Turma da Mônica – Laços

Por Marcelo Naranjo
Data: 21 agosto, 2013

Turma da Mônica - LaçosEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi (roteiro e desenhos).

Preço: R$ 19,90 (capa cartonada) e R$ 29,90 (capa dura)

Número de páginas: 80

Data de lançamento: Junho de 2013

Sinopse

Cebolinha e Cascão estão aprontando suas estripulias, para azar da Mônica. Mas Floquinho, o cãozinho do menino troca-letras, foge de casa e o deixa arrasado.

A amizade da turminha será testada e fortalecida na busca pelo querido animal de estimação do Cebolinha.

A edição conta também com seis páginas de extras e a biografia dos autores.

Positivo Negativo

Quem caiu de paraquedas no universo dos quadrinhos brasileiros ou vive numa galáxia muito, muito distante, talvez não saiba que o projeto Graphic MSP é um filhote da trilogia MSP 50, na qual diversos autores deram sua versão para os personagens criados por Mauricio de Sousa.

Como consequência, surgiu este projeto, que traz HQs fechadas, em livros de 80 páginas, cujo primeiro número foi Astronauta – Magnetar, de Danilo Beyruth e que em breve terá novas edições. Em tempo, é sempre bom frisar: o editor destes álbuns é Sidney Gusman, também editor-chefe do Universo HQ e amigo pessoal deste resenhista.

Tudo explicado, é hora de analisar o resultado obtido por Laços. Que começa, indubitavelmente, com uma palavra que emana das tintas e dos traços dos Cafaggi, como será explicado a seguir – família!

Família, em seus amplos aspectos e significados. Primeiro, pelo fato de Vitor e Lu Cafaggi, autores da obra, serem irmãos. Assim, fica claro o grau de entendimento e cumplicidade no desenvolver da trama, quando o leitor percorre os flashbacks da infância do Cebolinha, desenhados por Lu; até os dias “atuais”, de responsabilidade de Vitor.

A arte de ambos enche os olhos, desde o visual do cachorro Floquinho, desenhado como fosse um bicho de pelúcia vivo, ou na turminha algo “transgressora” – afinal, Cascão ficou com um topete invocado, os “fartos” cabelos de Cebolinha nunca tiveram tanto movimento, Magali está magrinha e graciosa (e como come!), e Mônica, quem diria, é gordinha mesmo e extremamente fofa, mas brava como sempre.

Já no roteiro, difícil não se familiarizar (olha aí: “família” de novo). Afinal, são numerosas citações no decorrer da trama, sendo que algumas o próprio Vitor já comentou por aí que não tenham sido intencionais.

O leitor mais atento vai dar de cara com cenas de filmes e, principalmente, de HQs antigas da Turma da Mônica – é só procurar com calma. Por exemplo, aquela fantasia de ratinho rosa da Mônica, perto da conclusão da aventura, vem de um dos grandes clássicos dos personagens, que até desenho animado virou!

Não só isso. Estão lá os planos infalíveis, personagens secundários em pontas divertidas, um tal de “manual do patinho escoteiro” e, surpresa maior, um gordinho nervoso com o rosto cheio de espinhas e sua turminha bem folgada, que acabam tendo um entrevero com os protagonistas da aventura. Ainda que não citados nominalmente, impossível não reconhecer Bolinha, Juca, Zeca, Carequinha, Luluzinha, Glória e Aninha.

E, dentre alguns clássicos do cinema que perpassam a aventura, Conta Comigo, Goonies, Curtindo a Vida Adoidado e ET são os mais fáceis de encontrar.

Como num quebra-cabeças, os irmãos brincam ainda com os objetos que costumam “sumir” na pelagem do Floquinho, o que ocorre praticamente desde o início da HQ, dando maior coesão à trama e fazendo com que diversas minúcias ganhem importância posterior.

A trama, aliás, envolve o leitor na busca ao Floquinho junto com a turminha, ao mostrar com sensibilidade o quanto um animal de estimação pode significar para uma criança, pois, como diz o pai do Cebolinha, “ele vai ser o seu melhor amigo”.

Vale ressaltar ainda o belo trabalho de cor dos irmãos Cafaggi, especialmente nas cenas noturnas e a maneira como a palavra “Laços” envolve graficamente os personagens na capa.

Finalmente, expandindo um pouquinho esta análise, vem a família no sentido do avô querido (impossível não pensar no Mauricio de Sousa), do pai sério e carinhoso (dá pra imaginar o Sidney editando esta HQ), dos filhos que cresceram e agora querem mostrar ao mundo seu potencial (e quanto talento e criatividade têm Vitor e Lu Cafaggi!) e da enorme e sólida amizade entre a Turma da Mônica, construída revistinha a revistinha, HQ a HQ, em tantas décadas de sucesso. Personagens que extrapolam o papel e quase que fazem parte do nosso cotidiano, tornando tudo tão crível.

Assim, sabe aquela sensação gostosa de retornar ao lar, depois de férias em um lugar distante ou após um dia cansativo de trabalho/estudo?

Então.

A impressão que fica da leitura de Laços é justamente essa. Como se, para os Cafaggi, o desafio de recriar a obra de Mauricio de Sousa tenha sido como voltar para casa. Um lugar que eles, e tantos outros, frequentam desde sempre. Mauricio deve estar orgulhoso.

Classificação

5,0

• Outros artigos escritos por

.