WOLVERINE # 39

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2008


Autores: Wolverine – Origens– Daniel Way (roteiro) e Steve
Dillon (arte);

Cable & Deadpool – Fabian Nicieza (roteiro) e Reilly Brown (desenhos);

X-Factor – Peter David (roteiro) e Pablo Ramondi (arte).

Preço: R$ 6,90

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Fevereiro de 2008

Sinopse: Wolverine – Origens– A busca pelo sintetizador
de carbonádio leva Logan até a Viúva Negra, que se lembra de como ele
a ajudou quando ela era apenas uma criança. E ainda: após Logan deter
o Ômega Vermelho, encontra Jubileu gravemente ferida.

Cable & Deadpool – Uma explosão abala Providência e, ao caçar os
culpados, Cable se verá traído por velhos amigos.

X-Factor – Depois dos eventos traumáticos passados pela equipe,
Jamie Madrox força todos a fazer uma sessão de terapia para tentarem colocar
a cabeça no lugar.

Positivo/Negativo: Talvez seja um teste, algo para ver até onde
a paciência de um fã agüenta. Ou pode ser que até exista um propósito
maior por trás de todas essas histórias, uma piada justificada por uma
grande teoria de como os editores estão questionando a indústria dos quadrinhos.
Podem criar milhares de justificativas, especular quanto for, mas o fato
é que o trabalho de Daniel Way em Wolverine – Origens é chatíssimo.

Uma das estratégias da indústria dos super-heróis é provocar o leitor
com promessas de revelações bombásticas que são verdadeiros engodos. Wolverine
– Origens
é um grande exemplo disso.

Logan recuperou toda a sua memória como conseqüência da Dinastia M
e esse novo título prometia mostrar a verdade que ele finalmente descobriu.
Assim, os leitores compram a revista com a expectativa de grandes descobertas
e acabam, novamente, caindo nesse golpe.

Nem é preciso dizer que Daniel Way é péssimo roteirista, não sabe dar
ritmo, criar um bom suspense ou mesmo contar uma história interessante.
Desde que a série começou, é fácil perceber isso.

Sobre a trama, o leitor descobre que mais um personagem da Marvel
tem sua origem ligada a Logan. Dessa vez é a Viúva Negra que aprendeu
a lutar com Wolverine, quando ainda era uma criança. Do jeito que anda
a série, não se espante se descobrir que o mutante ensinou
o Capitão América a atirar seu escudo, que cortou as placas de metal para
a primeira armadura do Homem de Ferro e comprou o primeiro kit de laboratório
para Reed Richards…

No geral, é isso que a série tem sido: muitos retcons (fatos inseridos
retroativamente na continuidade) de outros personagens, toda hora é dito
que há um grande segredo que nunca é revelado e, eventualmente, em um
último quadro da última página, joga-se uma isca para o leitor continuar
comprando. Nesta edição, por exemplo, no final, enfim o filho de Wolverine
faz uma aparição.

Além disso, a cada edição o desenho de Steve Dillon fica mais cansativo.
O traço é estático e repetitivo. Tirando detalhes como uniforme, cabelo
e bigode, todos os personagens são muito parecidos.

Para piorar o mix, Cable & Deadpool é um título sem propósito.
Primeiro Cable cria um país, depois conquista outro, agora tem que investigar
um suposto ataque terrorista. No meio dessa trama, Deadpool tenta fazer
comédia, algo que simplesmente não faz sentido.

Ao menos o desenho é mediano e o ritmo da trama é ágil. Por isso, apesar
de ser ruim, a revista não irrita.

Salvando o mix, há uma boa história de X-Factor. Usando a estratégia
de fazer todos os personagens passarem por um terapeuta e reverem os últimos
eventos, Peter David cria um panorama geral da sua trama no título. Ele
faz uma espécie de recapitulação para preparar o próximo arco, mas não
é algo chato ou repetitivo, pois ele usa o enfoque diferente da visão
de cada herói.

A única coisa sem propósito na trama é ocultar quem é o terapeuta. Se
no final se revelasse que era uma cópia do Madrox que se formou em psicologia,
seria interessante, mas, para cair na solução mais trivial, que é Leonard
Samson, aparentemente o único psiquiatra da Marvel, não precisava
de todo o mistério.

Agora, como se o mix não fosse ruim o suficiente sozinho, a edição nacional
deixou escapar uns errinhos: na página 10, Logan diz que “era uma página”,
para fazer sentido a expressão seria “página em branco”; e na 91, Rahne
fala que o “raciocínio (dela) melhor”, o correto seria “melhora”.

Classificação:

4,0

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