Vizinhos

Por Milena Azevedo
Data: 13 dezembro, 2013

VizinhosEditora: Cachalote – Edição especial

Autor: Laerte (roteiro e arte).

Preço: R$ 22,00

Número de páginas: 24

Data de lançamento: Junho de 2013

Sinopse

Laerte narra o embate silencioso entre um flanelinha e um homem da classe média, numa luta por espaço social.

Positivo/Negativo

Um dos mestres da nona arte brasileira precisa provar mais alguma coisa a alguém?

Claro que a pergunta é retórica, mas em se tratando de Laerte Coutinho, a resposta nem sempre é tão previsível.

Laerte confessou, em algumas entrevistas, que vinha se repetindo e aquilo o perturbava. Talvez precisando provar a si mesmo que podia se reinventar, aceitou o desafio proposto pelo filho Rafael Coutinho, de criar uma narrativa mais longa, saindo da zona de conforto das tiras e histórias curtas.

Quem ganhou foram os leitores, porque, em Vizinhos, que integra a coleção 1000, do selo Cachalote, Laerte desenvolveu uma trama urbana bastante atual, questionando até onde o ser humano pode ir (ou regredir) na disputa por seu território.

A figura do flanelinha já faz parte da paisagem urbana. E o número de flanelinhas vem crescendo justamente porque a classe média está comprando veículos automotores como se fosse água, comprometendo o espaço e deixando as ruas mais suscetíveis a quem visa se apropriar ilicitamente dos bens do próximo.

Assim, o flanelinha aparece como uma espécie de “herói troncho”, um mal necessário para a segurança dos carros estacionados.

No entanto, não é todo mundo que “remunera” o flanelinha pelo serviço prestado, “forçando-o” a se inserir no contexto da malandragem para sobreviver.

Na labuta por seus trocados diários, o flanelinha acha vaga até no céu para o “cliente” estacionar. E aí mora o perigo, pois o choque entre espaços públicos e privados se desencadeia.

Partindo dessa disputa entre os espaços urbanos, Laerte coloca em xeque um membro da classe média e um flanelinha. Eles protagonizam uma guerra tão esdrúxula, que acaba se tornando um delírio buñuelesco na mente do primeiro.

E, na queda de braço entre as classes sociais, ironicamente vingará a velha máxima de “os incomodados que se retirem”.

O único senão aqui vai para o aspecto um tanto quanto sujo que Laerte empregou em alguns dos quadros, deixando aparente o traçado do lápis esboçado e não arte-finalizado.

Classificação

4,5

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