X-MEN # 31

Por Luciano Guerson André
Data: 1 dezembro, 2004


Autores: Novos X-Men – Grant Morrison (roteiro) e Phil Jimenez (desenhos);

Fabulosos X-Men – Chuck Austen (roteiro) e Ron Garney;

X-Men Unlimited – Chuck Austen (roteiro) e Romano Molenaar (desenhos);

Wolverine – Frank Tieri (roteiro) e Sean Chen (desenhos).

Preço: R$ 6,50

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Julho de 2004

Sinopse: Novos X-Men – Ciclope vinha mantendo um caso no plano psíquico com Emma Frost, atitude bastante imprudente para quem é casado com uma das telepatas mais poderosas do planeta. É hora de Jean Grey acertar as contas com a Rainha Branca.

Fabulosos X-Men – Após meses em coma, Alex Summers, o Destrutor, está de volta ao mundo dos vivos. Disposto a retomar sua vida, ele pretende viajar com seu antigo amor, Lorna Dane. Esse afastamento será motivo de tristeza para a enfermeira Annie, que havia se apaixonado pelo herói enquanto cuidava dele. Mas talvez sua dedicação não tenha passado despercebida.

Wolverine – O chefão Pazzo definitivamente não acredita no lema “honra entre ladrões”. Mesmo após Wolverine ter salvado sua “família” de uma gangue rival, ele decidiu chantageá-lo para obrigar Logan a matar uma inocente. Entretanto, colocar o canadense mais invocado dos quadrinhos contra a parede pode não ser uma atitude das mais inteligentes.

X-Men Unlimited – Sammy, o mutante anfíbio, descobre que alguém tem torturado animais nas proximidades do Instituto Xavier. Os X-Men terão que encarar outra face do preconceito, a que considera a violência contra os seres irracionais como uma transgressão menor.

Positivo/Negativo: Novos X-Men – Na primeira parte do arco Assassinato na Mansão Xavier, Morrison começa a resolver uma trama que desenvolveu ao longo de meses, o envolvimento de Scott e Emma. Ponto para o escocês, que mostra que sabe como elaborar uma história a longo prazo, acrescentando pequenos fatos aqui e ali, de forma a aumentar gradativamente a tensão entre os personagens.

E Morrison não deixa a peteca cair nesta edição, fazendo um bom trabalho ao abordar os relacionamentos entre personagens sem transformar a trama num dramalhão. Destaque para a “dissecação psíquica” que Jean promove em Emma Frost.

Phil Jimenez tem a ingrata tarefa de substituir o excelente Frank Quitely nos desenhos e, comparações à parte, se sai muito bem. Ele é dono de um traço diferenciado, após ter começado sua carreira como um “clone” de George Pérez, evoluiu para um estilo próprio de grande beleza.

Fabulosos X-Men – Chuck Austen bem que poderia aprender com seu colega de Novos X-Men como escrever com mais sutileza. Sua tradicional mão pesada eleva o nível de novelização do título a novos patamares.

Abordar os dramas psicológicos dos personagens é um recurso que pode render bons frutos nos quadrinhos, mas o escritor exagera. Sob sua batuta, os X-Men parecem viver uma sucessão infindável de dramas pessoais tão previsíveis quanto desinteressantes.

Ao menos na parte artística o título melhora com a volta de Ron Garney, que substitui Kia Asamya. O traço do nipônico não se revelou muito apropriado ao título, e seu substituto, com seu estilo clássico, se prova um desenhista mais adequado. Ele é capaz de representar os mutantes com a mesma competência com que abordou o tradicional Capitão América em suas memoráveis passagens pelo título do Sentinela da Liberdade.

Wolverine – A aventura deste número conclui o arco “mafioso” do herói. A saga termina como começou, de forma bastante previsível e abusando dos clichês de enredos policiais. Mas ao menos o autor Frank Tieri apresenta a trama de forma direta, sem enrolações e psicologismos baratos.

A tônica da série é a ação desenfreada, ao estilo dos filmes de ação baratos, com muita pancadaria e tiroteios. O resultado final não é nada excepcional, mas ao menos cumpre com eficiência a proposta de diversão despretensiosa.

Sean Chen oferece um trabalho artístico convincente. Ele certamente não é um dos melhores desenhistas do mercado, mas consegue transmitir as emoções requeridas pelo texto.

X-Men Unlimited – Para abordar a questão dos direitos dos animais, Chuck Austen força a barra novamente e apresenta um enredo politicamente correto ao extremo. Tocar em assuntos sérios nos quadrinhos pode render ótimas histórias, desde que feitas com habilidade.

Grant Morrison lidou com questões semelhantes em Homem-Animal e os resultados foram ótimos. O problema é que Austen não consegue se afastar do tom moralizador e didático. A trama acaba sendo apenas uma grande e enfadonha lição de moral. Em tempo, a cena do Fanático nadando com os peixinhos, com certeza, merece figurar entre os momentos mais constrangedores da trajetória dos X-Men.

A arte de Romano Molenaar é bem fraca e acrescenta outro demérito à aventura. É de se questionar se os editores brasileiros não teriam nenhuma opção de material melhor para publicar.

Classificação:

4,0

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