Vertigo Especial

Por Tiago Pavinato Klein
Data: 2 agosto, 2013

Vertigo Especial - Atire e outras históriasEditora: Panini Comics – Revista mensal

Autores: Atire – Warren Ellis (roteiro), Phil Gimenez e Andy Lanning (arte) e James Sinclair (cores) – Originalmente em Vertigo Ressurrected: Shoot;

O Kapas – Brian Bolland (roteiro e arte) e Matt Hollingsworth (cores) – Originalmente em Vertigo Ressurrected: Shoot;

Língua nativa – Brian Azzarello (roteiro) e Esad Ribic (arte) – Originalmente em Vertigo Ressurrected: Shoot;

Brinquedos Novos – Grant Morrison (roteiro), Frank Quitely (arte) e Matt Hollingsworth (cores) – Originalmente em Vertigo Ressurrected: Shoot;

Nosh, Barry, Eddie, Joe – Garth Ennis (roteiro) e Jim Lee (arte) – Originalmente em Vertigo Ressurrected: Shoot;

Diagnóstico – Steven Seagle (roteiro), Tim Sale (arte) e Lee Loughridge (cores) – Originalmente em Vertigo Ressurrected: Shoot;

O vilarejo – Bill Willingham (roteiro e arte) e Pamela Rambo (cores) – Originalmente em Vertigo Ressurrected: Shoot;

A morte de um romântico – Peter Milligan (roteiro), Eduardo Risso (arte) e Grant Goleash (cores) – Originalmente em Vertigo Ressurrected: Shoot;

Prudência – Bruce Jones (roteiro), Bernie Wrightson e Timothy Bradstreet (arte) e Kevin Somers (cores) – Originalmente em Vertigo Ressurrected: Shoot;

Mate seu namorado – Grant Morrison (roteiro), Philip Bond (arte), D’Israeli (arte-final) e Daniel Vozzo (cores) – Originalmente em Kill your boyfriend;

Caso 21 – Selwyn Hinds (roteiro), Denys Cowan (arte), John Floyd (arte-final) e Chris Peter (cores) – Originalmente em Strange Adventures;

O quarto branco – Talia Hesshewe (roteiro) e Juan Bobillo (arte) – Originalmente em Strange Adventures;

Parceiros – Peter Milligan (roteiro) e Sylvain Savoia (arte e cores) – Originalmente em Strange Adventures;

O passeio do pônei – Lauren Beukes (roteiro), Inaki Miranda (arte) e Eva de La Cruz (cores) – Originalmente em Strange Adventures;

Refugo – Ross Campbell (roteiro e arte) e Lee Loughridge (cores) – Originalmente em Strange Adventures;

O Prometeu pós-moderno – Kevin Colden (roteiro, arte e cores) – Originalmente em Strange Adventures;

Terra dos discos voadores – Paul Cornell (roteiro), Goran Sudzuka (arte) e Chris Peter (cores) – Originalmente em Strange Adventures;

O homem do espaço – Brian Azzarello (roteiro), Eduardo Risso (arte) e Patrícia Mulvihill (cores) – Originalmente em Strange Adventures.

Preço: R$ 19,90

Número de páginas: 232

Data de lançamento: Junho de 2013

Sinopse

Vertigo Ressurrected: Shoot – Edição especial publicada nos Estados Unidos com o objetivo de resgatar histórias que acabaram ficando de fora das revistas para as quais foram produzidas.

A história que dá nome ao volume é a de Hellblazer, em que John Constantine investiga os assassinatos cometidos por e contra estudantes em escolas. A trama ficou “engavetada” muito tempo por ter sido escrita antes do massacre de Columbine e porque seria publicada após a tragédia.

Mate seu namorado – Uma adolescente entediada com a vida e um garoto problemático se unem e começam a dar sentido à vida, numa trilha de sangue, sexo e ideias anarquistas!

Strange adventures – Conjunto de histórias curtas de ficção científica, com grandes nomes dos quadrinhos da atualidade.

Positivo/Negativo

A Panini caprichou no lançamento de Vertigo Especial! Reunindo três edições diferentes publicadas nos Estados Unidos, montou um almanaque com temas variados, muitos autores de qualidade e diversas boas histórias.

E já abre com Vertigo Ressuscitada: Atire, que, além da edição arquivada de Hellblazer, traz outras histórias que acabaram ficando de fora de revistas como Strange Adventures, Flinch e outras.

Evidentemente, o grande destaque é a investigação de John Constantine sobre os assassinatos cometidos em escolas norte-americanas, e que foi escrita pouco antes do massacre de Columbine.

O roteiro de Warren Ellis é arrebatador, com uma conclusão muito forte sobre a desesperança da juventude. É um retrato bastante pessimista de como a sociedade forma os jovens, e como eles se inserem em uma época moderna (ou pós-moderna) de poucos sentidos altruístas para a vida.

Em uma primeira leitura, o final traz aquele sentimento de “tá, e daí?”, mas é preciso uma compreensão da proposta de uma juventude sem sentido, de um caráter suicida, no qual vida e morte têm significados próximos.

Outra história que merece destaque é a que mostra o amor de uma jovem por um escritor falecido, que Peter Milligan e Eduardo Risso apresentam em A morte de um romântico. Jogando com a imagem edificada e imaginada de um autor versus a realidade da vida dele, é um conto de amor diferente e interessante.

A segunda edição que compõe a revista é Mate seu namorado, que já havia sido publicada no Brasil com o título Como matar seu namorado, pela Tudo em Quadrinhos, em 1999.

É uma história anárquica, de crítica social e construída com muito humor, trazendo um tipo de histórias que Vertigo não tem mais publicado, que incluiria obras como Os invisíveis (do próprio Morrison) ou Transmetropolitan (de Ellis).

De certa maneira, dialoga com a crise de esperança da juventude que aparece também em Atire. Aqui, porém, o tratamento é mais revolucionário, com um casal de namorados que cai na estrada em meio a assassinatos, grupos radicais, liberação sexual, ideias punks e anarquistas.

Os diálogos são excelentes, o ritmo é alucinante e Grant Morrison monta um thriller de ação contínua, com uma interessante construção de personagens – propositalmente caricaturais e artificiais em muitos momentos, e com algumas cenas construídas num tom farsesco e teatral.

O “grupo de artistas anarquistas de vanguarda” reflete muito sobre o papel do discurso (da arte, dos intelectuais), quando ele é desconectado da vida e da prática real, ou quando é ligado apenas ao prazer individual sem a construção social coletiva.

Strange Adventures também navega entre ótimas histórias e outras nem tanto. Como destaques, novamente Peter Milligan. Se em A morte de um romântico ele joga com uma a ideia de uma relação ausente – agora, usa um amigo imaginário. E é uma leitura que joga no limite do que é o real e o imaginário.

O multialien, de Jeff Lemire, é instigante e brinca com o surgimento de um possível super-herói – o típico acidente que cria superseres aqui dá vida a um ser… multi! O autor mostra por que é um dos grandes autores da Vertigo e da DC na atualidade.

Este especial é leitura quase obrigatória pelas duas histórias maiores da edição, Atire e Mate seu namorado, que ganham certa atualidade com o momento de protestos pelo qual o Brasil está passando em 2013. É bacana fazer esse contraponto com a realidade vivida.

A edição da Panini é convidativa, especialmente pelo preço bacana e por ter tantas páginas. Sim, há uma irregularidade, ocasionada pela grande variedade de temas e estilos, mas não invalida a proposta do especial. Quem sabe um volume anual nesses moldes não entra no cronograma da editora?

Classificação

3,5

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