Vertigo # 40

Por Tiago Pavinato Klein
Data: 19 abril, 2013

Vertigo # 40Editora: Panini Comics – Revista mensal

Punk Rock Jesus – Conceição (Punk Rock Jesus # 1) – Sean Murphy (roteiro e arte);

Só (The Unexpected) – Joshua Hale Fialkov (roteiro), Rahsan Ekedal (arte) e José Villarrubia (cores);

Americanas (The Unexpected) – Brian Wood (roteiro) e Emily Carroll (arte);

Flash – Le prèlude à la mort (The Unexpected) – Selwyn Seyfu Hinds (roteiro), e Denis Cowan (arte), Don Hudson (arte-final) e Dave McCaig (cores);

Escalpo – Indesejado – Parte 3 (Scalped # 41) – Jason Aaron (roteiro), R.M. Guéra (arte) e Giulia Brusco (cores);

Vampiro Americano – A lista negra – Parte 3 (American Vampire # 30) – Scott Snyder (roteiro), Rafael Albuquerque (arte) e Dave McCaig (cores);

Hellblazer – Newcastle Calling (Hellblazer # 245) – Jason Aaron (roteiro), Sean Murphy (arte) e Lee Loughridge (cores).

Preço: R$ 10,90

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Março de 2013

Sinopse

Punk Rock Jesus – Uma produtora de TV decide clonar Jesus, para um reality show sobre a segunda vinda de Cristo. O fato gera inúmeras polêmicas entre religiosos e a comunidade científica, além de envolver personagens como um ex-combatente do IRA e uma médica com preocupações ecológicas na organização do evento.

O inesperado – As últimas três histórias da edição especial da Vertigo.

Escalpo – Dash reencontra seu pai, e Carol vive o desespero de sua gravidez indesejada.

Vampiro Americano – Pearl Jones e Skinner Sweet continuam a caçada a vampiros escondidos entre figurões de Hollywood, enquanto Henry permanece internado.

Hellblazer – Um grupo de jovens resolve contar a história da antiga banda de Constantine, a Membrana Mucosa, em Newcastle. Porém, nem tudo sai como eles previam.

Positivo/Negativo

Uma grande edição da revista Vertigo. Todas as séries estão com histórias bacanas.

A estreia de Punk Rock Jesus é muito interessante, até mesmo surpreendente. Sean Murphy equilibra um roteiro consistente com sua bela arte, aqui em preto e branco, sem cair no lugar-comum de defender ou criticar a religiosidade.

O autor realiza um bom debate religioso, inclusive ao mostrar diversas posições, trocando ideias, protestando, tornando a história muito mais do que uma simples polêmica sobre fé.

Os próprios personagens mostram isso: há o ex-combatente do IRA que é guarda-costas da produção do reality show, e carrega uma grande culpa no passado; a médica que vai realizar a clonagem, que tem no centro de suas preocupações a questão ecológica; a virgem que aceita conceber a segunda vinda de Cristo; o produtor do programa, entre outros. Juntos, eles compõem um mosaico de vidas que geram boas expectativas sobre a continuidade da série. O próprio nascimento do menino traz uma descoberta de grande impacto para a trama, deixando antever uma boa sequência.

Num momento em que o debate religioso está no centro das notícias do Brasil, com a polêmica em torno da Comissão dos Direitos Humanos, a série chega trazendo uma visão até agora despida de preconceitos, mas carregando interessantes debates teológicos: o novo Jesus deve ter traços físicos do Oriente Médio ou olhos azuis, como a imagem construída através dos séculos pelo imaginário ocidental? O Santo Sudário terá sido usado por Cristo? Logo, o clone é mesmo de Jesus?

Por enquanto, não há polêmica apenas para chocar ou provocar – o roteiro é ótimo , e promove um olhar justo sobre religião.

Tomara que Murphy consiga manter essa trama envolvente banhada pela temática religiosa. O único senão da edição nacional está o título: Conceição não está errado como tradução de Conception, mas Concepção possivelmente seria de mais fácil compreensão.

Escalpo também não se exime de uma dose de polêmica – inclusive religiosa (mesmo que esta perspectiva não apareça na história), pois Carol está em xeque: ao mesmo tempo em que quer abortar o seu filho com Dash, há o sentimento de desejar a criança. Há um belo diálogo que exprime este sentimento.

Enquanto isso, Dash é obrigado a retomar o contato com seu pai. A trama de Indesejado cresce neste episódio, deixando um gancho para a conclusão, que promete ser intensa.

Vampiro Americano traz uma possível mudança na vida de Pearl, que não será comentada, para não estragar a leitura. A primeira metade da história de Hellblazer segue um tom jornalístico, com entrevistas sobre a banda, o que monta um clima interessante. Assim, Jason Aaron e Sean Murphy ganham dose dupla na edição, e fazem por merecer!

Finalmente, a conclusão do especial O inesperado. Se no geral não houve grandes novidades nas histórias curtas, esta edição traz uma bela HQ de Brian Wood, ao menos por fugir do clima geral. Uma situação apocalíptica é vista através da perspectiva da relação entre as mulheres de uma família, no decorrer de quase 90 anos. O texto é bonito e a arte de Emily Carroll é delicada, gerando uma trama poética e diferente do que se está acostumado a ver em eventos catastróficos.

Talvez esta seja a mais “inesperada” de todas as histórias, original e que deixa algumas questões misteriosas sobre esse futuro apresentado – não responde todas as perguntas sobre o porvir – e nem precisa, pois o foco não é esse, mas sim a força das mulheres!

Enfim, uma edição que vale muito a leitura, e mantém a Vertigo como uma das principais revistas mix publicadas no Brasil.

Classificação

4,0

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