico rapta Dhalua e quando Tom Strong parte para resgatá-la descobre um lugar habitado apenas por mulheres.

Mau para os ossos – Em busca de um templo místico que lhe garantiria vida eterna, Paul Saveen, o inimigo mortal de Tom Strong, paga o preço por não confiar em ninguém.

O estoque de heróis de Horatio Hogg! – Durante uma sessão de autógrafos, Tom Strong e Tesla são “sugados” para dentro de um gibi desenvolvido por um maluco e vão parar na Segunda Dimensão.

Positivo/Negativo: Depois de ter dois álbuns pela Devir (Um século de aventuras e No final dos tempos), Tom Strong ficou quase um ano esperando uma nova publicação, que, enfim, chegou, agora pela Pixel. O formato é o mesmo e se o acabamento gráfico decaiu um pouco (não há mais orelhas nas edições), em contrapartida o preço ficou mais barato.

E, no final das contas, o melhor é ter o título – considerado o melhor da linha ABC, de Alan Moore – de volta às nossas livrarias.

Até por ser uma homenagem declarada aos pulps, Tom Strong tem aquele “sabor” de HQ antiga. Isso é facilmente notado no desenvolvimento das tramas, no humor que permeia mesmo as situações mais tensas e na hora da ação pra valer. Contudo, a estrutura narrativa que o autor utiliza para contar suas histórias não tem nada de antiquada. Pelo contrário.

E está aí (mais) um dos atrativos da série.

Na primeira história do álbum, que abre a saga das formigas gigantes, o ciúme que Tom Strong demonstra ao ver que a filha Tesla está realmente “a fim” de Val Var Garm, que a havia raptado de sua casa, garante o humor. A situação mostra um lado bastante humano do poderoso herói de Millennium City.

No decorrer do arco, quem fica encarregado das pitadas de humor são os Strongmen – a seqüência em que Timmy Turbo é chamado de gay é ótima. Em meio à pancadaria contra as formigas gigantes, eles ainda ficam com o papel de colocar os heróis em sérias encrencas.

Enquanto isso, a aventura com ares científicos se torna uma leitura cativante. Bem ao seu estilo, Moore deixa para o final algumas “armas secretas” que Tom Strong havia preparado para os inimigos. E o leitor as descobre junto com os demais aliados do herói.

O belo desenho e a narrativa competente de Sprouse deixam a HQ ainda mais empolgante. Ele dosa bem a diagramação das páginas para garantir que a trama flua no ritmo proposto por Moore.

Das três HQs curtas que complementam a edição, A eletrizante terra das mulheres! é a mais fraca. O roteiro não tem grandes atrativos e a arte datada de Chaykin não ajuda em nada.

Mau para os ossos, da filha de Alan Moore, é bem bacana. Uma daquelas histórias com uma “moral” no final, mas sem ser piegas. E os desenhos de McManus estão na medida para o texto.

Por fim, O estoque de heróis de Horatio Hogg! é uma pequena pérola. Em meio ao absurdo de heróis serem sugados para dentro de um gibi, Alan Moore “cutuca” a indústria dos comics ao relembrar fatos nada agradáveis. Em certo momento, Tesla questiona os heróis que estão ali aprisionados por gostarem daquele lugar. Então, um deles diz que “a maioria do pessoal da ciência se tornou supérflua no final dos anos 50”.

Em seguida, indagado sobre a falta de liberdade, um homem responde: “Liberdade? Com o código de heróis da ciência que criaram recentemente?”. E uma mulher complementa: “É, pelo menos aqui podemos fazer sexo e tratar de divórcio com bom humor!”.

O autor, claro, se refere à decadência que foi imposta aos quadrinhos na década de 1950 depois que o psiquiatra Fredric Wertham escreveu o livro Seduction of the innocent (Sedução do inocente, em português) e iniciou uma “caça às bruxas” que vitimou especialmente as HQs de terror e de ficção científica.

Nesta aventura, vale observar com atenção como Chris Sprouse “brinca” com os desenhos pelo fato de os personagens estarem na Segunda Dimensão.

Editorialmente, o trabalho da Pixel foi competente. Há um resumo dos álbuns da Devir (algo importante para eventuais novos leitores), reprodução das capas originais em versão reduzida e minibiografias dos autores. Os erros de revisão diminuíram, mas não cessaram. Ainda há alguns, como um acento agudo no lugar de um grave na frase “… daria origem mais tarde á revista Tom Strong Terrific Tales“, na página 6, e um Secret Nemeis (o correto é Nemesis), na 126.

No entanto, o principal equívoco está na página 27. No texto em que Tesla dá uma bronca em Val Var Garm, que está justamente tentando conquistá-la, há um cacófato que dá uma conotação “quase sexual” à frase. Confira: “E se quiser me ter… e não estou dizendo que não pode… não será desse jeito”. Vale um pouco mais de atenção.

Pra terminar, merece destaque uma frase de Tesla na última página do álbum, na qual, na verdade, Alan Moore usa a personagem para transmitir um sentimento que é dele e de milhares de leitores do mundo inteiro: “Pai, por que os quadrinhos atuais não são mais tão interessantes?”.

Classificação:

4,0

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