Vilania eterna # 2

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 15 agosto, 2014

Vilania eterna # 2Editora: Panini Comics – Minissérie em sete edições

AutoresVilania Eterna – Livro Dois – Ratos (Forever Evil # 2) – Geoff Johns (roteiro), David Finch (desenhos), Richard Friend (arte-final) e Sonia Oback (cores);

De volta para casa (Forever Evil – Rogues Rebellion # 1) – Brian Buccellato (roteiro), Patrick Zircher e Scott Hepburn (arte) e Nick Filardi (cores);

A.R.G.U.S. – Parte 1 – Problema de confiança (Forever Evil – ARGUS # 1) – Sterling Gates (roteiro), Philip Tan, Neil Edwards e Javier Piña (desenhos), Jason Paz, Jay Leinstein, e Javier Piña (arte-final) e Nathan Eyring, Romulo Fajardo, Jr. e Hi-Fi (cores).

Preço: R$ 7,50

Número de páginas: 72

Data de lançamento: Julho de 2014

Sinopse

Vilania eterna – A Terra foi conquistada pelo Sindicato do Crime e, na ausência de heróis, Lex Luthor busca os frutos de uma antiga experiência na luta pela liberdade.

Galeria de vilões – Os mais tradicionais inimigos do Flash decidiram não se unir ao Sindicato, e agora devem enfrentar as consequências de seus atos.

A.R.G.U.S. – Uma poderosa agência governamental para contatos meta-humanos lida com o planeta dominado.

Positivo/Negativo

Vilania eterna melhorou em relação ao número de estreia, mas é muito pouco e está longe de justificar o investimento.

A vantagem desta segunda edição está na presença dos tie-ins, as séries interligadas à história principal, assinadas por artistas distintos. Geoff Johns é um roteirista acima da média, mas é cansativo acompanhá-lo sozinho ditando os rumos de todo o Universo DC, tendência que já vem de vários anos.

Assim, é um sopro refrescante ver Brian Buccellato conduzindo a Galeria de Vilões, e o talentoso Sterling Gates à frente do experimento A.R.G.U.S., a trama de conspiração governamental que dá uma sacudida na mesmice do planeta conquistado.

Mas as atenções estão voltadas mesmo para o trabalho de Johns em parceria com David Finch, os astros de Vilania eterna. E é justamente aí que a saga não engrena.

O objetivo dos autores está claro: ressaltar a importância dos vilões da DC Comics num mundo sem heróis, e apontar Lex Luthor como protagonista relutante.

Em teoria, é mesmo louvável, mas não funciona. Johns parece cansado de tantas megassagas e conduz o texto de forma burocrática, com cenas “bombásticas” que já não impressionam mais.

Além disso, repete os erros da série anterior, Ponto de ignição. Acontecimentos que se sucedem de forma morosa, um momento de impacto atrás do outro, com pouco espaço para o desenvolvimento da narrativa.

O próprio Sindicato do Crime soa meio apagado, longe do brilho que já teve pelas mãos de Grant Morrison. É pena que a DC não invista em novos talentos e continue confiando apenas em Johns nesses grandes eventos, pois é de diversidade que se faz um universo ficcional partilhado.

Por sorte, as tramas de abertura da Galeria de Vilões e A.R.G.U.S. fazem a diferença.

A Galeria recebeu bastante destaque na série mensal do Flash, anos atrás, na fase escrita pelo próprio Johns. São antagonistas de personalidades fortes e poderes diferenciados, que ganham muito como centro das atenções. Brian Buccellato não é um escritor brilhante, mas tem competência para uma olhada diferente sobre os vilões. Nada muito rebuscado, apenas bom o suficiente para garantir o interesse do leitor.

Já em A.R.G.U.S., Sterling Gates fecha algumas pontas soltas da cronologia do Universo DC pós-reboot, imprimindo um senso de coesão necessário e desejável para seu presente. Tudo interligado desde o surgimento da Liga da Justiça, na revista que abriu a era dos Novos 52.

Em tempos mais cínicos e realistas, é óbvio que o governo não ficaria parado diante de um festival de superseres. Na tradição de títulos como Esquadrão Suicida e Xeque-Mate, Gates acerta em cheio.

Resta a questão dos ilustradores de Vilania eterna, e mais uma vez as escolhas da DC não se mostram muito certeiras. David Finch tem um estilo que combina bem com tramas de super-heróis, mas sem o vigor e a beleza do traço de um George Pérez, Andy Kubert ou Ivan Reis. Ele até tem seus fãs devotados, mas a saga que se propõe a ser a mais importante da editora desde 2011 merecia traços melhores.

Da mesma forma, Patrick Zircher e Philip Tan, nos tie-ins, revelam-se apenas satisfatórios, sem muito brilho.

No geral, a saga fica valendo apenas para os fanáticos pela cronologia da “Editora das Lendas” e, mesmo para eles, pode decepcionar.

Classificação

2,5

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