X-MEN # 37

Por Luciano Guerson André
Data: 1 dezembro, 2005


Título: X-MEN # 37 (Panini
Comics
) – Revista mensal

Autores: Novos X-Men – Grant Morrison (roteiro) e Phil Jimenez (desenhos);

Novos Mutantes – Nunzio Defilippis e Christina Weir (roteiro) e Mark A. Robinson (desenhos);

Fabulosos X-Men – Chuck Austen (roteiro), Philip Tan (desenhos).

Preço: R$ 6,90

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Janeiro de 2005

Sinopse: Fabulosos X-Men – Noturno foi compelido a ir até a Isla des Demonas, um sítio arqueológico onde existem vestígios de uma antiga civilização supremacista mutante. A equipe dos Fabulosos X-Men vai atrás de seu colega e acaba no meio de uma invasão demoníaca.

Ao mesmo tempo, o Fanático decide que é hora de ir ao encontro de seu amigo Sammy, não se importando com as possíveis e inevitáveis conseqüências. Já o Professor X e Annie tentarão descobrir as razões para Polaris ter se transformado numa homicida, por meio de uma incursão mental à psique fragmentada da rainha do magnetismo.

Novos mutantes – Sofia Mantega e seus amigos estão na mira de Donald Pierce e dos carrascos. Quando Laurie Collins é mortalmente ferida, sua única chance de sobrevivência é o jovem Josh Foley, com poderes de cura recém-descobertos.

O problema é que Josh desconhecia sua condição de mutante e estava aliado aos carrascos. Ele está prestes a descobrir como é estar do outro lado, para variar.

Novos X-Men – A investida de Wolverine, Fantomex e Ciclope contra o Projeto Arma Extra teve conseqüências terríveis. Com a vida de Scott e Logan em perigo, seus colegas são obrigados a tentar um resgate desesperado.

A equipe mutante está dispersa e indefesa. Nesta hora negra, os mutantes sofrerão um golpe ainda mais duro, pois após meses de manipulações o inimigo oculto no Instituto finalmente se revela. Esta surpreendente reviravolta pode significar o fim definitivo da utopia de convivência pacífica sonhada por Charles Xavier.

Positivo/Negativo: Fabulosos X-Men – Chuck Austen segue desenvolvendo a trama principal do arco, centrada na ascendência de Noturno. Além disso, há dois subplots importantes: a busca do Fanático por Sammy e a investigação do estado mental de Polaris.

Apesar das evidentes disparidades, parece óbvio que Austen está trabalhando aspectos diferentes de uma mesma questão, a relação entre filhos e a figura paterna.

Como visto em edições recentes, o Fanático até hoje lida com a revolta causada pelo descaso com que seu pai o tratava. Sammy passa por situação semelhante, o que explicaria a identificação entre ele e Cain e a urgência com que o ex-vilão sai em busca do garoto.

No caso de Polaris, algumas das razões de sua transformação são explicadas pelo fato de que ela acredita que Magneto seja seu pai, como já havia sido aventado e negado em antigas histórias dos X-Men.

E, é claro, o pai de Noturno parece ser um demônio com planos de conquista.

Resumida assim, a trama de Austen pode parecer ao menos bem amarrada, mas infelizmente não é o caso. O escritor até consegue bolar algumas idéias promissoras, mas parece não ter fôlego narrativo para desenvolvê-las a contento.

Como de praxe, os diálogos são forçados e as situações apresentadas não convencem. O roteirista aplica sua habitual estética de novelização, com fartas doses de psicologia barata. O resultado: duas histórias confusas, enfadonhas e totalmente dispensáveis.

Os desenhos de Philip Tan continuam irregulares. Em alguns momentos, ele até alcança alguns resultados interessantes, mas parece preocupado demais em demonstrar virtuosismo e acaba abusando do uso de hachuras. E tome páginas visualmente poluídas, que prejudicam o ritmo da narrativa.

Novos Mutantes – O melhor momento da fraca edição passada talvez tenha sido o gancho para a revista deste mês. Nele se prenunciava um conflito entre os jovens estudantes do Instituto Xavier com um dos mais impiedosos inimigos dos mutantes. Pois o resultado foi totalmente anticlimático: o confronto se resolveu de uma maneira extremamente rápida e quase atabalhoada.

A série parece que opta por se focar mais nos conflitos internos dos personagens do que nas cenas de ação. Sem dúvida, isso tem um grande potencial para boas histórias, mas na prática os roteiristas não conseguem apresentar nada de empolgante.

Os heróis e os conflitos por eles vividos são esquemáticos, previsíveis e poucos inspirados. Talvez com o desenrolar dos eventos os autores até consigam estabelecer uma relação de empatia entre público e personagens. Por enquanto, é muito difícil que alguém se identifique com as caricaturas de adolescentes problemáticos apresentadas.

Na parte artística, Mark A. Robinson também decepciona. É de se estranhar que uma editora de porte coloque um desenhista tão fraco à frente de um projeto. Até mesmo em fanzines pode-se facilmente achar artistas mais talentosos do que ele. A única explicação possível é que a Marvel quisesse um traço de influência mangá, característica aparentemente vista como a atual panacéia para atrair novos leitores.

O problema é que Robinson consegue produzir algumas das mais feias páginas já apresentadas na revista.

Novos X-Men – Após o confuso arco Ataque a Arma Extra, Grant Morrison volta a pisar no acelerador e apresenta o primeiro capítulo de Planeta X. E esta edição já traz uma sensacional reviravolta, que surpreenderá os leitores, ao menos os que não viram nenhum spoiler na internet.

A história cumpre à perfeição a função de apresentar a nova ameaça aos mutantes e criar um enorme suspense pelo desenrolar da saga. Sem dúvida, a melhor da revista.

Nos desenhos, Phil Jimenez está de volta, substituindo Chris Bachalo com bastante vantagem. Velho conhecido do escritor, desde o tempo de Os Invisíveis, ele apresenta um trabalho sólido e eficiente, que guarda a influência clara de George Pérez, mas ao mesmo tempo apresenta uma marca e refinamentos próprios.

A ótima história dos Novos X-Men faz com que a revista ganhe pontos em relação ao último número da revista. Ainda assim, os outros títulos mutantes precisam urgentemente de uma chacoalhada para deixar a mesmice em que se encontram. A boa notícia é que X-Men Reload, a nova fase do grupo nos Estado Unidos, já está prometida para o próximo semestre.

Classificação:

4,0

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