VERTIGO # 2

Por Tiago Pavinato Klein
Data: 1 dezembro, 2010

VERTIGO # 2

Editora: Panini Comics – Revista mensal

Autores: Lugar Nenhum (Neil Gaiman´s Neverwhere # 2) – Mike Carey (roteiro) e Glenn Fabry (arte);

Hellblazer (Hellblazer # 176) – Mike Carey (roteiro) e Steve Dillon (arte);

Sandman Apresenta – A Tessalíada (The Sandman Presents: The Thessaliad # 2) – Bill Willingham (roteiro) e Shawn McManus (arte);

Escalpo (Scalped # 2) – Jason Aaron (roteiro) e R. M. Guéra (arte);

Vikings (Northlanders # 2) – Brian Wood (roteiro) e Davide Gianfelice (arte).

Preço: R$ 9,90

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Novembro de 2009

 

Sinopse

Lugar Nenhum: O contato com Lady Porta traz mudanças radicais para a vida de Richard, o que ele vai descobrindo aos poucos.

Hellblazer – O barato da vida – Na investigação sobre o prédio onde sua irmã mora, John Constantine descobre um crime em série.

A Tessalíada – Thessaly prossegue sua jornada para que sua alma não seja devorada por um misterioso adversário.

Escalpo – Nação Indígena – Dashiell Cavalo Ruim está infiltrado na polícia de Corvo Vermelho, e tem algumas missões em sua reserva natal.

Vikings – O retorno de Sven – Abandonado para morrer pelos homens de seu tio, Sven anda pela ilha, encontrando diversos personagens.

Positivo/Negativo

Lançada com um pouco de atraso, Vertigo # 2 traz a continuação das séries da edição anterior. E mantém o mesmo ritmo, mesclando boas histórias com outras medianas, mas fazendo da revista uma compra obrigatória para os fãs da Vertigo e de quadrinhos adultos.

Lugar Nenhum, adaptação do livro e da série de TV de Neil Gaiman, tem seu protagonista aparentemente “desaparecendo” do mundo após seu contato com moradores da Londres de baixo.

Ele inicia uma jornada em busca de Lady Porta, aventurando-se em um universo desconhecido. Richard é um protagonista diferente das demais séries da revista, o menos violento, pelo menos. Está muito mais na sua jornada para descobrir o que foi feito de sua vida, sem os litros de sangue dos outros títulos, o que dá a Lugar Nenhum um papel de destaque na edição.

Esta minissérie foi uma boa escolha da Panini para iniciar o título, pois tem o chamariz de ser uma adaptação da obra de Neil Gaiman. Além disso, o texto de Carey e a arte de Glenn Fabry não deixam a peteca cair.

O desenho é muito bonito e colorido, diferenciando-se da série de TV, bastante estranha e escura. A própria Paninii, no seu hotsite da Vertigo, conta a história da transição de Lugar Nenhum da televisão, para a literatura e para os quadrinhos. É um artigo bacana de ser lido.

Hellblazer apresenta a conclusão do arco sobre os mistérios que acontecem no edifício onde mora a sua irmã. Apesar de John Constantine não estar loiro, sem muita explicação para o fato, o desfecho é intenso e traz uma interessante ideia de como mergulhar na vida e sentimentos de outras pessoas.

A arte de Steve Dillon combina com as histórias do personagem. No seu traço, Constantine parece mais maduro.

A Tessalíada segue devagar. Nesta edição, além do mais, há referências para histórias relacionadas com o período em que Lúcifer perde o domínio do inferno (a série original foi publicada em 2002), mostrado em Sandman, na série solo de Lúcifer e até mesmo em edições de Hellblazer.

Isso, e a falta de explicações editoriais sobre os acontecimentos relacionados, prejudicam ainda mais a trama. Como A Tessalíada faz parte do universo de Sandman, algumas notas explicativas sobre personagens e cronologia cairiam bem.

Escalpo é uma boa novidade, colocando Dashiell Cavalo Ruim em contato com sua reserva indígena natal. O impacto com a realidade dos índios é valioso para os fãs de histórias de faroeste, pois traz uma versão moderna para o tema. É quase um epílogo de séries como Mágico Vento e Ken Parker. A própria Sergio Bonelli Editore já havia trabalhado o tema em J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga.

A arte da HQ combina com o texto, dando uma cara de decadência para o cotidiano apresentado. É uma série violenta e, apesar de a Vertigo ter um linguajar com mais palavrões, às vezes parece exagerado. Em alguns casos, parece apenas capricho do roteiro mesmo, como “…tu vai desejar que o pau do teu pai nunca tenha vazado”. Desnecessário.

Finalmente, Vikings melhora um pouco, com Sven andando pela ilha após quase ser morto pelos homens de seu tio Gorm, ao mesmo tempo em que inicia sua jornada de vingança.

O problema de Sven é que talvez seja o protagonista menos empolgante das séries apresentadas na revista, e a dúvida em saber se ele será um herói para o seu povo ou apenas quer pegar a sua herança e cair fora prejudica. A arte, porém, é maravilhosa, e o colorido também é lindo. Fica a torcida para que a série engrene.

No mais, o hotsite da Panini é leitura obrigatória, pois traz referências das histórias, novidades, curiosidades, como as citadas nesta própria resenha.

Aliás, alguns dos materiais que saem no site deveriam sair na edição impressa, pois são fundamentais para compreender algumas histórias, como A Tessalíada.

Seriam extras preciosos para a revista – já que há seis páginas destinadas a previews de edições Vertigo e Wildstorm. Pelo menos duas páginas mensais destinadas a essas referências trariam um grande salto para Vertigo.

Classificação:

4,0

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