Trillium

Por Talita Grass
Data: 28 setembro, 2018

TrilliumEditora: Panini Comics – Edição especial

Autor: Jeff Lemire (arte e roteiro).

Preço: R$ 29,90

Número de páginas: 200

Data de lançamento: 2018

Sinopse

Nika está em busca de uma flor rara – Trillium – que seria a cura de uma peste mortífera que está prestes a erradicar a humanidade. Marcado e assombrado pela Primeira Guerra, William procura por um lendário templo Inca na esperança de encontrar sentido para a vida.

Eles possuem propósitos distintos e vivem em diferentes épocas. Porém, um portal irá entrelaçar suas vidas de formas inimagináveis.

Positivo/Negativo

Existe uma linha tênue que difere uma narrativa ousada de uma confusa. Em Trillium, Jeff Lemire conseguiu transitar facilmente entre esses dois lados, criando uma obra de difícil digestão.

A trama envolve duas pessoas que vivem em épocas diferentes – William em 1921, Nika em 3797. Ela é uma cientista que trabalha na tradução do idioma de uma raça alienígena que possui em seu planeta a flor Trillium, que seria a salvação para civilização humana. Ele, um soldado em busca da fonte da vida eterna – que possivelmente encontra-se em um templo Inca.

Um misterioso portal é o responsável por unir o casal que, mesmo habitando em épocas distintas, consegue se encontrar. Apaixonam-se, vivem um na pele do outro e buscam-se incansavelmente entre as dimensões.

Tem portais de viagem no tempo, telepatia, alienígenas, raças em extinção, linguagens em código e solidão. Tudo isso acontecendo em um ritmo frenético, com a inserção de tantos elementos, que o próprio autor não consegue orquestrar. O resultado é um roteiro confuso e que perde, muito rapidamente, sua unidade temática.

A flor Trillium, tão importante para raça humana, é deixada em segundo plano. O foco narrativo se direciona para o casal, mas em momento algum esse amor que transcende o tempo torna-se crível para o leitor.

Todos os componentes são apresentados em uma narrativa gráfica linda, mas completamente confusa. Capítulos que devem ser lidos de trás para frente ou de cabeça para baixo e muita psicodelia – artifícios bastante ousados e admiráveis, mas que na prática levam o leitor à exaustão.

Lemire, sempre tão bom em seus quadrinhos com pouco texto, atrapalha-se ao construir diálogos imensos. Perde o ritmo da narrativa com descrições extremamente explicativas.

Sua arte, porém, é fluida e inebriante. Arrisca-se na colorização em aquarela e cria páginas dignas de serem enquadradas, tentando ao máximo dar vida às suas ideias.

A edição da Panini (formato 17 x 26, capa cartão, miolo em papel LWC, lombada quadrada e impressão de boa qualidade) está bem completa, com extras mostrando o processo criativo e, em cada início de capítulo, imagens dos esboços do autor.

Trillium é uma história em quadrinhos provocativa e destemida, que exige uma participação extenuante do leitor. Mas, apesar de tudo, é admirável o trabalho de autores que se arriscam e buscam inovar sua narrativa – mesmo que isso resulte em uma obra experimental e incongruente.

Classificação:

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• Outros artigos escritos por

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  • Andre Freitas

    Gostei muito dessa HQ!!!

  • J.Araújo

    2,5 pra trillium? Ainda bem que sabemos que é só uma opinião pessoal, escudo que todo jornalista sempre tem né?

    • FINASTERIDO

      é a opinião dele, respeito. Mas vi qualidades nessa hq. Se não é um best seller, também não se enquadra na mediocridade contemporânea, e diverte com uma proposta interessante, em roteiro e na arte do Lemire, que é básica, mas boa para o que ele escreve. Eu daria nota 4 (de 1 a 5).

  • Felipe Lima

    Olha, não achei uma hq maravilhosa, mas também não é pra tanto. Daria 3,5 “balões” no padrão UHQ, o equivalente a um 7/10 no padrão 0-a-10 que eu prefiro.

  • Claudio

    Compartilho da sua visão em relação a Trillium. Um plot que continha ingredientes para se desenvolver bem (linhas temporais distintas, simbologia histórica), tornou-se um novelão mexicano cosmológico. Na tentativa de transmitir ao leitor uma experiência que brincasse com as viagens mentais dos personagens, Lemire embaralhou tanto o sistema de leitura que ainda faz com que a hq fique cansativa à medida que os atos vão se desenrolando.
    O ótimo roteirista canadense não acertou nessa.