Wimbledon Green

Por Paulo H. Cecconi
Data: 28 novembro, 2014

Wimbledon GreenEditora: A Bolha – Edição especial

Autor: Seth (roteiro e arte).

Preço: R$ 65,00

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Junho de 2014

Sinopse

O mistério por trás dos hábitos e da coleção de quadrinhos de um excêntrico colecionador.

Positivo/Negativo

A introdução de Wimbledon Green é escrita pelo próprio autor, Seth (pseudônimo de Gregory Gallant), que menciona que a obra não é tão boa quanto gostaria que fosse, que os desenhos são ruins, composições pobres, enfim…

No entanto, ele admite um grande apreço pelo que criou. Seja autoexigência exacerbada ou vaidade disfarçada, o fato é que Wimbledon Green é uma HQ divertidíssima.

O mundo de Green é habitado por colecionadores competitivos, predatórios, aqueles que enchem o meio com brigas mesquinhas e especulação, prática, inclusive, que já chegou muito perto de arruinar o mercado de quadrinhos na vida real.

O leitor conhece o protagonista, o autodeclarado maior colecionador de quadrinhos do mundo, e sua realidade, majoritariamente por meio de depoimentos de pessoas do meio, incluindo donos de lojas, negociantes e outros colecionadores.

Esse aspecto de documentário ajuda a manter o ar de incerteza por trás da identidade de Green, mistério que permeia este “Zelig” dos quadrinhos por quase todo o livro.

O gibi tem força tanto na sátira que faz em relação ao ato de colecionar, quanto no sentimento de apego com o que se coleciona. As idiossincrasias do hábito estão ali para que, talvez, o leitor tenha a oportunidade de ver de fora o quão ridículo possa ser certas vezes.

Não é incomum as batalhas intelectuais travadas por colecionadores, o esbanjamento na hora de comprar, a quantidade que se tem em casa, o orgulho da aquisição de um item em estado impecável.

Lançado no Brasil pela A Bolha, a edição ganhou um tratamento refinado e elegante, em capa dura e material especial.

Wimbledon Green é tanto reflexivo quanto divertido. As influências declaradas de artistas como Chris Ware e Daniel Clowes são evidentes, especialmente pelo fato de o álbum dividir equilibradamente os tons de humor e melancolia.

Classificação

3,5

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