X-MEN # 33

Por Luciano Guerson André
Data: 1 dezembro, 2004


Autores: Novos X-Men – Grant Morrison (roteiro) e Phil Jimenez (desenhos);

Wolverine – Daniel Way (roteiro) e John McCrea (desenhos);

Fabulosos X-Men – Chuck Austen (roteiro)e Ron Garney.

Preço: R$ 6,50

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Setembro de 2004

Sinopse: Novos X-Men – Bishop e Sábia finalmente descobrem quem matou Emma Frost. E nascem os filhos de Bico e Angel.

Wolverine – Há um assassino na estrada. Quando seu caminho cruza com o de Logan, ele encontra seu momento de definição. O mutante servirá como juiz e suas sentenças são tão justas quanto definitivas.

Fabulosos X-Men – A Igreja da Humanidade volta a atacar, mas desta vez os X-men pretendem dar uma resposta à altura e acabar de vez com os planos dos fanáticos.

Positivo/Negativo: Novos X-Men – Os desdobramentos imprevisíveis na conclusão de Assassinato na Mansão Xavier dão prova da qualidade de Morrison como autor.

A única coisa que se pode esperar do escocês é que suas tramas sempre tomarão rumos inusitados. Esta edição não é diferente. Ao contrário dos tradicionais romances policiais em que a história se inspira, a descoberta do assassino acaba deixando mais perguntas do que respostas. O leitor, mais uma vez, ficará na expectativa pela próxima edição.

O trabalho do autor destaca-se também por uma grande coerência narrativa, que fica mais perceptível quando se lê todas as edições passadas de uma tacada só. Aos poucos, vai se evidenciando que há algo extremamente errado no Instituto.

A seqüência de problemas internos e as sutis pistas lançadas apontam para o que promete ser o ápice da passagem de Morrison pelos títulos X. Revelar mais do que isso poderia estragar a surpresa, mas os leitores podem esperar grandes reviravoltas na vida dos mutantes.

A arte detalhista de Phil Jimenez se mostra outra vez muito eficiente. Ele demonstra grande domínio de técnicas narrativas. A utilização do requadro, a divisão dos quadrinhos nas páginas e a composição da cenas estão impecáveis. Sua maior qualidade talvez seja a de integrar seus desenhos às necessidades do texto, sem se perder em um virtuosismo estéril.

Wolverine – Mais uma aventura do mutante canadense em que o mundo dos super-heróis é deixado de lado. Em vez de combates entre superseres, Logan se defronta com o lado mais sombrio dos seres humanos ditos normais.

A trama por certo não é das mais originais, nem vai figurar em nenhuma lista de clássicos do herói, mas é contada com eficiência e consegue prender a atenção do leitor com um clima de tensão crescente.

John McCrea, tradicional “cúmplice” das loucuras de Garth Ennis em séries como Hitman e Etrigan, é o responsável pela arte. Seu estilo é descomplicado quase até o ponto do desleixo. Entretanto, o traço sujo combina perfeitamente com a trama carregada de sordidez.

Se a aventura de Wolverine não compromete, o mesmo não pode ser dito de Fabulosos X-Men. Mais uma vez, o título escrito por Chuck Austen é o pior da revista. Em seu favor, diga-se que, ao menos, o famigerado escriba tentou fazer uma história de ação e deixou um pouco de lado as platitudes filosóficas e os intermináveis desencontros amorosos dos personagens.

O problema é que os vilões da vez, os cultistas da tal Igreja da Humanidade são extremamente caricatos e não inspiram outra reação a não ser indiferença. Para completar, seu plano-mestre, que incluía transformar Noturno em papa, é das coisas mais ridículas já vistas nos quadrinhos, para não falar das “terríveis” hóstias desintegradoras de homens.

O lado bom é que estas bizarrices parecem ter sido o jeito que Austen encontrou para encerrar o ciclo de Kurt Wagner como padre. Transformar um dos mutantes mais extrovertidos em um sacerdote melancólico e cheio de dúvidas foi uma grande bobagem. Infelizmente, conforme poderemos ver nas próximas edições, o inferno astral do personagem ainda está longe de acabar.

Ron Garney é dono de um traço ao mesmo tempo simples e eficiente. Seus desenhos tem grande expressividade e conseguem tirar leite de pedra nesse roteiro ruim. É uma pena que o texto esteja tão aquém de seu talento.

De modo geral, esta edição foi bastante irregular, com um nível variando do bom (New X-Men) ao medíocre (Fabulosos X-Men).

Classificação:

4,0

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