X-MEN # 34

Por Luciano Guerson André
Data: 1 dezembro, 2004


Autores: Novos X-Men – Grant Morrison (roteiro) e Chris Bachalo (desenhos);

Wolverine – Daniel Way (roteiro) e Staz Johnson (desenhos);

Fabulosos X-Men – Chuck Austen (roteiro)e Philip Tan (desenhos).

Preço: R$ 6,50

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Outubro de 2004

Sinopse: Novos X-Men – As coisas não vão nada bem para Scott Summers, o Ciclope. Primeiro sua esposa, Jean Grey, descobriu o caso psíquico que ele vinha mantendo com Emma Frost. Agora, as investigações do atentado contra a vida da Rainha Branca o apontam como suspeito de ter sido o autor do disparo que estilhaçou o corpo de diamante da mutante.

Com tudo isso, resta a Scott fazer o que qualquer pessoa sensata faria nessas circunstâncias: procurar um bar e encher a cara. Acontece que quando o “boteco” em questão é o infame Clube do Inferno, e são grandes as chances de se encontrar alguns rostos familiares. Entre eles está o de um velho amigo que vai tentar ajudar o líder de campo dos X-Men a colocar sua situação em perspectiva.

Wolverine – Lester Brown é um tira tentando fazer seu trabalho. Como oficial da corregedoria, está na cola de um policial sujo, o detetive McLawry. Por ser um alcoólatra, o emprego de Brown está por um fio. Na partida de xadrez entre os dois, a vida de inocentes acaba sendo ameaçada. A intervenção de Logan pode ser sua última esperança de redenção.

Fabulosos X-Men – O relacionamento entre Destrutor e Polaris é um dos mais duradouros e, ao mesmo tempo, conturbados da história dos mutantes. Ao longo dos anos, eles brigaram, reataram, estiveram sob domínio mental ou perdidos em dimensões paralelas um sem-número de vezes.

Agora, finalmente é chegado o dia deles se unirem em matrimônio. Há apenas um pequeno problema: Alex descobriu que ama a enfermeira Annie. Desnecessário dizer que Lorna não vai aceitar a situação muito bem.

Positivo/Negativo: Em Novos X-Men, esta edição apresenta um pequeno interlúdio que serve de introdução para o ataque a Arma Extra.

Morrison proporciona alguns momentos interessantes, especialmente o diálogo entre Scott e Logan, que define bem o relacionamento entre os dois. Fica bem clara a dinâmica da rivalidade e admiração mútuas.

Donos de temperamentos opostos, ambos invejam traços da personalidade do outro. Logan gostaria de ter um pouco do controle e da estabilidade personificadas em Scott, que por sua vez anseia por romper a crosta de isolamento e experimentar a vida com a mesma paixão selvagem que Wolverine.

Mas a história tem também seus problemas. Morrison introduziu uma série de novos conceitos ao universo dos X-Men. Entretanto, nem todas as mudanças foram necessariamente boas ou, pelo menos, plausíveis.

É o caso do Clube do Inferno, que de um clube fechado para mutantes milionários e mal-intencionados subitamente se tornou uma espécie de versão mutante do Rick’s Bar do filme Casablanca, onde todos são aceitos.

Sebastian Shaw deixou de ser um industrial com ambições de conquista para bancar o dono de boate e paparicar clientes. Se Ciclope queria se embebedar, certamente não teria escolhido fazer isso no antro em que os X-Men quase foram mortos pelas mãos de Shaw e seus comparsas, inimigos mortais da equipe.

A arte de Chris Bachalo acompanhou o nível irregular do roteiro. Ele é um bom desenhista, como comprovam trabalhos anteriores como as minisséries da personagem Morte (O Preço da Vida e O Grande Momento da Vida), mas tem utilizado um traço cada vez mais estilizado, que abusa de hachuras e áreas escuras.

Talvez em virtude da falta de um arte-finalista inspirado, como o antigo parceiro Mark Buckingham, ou por causa do papel mais fosco que o original, o resultado foram desenhos visualmente confusos, o que atrapalhou a narrativa.

O destaque fica por conta da homenagem prestada à obra de Frank Miller, com uma stripper nitidamente calcada na Nancy de Sin City, tanto nos trejeitos quanto no chicote fazendo papel de laço.

Em Wolverine, o roteirista Daniel Way continua com uma abordagem de inspiração policial para as tramas, estilo estabelecido desde que Axel Alonso se tornou o editor do título original. O conceito é bom: deixar um pouco os supervilões de lado e ver como Logan se sai lidando com o submundo do crime.

Contudo, até agora as histórias não atingiram seu potencial máximo. A série poderia muito bem estabelecer um novo padrão, com enredos incorporando elementos da violência estilizada de um Quentin Tarantino, mas acaba se parecendo mais com um filme de pancadaria barata.

Os personagens e as situações apresentadas até agora são clichês surrados, desde o tira autodestrutivo em busca de redenção até o envolvimento de inocentes na sua batalha pessoal.

Resta saber se a conclusão na próxima edição reserva alguma surpresa para o leitor. Mesmo assim, não é uma aventura ruim. É até divertida, mas simplesmente não é memorável, falta-lhe um diferencial que a torne empolgante. Os desenhos de Staz Johnson são competentes, mas sem muito brilho.

Por fim, o leitor é contemplado com duas histórias de Fabulosos X-Men. E que lástimas! A trajetória de Chuck Austen à frente do título cada vez mais se parece com uma espiral descendente. Quando já se achava ter atingido o fundo do poço, ele surpreende descendo a novas profundezas.

Continuam as situações mirabolantes, o tom de novela mexicana, os diálogos insuportavelmente forçados e as descaracterizações de personagens que marcaram a passagem do roteirista. Dessa vez, é Polaris, que já vinha dando sinais de desequilíbrio e acaba se tornando a versão feminina de Magneto, pronta a matar uma mulher e um garoto por causa de uma crise de ciúmes.

O problema não está em promover mudanças. Os personagens não devem ser encarados como ícones estáticos. Uma boa chacoalhada em seus fundamentos às vezes pode ser muito bem-vinda. Mas as transformações propostas por Austen não têm o mínimo de coerência para convencerem de sua plausibilidade.

E, pecado maior: dão ensejo a péssimas tramas, que não acrescentam em nada à mitologia dos mutantes. Pode-se apostar que a maioria das bobagens perpetradas pelo escriba acabará sendo descartada pelos futuros escritores X.

Já o trabalho artístico de Philip Tan é bastante consistente. O desenhista revela um bom domínio das técnicas narrativas e apresenta um traço detalhista e caprichado. O único senão é que tem a tendência de retratar todos os personagens com as mesmas de feições, mas isso talvez se deva ao fato de seguir as convenções da arte estilizada dos mangás.

No geral, esta foi uma edição bastante fraca, talvez a pior da revista nos últimos meses.

Classificação:

4,0

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