Antes de Watchmen – Volume 3 – Rorschach

Por Audaci Junior
Data: 13 setembro, 2013

Antes de Watchmen – Volume 3 – RorschachEditora: Panini Comics – Maxissérie mensal

Autores: Rorschach – Brian Azzarello (roteiro), Lee Bermejo (desenhos) e Barbara Ciardo (cores) – Originalmente em Before Watchmen – Rorschach # 1 a # 4;

A condenação do Corsário Carmesim – Len Wein (roteiro) e John Higgins (desenhos) – Originalmente em Before Watchmen – Comedian # 2, Nite Owl # 2, Ozymandias # 2, Rorschach # 1, Dr. Manhattan # 1.

Preço: R$ 12,90

Número de páginas: 104

Data de lançamento: Julho de 2013

Sinopse

Rorschach – Ele não tem mais amigos. Não tem mais esperança. E não tem mais medo de nada. Solto na condenada cidade de Nova York, o vigilante mascarado Rorschach acredita ser o maior dos predadores a espreitar nas sombras.

Mas ele está prestes a descobrir que, quando a escuridão total cai na maior metrópole do mundo, até mesmo sua lendária brutalidade não se compara ao que se esconde dentro de cada um de nós.

O demônio à deriva – Parte 3 e O mal que fazem os homens… – Parte 1 – A bordo do Holandês Voador, o condenado oficial júnior da marinha real inglesa tem uma saída para salvar a sua alma das mãos do Corsário Carmesim: trazer três itens que ninguém teve coragem de conseguir.

Positivo/Negativo

Rorschach é um dos grandes personagens de Alan Moore e Dave Gibbons. Sua psicologia e ideologia da guerrilha urbana poderiam render boas tramas, mesmo que isoladas da obra original.

Da mente de Brian Azzarello já saíram grandes séries urbanas – com 100 Balas no topo. Sendo escalado para assumir a minissérie Antes de Watchmen do vigilante ao lado do desenhista Lee Bermejo, a expectativa do resultado ficou alta.

Infelizmente, o resultado é tão desastroso quanto definir uma figura no Teste de Rorschach.

O escritor se centra em 1977, quando Walter Kovacs já não faz dupla com o Coruja e enxerga as mazelas da humanidade mais nitidamente, tornando-se mais amargo, solitário e implacável com os criminosos.

Na sua batalha para limpar a sujeira de Nova York, Rorschach cruza com um traficante, cafetão e ex-militar chamado sem nenhuma inventividade de Carne Viva. Um vilão sem graça, parecido com muitos outros arremedos de gângsteres com frases de efeito.

Em paralelo, a polícia nova-iorquina está no encalço de um assassino em série de mulheres, que entalha frases pelo corpo antes de desovar os cadáveres.

O maior problema não é a simplicidade do “recorte” da vida do personagem. Fora o protagonista, Azzarello não consegue desenvolver os coadjuvantes, muito menos amarrar as tramas.

O misterioso assassino se mostra deslocado na trama, principalmente porque Rorschach parece ter mais interesse em eliminar o desfigurado traficante. A revelação da identidade do serial killer é tão irritante quanto o seu destino, como em um genérico filme de suspense B.

Da obra original são herdados alguns lugares, como o restaurante Gunga Diner, a narrativa baseada nos diários do protagonista (que começa datilografado e termina manuscrito) e o seu modus operandi de quebrar dedos alheios.

Muitas passagens da trama soam forçadas, incluindo as homenagens que Azzarello quer fazer à “Grande Maçã”. Um atordoado Rorschach entraria em um táxi para se livrar dos capangas do seu algoz?

O artifício serve para o vigilante bater um papo com um personagem com um senso de justiça bastante parecido com ele no cinema: o Travis “Você está falando comigo?” Bickle, encarnado por Robert De Niro no clássico Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese.

No piloto automático, Azzarello tenta tornar Nova York uma personagem “que mostra sua verdadeira face” na trama, mas não consegue. Êxito maior teve o então genial Frank Miller com a sua Gotham City em Batman – Ano Um.

O destaque fica para o clima noir da arte detalhista e hiper-realista de Bermejo, que repete a parceria com o escritor nos mais acertados Coringa e o crossover Batman/Deathblow (ambos lançados pela Panini).

No final, Rorschach não acrescenta em nada ao projeto de mostrar novas visões do mundo de Watchmen, parecendo mais uma piada sem graça no tempo em que ainda existia o Comediante (também coube a Azzarello a tarefa de interpretá-lo no projeto, junto com o artista J.G. Jones).

Por fim, A condenação do Corsário Carmesim se arrasta, mesmo dando ao protagonista um desafio para escapar da condenação.

Uma “homenagem” aos Contos do Cargueiro Negro presente em Watchmen, a história está disponível na íntegra (em inglês) no site da DC Comics.

Originalmente publicada de duas em duas páginas ao longo das edições do projeto, as últimas presentes neste encadernado não tem mais o roteiro de Len Wein, que abandonou a HQ por desentendimento criativo com John Higgins, que passou a acumular a função.

Mesmo assim, não muda em nada o tom verborrágico da história e continua uma passagem desnecessária do projeto.

Classificação

2,0

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