Vírus tropical

Por Renato Félix
Data: 27 novembro, 2015

Vírus tropicalEditora: Nemo – Edição especial

Autora: Power Paola (roteiro e desenhos) – Originalmente em Virus Tropical (2011). Tradução de Nicolás Llano Linares e Marcela Vieira.

Preço: R$ 39,90

Número de páginas: 160

Data de lançamento: agosto de 2015

Sinopse

Nascida de um pai sacerdote e uma mãe que lê o futuro em dominós, a jovem Paola cresce e amadurece convivendo com sua família peculiar.

Positivo/Negativo

A quadrinhista equatoriana Power Paola conta a história de sua infância e juventude em Vírus Tropical. O título remete a ela mesma: a mãe já tinha ligado as trompas e os médicos consultados simplesmente negavam a hipótese improvável da gravidez, dando os diagnósticos mais estapafúrdios – um deles, o de que a mulher teria sido infectada com um vírus tropical.

Embora a autora tenha nascido em Quito, a família é de origem colombiana. E a ambientação é um dos pontos fortes da HQ, o relato cotidiano de uma cultura pouco conhecida por aqui. Ela emoldura dramas com os quais é fácil se identificar, envolvendo religiosidade, conflitos familiares, a vida cercada de mulheres, rebeldia e a busca por identidade e independência.

Paola é direta e crua no que conta. Sua narrativa não tem grandes construções dramáticas, cômicas ou de suspense. São apresentadas “na lata”, com situações inteiras às vezes resumidas em um quadro e um recordatório.

Ao mesmo tempo, a autora não ameniza no conteúdo. O primeiro quadro já é uma cena de sexo de página inteira entre o pai e a mãe dela. A maneira como a perda de sua virgindade é mostrada também não tem a menor glamourização.

São capítulos curtos, contados em forma cronológica. Os desenhos lembram muito a arte naif, sem preocupação com rigores de proporção ou perspectiva. A página de abertura de cada capítulo, no entanto, tem uma elaboração particular, remetendo, em seus melhores momentos, à arte pré-colombiana.

Em preto e branco, o álbum tem o formato 17 x 24,5 cm, com orelhas. A capa não mostra o nome da autora e nem mesmo o da editora. Com um conteúdo tão autobiográfico, é bastante curiosa esta opção de “não assinar”, a princípio, a HQ.

Mas só aí, porque Paola consegue, dentro desse estilo narrativo que parece limitado, transmitir que esta é uma história muito sua, e deixa transparecer certa ternura pelas pessoas que fizeram parte de sua tumultuada história – que vai virar animação em 2016.

Classificação

4,0

.

Compre Vírus tropical aqui!

.

• Outros artigos escritos por

.

.

.