WE3 – INSTINTO DE SOBREVIVÊNCIA

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2006

Título: WE3 – INSTINTO DE SOBREVIVÊNCIA (Panini
Comics
) – Edição Especial
Autores: Grant Morrison (roteiro) e Frank Quitely (desenhos).

Preço: R$ 18,90

Número de páginas: 112

Data de lançamento: Janeiro de 2006

Sinopse: Três animais foram treinados pelo governo e equipados com avançados exoesqueletos para se tornarem as mais mortíferas armas já produzidas: inteligentes, obedientes e – acima de tudo – letais.

No entanto, dentro das armaduras estão três amedrontados bichos de estimação, cujo instinto de sobrevivência pode se sobrepor aos desmandos de seus criadores.

Positivo/Negativo: A premissa pode parecer meio bizarra, o preço é alto, mas esta revista vale a pena. Ela é tudo que falaram e mais um pouco. Pode restar um certo receio na hora de comprar, já que o último material de Morrison no Brasil foi Novos X-Men, que teve seus altos de baixos, mas nem isso deve impedi-lo de ler esta fantástica história.

É impressionante o tanto que se pode falar dessa obra que, com certeza, pode entrar em uma lista de novos clássicos. Mas vale ressaltar alguns pontos que, de cara, podem não ser tão óbvios.

Primeiro, o jogo de linguagem que infelizmente se perde na tradução do título. O nome do projeto, WE3 vem de Weapon3 (Arma Três), mas é também a principal fala do vocabulário rudimentar dos três animais, já que We3 significa “Nós três”.

É uma pena que esse efeito tenha se perdido, era algo que mereceria uma nota do tradutor. Mas as barreiras verbais se encerram ai, até porque a história é bem silenciosa, apenas com as falas necessárias.

Aliás, nisso há uma grande sacada do autor: não ter nenhuma fala de narração. Em momento algum são usados recordatórios. Obviamente, existe um narrador, pois é pelos olhos dele que o leitor assiste à história, mas ele não precisa falar nada, apenas mostrar.

Esse poder de síntese no texto, essa comunicação não verbal, só funciona executada por um desenhista de alto nível, que consiga produzir uma narrativa que não seja só o enquadramento de uma câmera, alguém que possa demonstrar a passagem de tempo entre os quadros e as emoções envolvidas, que tornam esse tempo muito subjetivo.

E este é um dos grandes trunfos de Quitely. A estrutura visual, os layouts de página que se adaptam a cada situação, o impacto das cenas e outros elementos visuais acrescidos tornam as imagens auto-suficientes, ao ponto de que nada mais precisa ser dito.

Claro que Quitely é mais que um bom narrador; é um desenhista surpreendente, com um nível de detalhes absurdo. Outra particularidade que o faz merecedor do prêmio Eisner é uma certa frieza, uma crueldade inexplicável que seu traço possui. Isso casou perfeitamente com a obra, transmitindo emoções que muitos não imaginariam possíveis.

Um bom exemplo está na página 23, com os ratos e o sorriso do cientista entre as cenas. Note a carga de sensações envolvidas nessas imagens.

A trama que conduz a história é simples, mas muito bem resolvida. Morrison conta um evento chocante, com muita ação e um final digno, que não deixa aberturas para continuações ou tentativas posteriores, que geralmente só conduzem a desastres.

Há muito mais para discutir sobre este trabalho, mas não vale a pena tentar verbalizar o que os autores criaram visualmente. Em resumo, WE3 é um exemplo de como uma história em quadrinhos deve ser contada.

 

Classificação:

4,0

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