X-MEN # 30

Por Luciano Guerson André
Data: 1 dezembro, 2004


Título: Título: X-MEN # 30 (Panini Comics) – Revista mensal

Autores: Novos X-Men – Grant Morrison (roteiro) e Frank Quitely (desenhos);

Fabulosos X-Men – Chuck Austen (roteiro)e Kia Asamya;

Tropa Alfa – Chuck Austen (roteiro)e Pop Mhan (desenhos);

Wolverine – Frank Tieri (roteiro) e Sean Chen (desenhos).

Preço: R$ 6,50

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Junho de 2004

Sinopse: Acabou a rebelião no Instituto Xavier. Agora os Novos X-Men têm que lidar com as conseqüências do conflito: é hora de chorar os mortos, punir os culpados e reavaliar posturas.

O conflito entre os Fabulosos X-Men e os lobisomens de Máximus Lobo chega ao seu desfecho. Arcanjo e Escalpo estão no limiar de suas forças e apenas a chegada do resto da equipe pode salvar suas vidas. É a conclusão do arco Espécie Dominante.

A Tropa Alfa faz uma participação especial nesta edição: um cientista do Departamento H tenta assassinar James Hudson, o Guardião. O maníaco é obcecado por Heather, a esposa de James e, mesmo sem ser correspondido, decide se livrar de todos que julga estarem entre ele e sua amada.

Infelizmente, essa lista inclui o bebê que está sendo gerado por Heather. Para salvar sua família o Guardião deverá sobrepujar o mais terrível dos inimigos: a morte.

Wolverine tinha um pacto de honra com o chefão novato Freddo Pazzo: eliminar o concorrente Romano em troca das vidas de um amigo e sua filha. Neste número de X-Men, ele terá chance de cumprir sua parte, já que ficará cara a cara com o gângster… e seus leões.

O que Logan não sabe é que Pazzo também precisa de seus serviços para matar uma inocente, e que fará de tudo para garantir a colaboração do baixinho.

Positivo/Negativo: A história dos Novos X-Men conclui o arco Rebelião no Instituto Xavier, mostrando as conseqüências da rebelião dos estudantes. Apesar do desfecho do conflito mostrado no último número ter sido um pouco anticlimático, neste, Morrison faz um bom trabalho e apresenta uma história de transição eficiente, que prepara o caminho para os próximos enredos.

Com este arco, o escocês mostra mais uma vez que sabe explorar os conceitos fundamentais da equipe mutante. É mostrado como a divergência teve efeitos profundos sobre Xavier, conforme explicitado pela decisão que ele comunica aos alunos. O fundador dos X-Men sempre pensou que seu sonho de convivência pacífica era compartilhado por seus pupilos.

A revolta dos alunos, sob muitos aspectos, foi algo mais desafiador do que os tradicionais vilões de plantão, pois sem adeptos o sonho do Professor X está fadado a ruir.

Não importa que os X-Men “tradicionais” tenham imposto a ordem no instituto, a batalha que realmente importa está longe de ser vencida: a tolerância não pode ser impingida, mas sim ensinada, especialmente pelo exemplo.

O que a história mostra é que o caminho correto quase nunca é o mais popular ou o mais fácil. A grande virtude dos X-Men é continuar a buscar a realização do sonho de paz sem forçar sua visão de mundo. Pois uma ideologia que é imposta não tem valor, e com o passar do tempo fatalmente sucumbirá.

Destaque ainda para as pistas lançadas a respeito de um inimigo oculto entre os mutantes e, é claro, para o bombástico gancho para a próxima edição, envolvendo o triângulo Jean Grey, Ciclope e Emma Frost.

Como de costume, Frank Quitely dá um show à parte nos desenhos. Com seu traço limpo, com evidente influência da escola franco-belga, o artista tem se firmado como um dos expoentes desta geração de ilustradores, junto a Bryan Hitch (Ultimates) e John Cassaday (Planetary e Astonishing. X-Men).

É uma pena que, por conta de tal virtuosismo, Quitely produza relativamente poucas páginas por mês e os leitores tenham de se contentar com substitutos menos capazes. Mas este é um preço mais do que justo a se pagar, considerando-se a qualidade ímpar de seu trabalho.

Em Fabulosos X-Men também ocorre a conclusão de um arco de aventuras. A trama criada por Chuck Austen em Espécie Dominante deixou muito a desejar. Como comentado na resenha da edição anterior, o trabalho do escritor no título tem se caracterizado por uma série de defeitos que comprometem o resultado final.

Sobressai negativamente o fato de que Austen é um escritor excessivamente verborrágico, utilizando-se de uma profusão tal de diálogos e textos recordatórios que comprometem o andamento da trama.

Neste número, mesmo as cenas de ação estão cheias de ponderações do Anjo, que vão desde seus relacionamentos amorosos fracassados à existência de Deus e ao conflito moralidade versus determinismo Darwiniano.

Essa salada filosófica até poderia render algumas reflexões interessantes se fosse bem explorada. Não é o caso. Austen se perde na narrativa e não consegue desenvolver bem as premissas que apresenta. O resultado é um amontoado de obviedades, psicologia de botequim e bobagens pseudo-intelectuais.

Junte-se a isso a descaracterização dos protagonistas (que sem nenhuma explicação ganharam personalidades diferentes das que o público reconhece); vilões fracos e uma trama previsível, e temos uma receita certa para o fracasso. Infelizmente, o baixo nível se manterá nas próximas aventuras criadas por ele para os heróis mutantes.

A arte de Kia Asamya também não ajuda. Embora o desenhista seja de importância incontestável para os mangás, seu traço estilizado não casou muito bem com os personagens. Causa estranheza ver suas figuras de olhos e narizes hiperdimensionados.

Há uma presença inusitada nesta edição: uma história solo da Tropa Alfa, retirada da revista X-Men Unlimited. Infelizmente, trata-se de um tapa-buraco dos mais sem-vergonha, ainda por cima escrito pelo mesmo Chuck Austen de “Fabulosos“.

Os vícios do autor se repetem: a trama é forçada, óbvia e mal desenvolvida. O Guardião deve ser um dos personagens da Marvel que mais vezes morreu e ressuscitou. Por isso, o escritor poderia ter poupado os leitores de uma nova trama envolvendo estes elementos. Sobre os desenhos de Pop Mhan, basta dizer que estão no mesmo nível do roteiro. Entre esta e a aventura dos Fabulosos X-Men, é difícil dizer qual a pior.

A saga mafiosa de Wolverine aproxima-se de seu fim com uma história razoavelmente divertida. O enredo criado por Frank Tieri certamente não prima pela originalidade, mas, apesar de algumas forçadas de barra, consegue bons resultados apostando em uma aventura básica, sem encucações morais e carregada de cenas de ação.

Sean Chen acompanha o pique e proporciona uma arte competente, especialmente nas bem executadas cenas de luta entre Logan e os bandidos. O desenlace da trama no próximo número permitirá uma análise mais completa.

Apesar das fracas aventuras de Fabulosos e Tropa Alfa, Wolverine e especialmente Novos X-Men conseguiram proporcionar uma boa leitura. A revista melhorou em relação ao mês passado, mas ainda precisa evoluir mais para honrar a popularidade dos mutantes da Marvel.

Classificação:

4,0

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