X-MEN # 32

Por Luciano Guerson André
Data: 1 dezembro, 2004

Autores: Novos X-Men – Grant Morrison (roteiro) e Phil Jimenez
(desenhos);

Fabulosos X-Men – Chuck Austen (roteiro) e Ron Garney;

X-Men Unlimited – Adam Warren (roteiro) e Rick Mays (desenhos);

Wolverine – Frank Tieri (roteiro) e Terry Dodson (desenhos).

Preço: R$ 6,50

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Julho de 2004

Sinopse: Novos X-Men – A Rainha Branca está morta e todos
no Instituto Xavier são suspeitos do crime. Cabe aos detetives mutantes
Bishop e Sábia desvendarem este mistério e chegarem ao assassino.

Fabulosos X-Men – A Escola do Professor X acolhe crianças mutantes
de todas as partes do mundo. Entretanto, depois da rebelião no instituto
(X-Men # 27
a 30
),
as autoridades humanas começaram a se questionar se o lugar é seguro para
abrigar jovens alunos.

Quando a Tropa Alfa aparece para repatriar um cidadão canadense, o jovem
Anfíbio, o governo do Estado de Nova York pede à equipe que ajude com
a evacuação de todos os menores do lugar. A questão é… os X-Men assistirão
passivamente enquanto isso acontece?

X-Men Unlimited – Betsy Braddock, a mutante conhecida por Psylocke,
perdeu sua vida lutando pelos X-Men. Seus amigos não a esqueceram e um
deles tem uma boa história de bar para contar sobre ela.

Wolverine – Logan ajudou na ascensão de um novo chefe mafioso em
Nova York. O Justiceiro não ficou nada contente com essa interferência
e vai deixar isso bem claro. Para o canadense será a chance perfeita para
acertar velhas contas com Castle.

Positivo/Negativo: Novos X-Men – A segunda parte de Assassinato
na Mansão Xavier
aprofunda o clima de tensão entre os X-Men. O escritor
Grant Morrison construiu uma trama nos moldes clássicos dos mistérios
policiais, ao estilo Agatha Christie, com direito a um crime, muitos suspeitos
e as inevitáveis reviravoltas.

É interessante ver o escocês trabalhando com os personagens Bishop e Sábia,
normalmente associados ao escritor de X-Treme X-Men, Cris Claremont.
Os dois escritores são os mais importantes da franquia X atualmente e
têm abordagens bem diferentes.

Morrison buscou renovar os conceitos que tornaram os X-Men interessantes.
Sob sua batuta foi ressaltado o lado de escola para mutantes do Instituto
Xavier, e os personagens foram redefinidos tanto em termos de personalidade
quanto de aparência para melhor se adequarem aos tempos atuais.

Personagens bizarros como um rapaz de pele transparente e esqueleto visível,
uma criança com rosto de velha ou um ser composto de gás consciente foram
introduzidos para marcar que os mutantes não são os típicos heróis perfeitos,
e têm um lado aberrante que faz com que o mundo os tema e odeie.

Claremont, por outro lado, é bem mais comedido e parece não pretender
nada a não ser reeditar o mesmo tipo de história que o consagrou no final
dos anos 70 e início dos 80.

Determinar qual autor está fazendo o melhor trabalho é assunto para intermináveis
debates entre os fãs, mas a preferência dos leitores parece pender francamente
para Morrison. Com justiça, pois a suas histórias certamente deixarão
uma marca na equipe mutante somente comparável aos anos de ouro da dupla
Byrne/Claremont.

O bom trabalho artístico de Jimenez valoriza ainda mais esta que é, sem
dúvida, a melhor história da revista.

Os Fabulosos X-Men – Depois de várias histórias muito fracas, Chuck
Austen apresenta uma aventura um pouco melhor nesta edição. As cenas de
combate ajudaram a diminuir a sensação de novela mexicana que havia se
apoderado da série, mesmo com os inimigos sendo a manjada Tropa Alfa.

Ainda assim, o autor consegue a proeza de enfiar uma discussão de casal
no meio da luta. A incrível coincidência envolvendo Noturno e a expedição
arqueológica também depõe contra o argumentista.

Esta edição marca a saída de Stacy X da equipe. Esta ausência é bem emblemática
da caretice que ainda permeia os comics. Mulher liberada e bem
resolvida sexualmente, ela era bem diferente do modelo tradicional de
heroína, mesmo para os padrões dos X-Men.

Justamente por isso, era uma personagem que oferecia grandes possibilidades
dramáticas. Em seu lugar, o novo interesse romântico do Anjo será Paige
Guthrie, a Escalpo. Ela é a típica garota certinha, do tipo que se apresenta
para os pais com orgulho. Em última análise, é apenas mais uma mutante
sem nenhum grande diferencial para torná-la marcante.

A arte de Ron Garney é bastante competente e valoriza o enredo fraco.
O desenhista consegue transmitir a ação de maneira eficiente, com enquadramentos
bem estruturados e um bom trabalho de expressões.

X-Men Unlimited – Aventura tapa-buraco de meras 12 páginas, não
convence nem no enredo, praticamente inexistente e nem na arte estilo
mangá. Apenas os fãs mais inveterados de Psylocke gostarão dessa sucessão
de pancadaria desenfreada. Talvez nem eles.

Wolverine – A tão aguardada revanche do mutante canadense com o
Justiceiro deixa bastante a deixar. Frank Tieri não tem o mesmo talento
de Garth Ennis para construir situações de humor negro, e acaba forçando
a barra.

A falta de sutileza fica evidenciada pelo desfecho do combate, que pretende
surpreender o leitor, mas acaba passando por descabido e não condiz com
o personagem em questão.

A arte dos Dodson é um pouco irregular e, de modo geral, parece inadequada
aos personagens. A história pedia um desenhista mais sujo, ao estilo de
Darick Robertson ou Steve Dillon.

Classificação:

4,0

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