Wolverine – O velho Logan

Por Rodrigo Scama
Data: 23 fevereiro, 2015

Wolverine – O velho LoganEditora: Salvat – Edição especial

Autores: Mark Millar (roteiro) e Steven McNiven (arte) – Originalmente em Wolverine # 66 a # 72 e Wolverine – Giant-Size Old Man Logan.

Preço: R$ 32,90

Número de páginas: 240

Data de lançamento: Setembro de 2014

Sinopse

Cinquenta anos no futuro, os super-heróis perderam a batalha contra os vilões e os Estados Unidos são divididos em feudos. É quando um velho e aposentado Wolverine é levado a voltar à ativa.

Positivo/Negativo

Esta é uma das melhores aventuras do Wolverine, e saiu por aqui na revista do herói, pela Panini, a partir do número 57, em agosto de 2009. No mesmo nível de Arma X, tão violento quanto a série feita por Chris Claremont e Frank Miller e tão instigante quanto Origem. Mark Millar vai ao extremo com o personagem, mostrando um Logan acabado, uma sombra de outrora.

De cara, já se sabe que os vilões ganharam. Os heróis estão mortos ou sumiram. Não existe mais Homem-Aranha, Vingadores ou Quarteto Fantástico. E, pior do que isso: os Estados Unidos forem dividido em “feudos” nos 50 anos que se passaram entre o declínio dos mocinhos e esta aventura.

Como tragédia pouca é bobagem, um dos mais poderosos heróis virou a casaca e domina com mão de ferro boa parte do oeste estadunidense, justamente onde Logan mora com sua esposa e dois filhos.

E é por causa deles e de um grande trauma, que se revelará ao longo da aventura, que o mutante canadense jurou nunca mais usar suas garras. E realmente cumpre o prometido.

A situação muda quando Logan atrasa o pagamento de um “tributo” e precisa rapidamente fazer dinheiro, para evitar que seus filhos e esposa sofram. É quando aparece Clint Barton, agora um velho cego, com a proposta de levar uma carga misteriosa da parte Oeste para a parte Leste.

Mesmo contrariado, Wolverine é levado a aceitar, pois é a única saída para arrecadar os trocados necessários para salvar sua família.

Começa, então, um grande road comic, no melhor estilo do velho e bom Mad Max. O cenário desolado, a agonia da sociedade e a desesperança estão aqui, da mesma forma que aparecem no filme que catapultou Mel Gibson para o estrelato. Há também uma ótima comparação entre o papel de Wolverine e o Clint Eastwood de Os Imperdoáveis.

A história vai ficando cada vez mais densa, pesada e agressiva. E a pior violência não é a física, mas a psicológica. O motivo pelo qual Logan não usa mais as garras, a forma como os vilões venceram e as mortes que ocorrem durante a jornada dos heróis são escritas com uma crueza que impressiona.

Millar não deixa pedra sobre pedra, e faz o leitor ser cada vez mais absorvido pela trama. Talvez seja a história mais violenta de Wolverine. E é praticamente impossível parar de ler.

O autor vai fundo nos personagens, mostrando o que aconteceu com cada herói, suas falhas e seus destinos. E não há momentos de redenção. Aliás, não há redenção alguma. A história só vai piorando e piorando.

Os desenhos de Steve McNiven são um espetáculo. O artista realmente se inspira no cinema. Os closes utilizados nas câmeras estão lá, bem como as panorâmicas e a sensação de estar acompanhando a aventura não na TV de casa, mas sim na sala escura do cinema.

Além disso, a história é coalhada de referências visuais que os antigos fãs da Marvel vão adorar. Apenas para ficar em uma, o carro utilizado nesta empreitada é o infame Aranhamóvel.

A única coisa que incomoda é o desfecho óbvio demais para a luta final. Não que seja ruim, mas Millar poderia ter encontrado outra forma de encerrá-la.

Ainda assim, vale cada centavo. Como extras, alguns sketches de McNiven que comparam a concepção visual original da história com o que realmente foi feito. E aí pode-se perceber como muito da crueza da história reside nos desenhos, e não apenas no roteiro. Também há uma entrevista de Millar acerca da obra e as capas das edições individuais norte-americanas.

Classificação

4,5

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  • Anderson Rodrigues

    Logan já parece visualmente com o clint, serio na ultima parte ele usa até mesmo uma roupa igual a do clint em os imperdoáveis, pareceu muito uma versão com heróis de os imperdoáveis, mas ainda assim é muito boa.