X-MEN # 38

Por Luciano Guerson André
Data: 1 dezembro, 2005

Título: X-MEN # 38 (Panini
Comics
) – Revista mensal

Autores: Novos X-Men – Grant Morrison (roteiro) e Phil Jimenez (desenhos);

Novos Mutantes – Nunzio Defilippis e Christina Weir(roteiro) e Carlo Barbieri (desenhos);

Fabulosos X-Men – Chuck Austen (roteiro), Philip Tan (desenhos).

Preço: R$ 6,90

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Fevereiro de 2005

Sinopse: Novos X-Men – Magneto, o mais antigo e temido inimigo dos X-Men, está de volta. Durante meses ele permaneceu infiltrado no Instituto Xavier, tramando minuciosamente a derrocada de Charles e seus pupilos. Reunindo uma nova versão da sua Irmandade de Mutantes o Mestre do Magnetismo está prestes a iniciar um reino de terror.

Ao mesmo tempo, Wolverine e Jean enfrentam a morte presos num pedaço do antigo asteróide M, em rota de colisão com o sol. O paradeiro dos demais X-Men permanece ignorado. É a saga Planeta X.

Novos Mutantes – Após descobrir que é mutante, o adolescente Josh Foley se matriculou no Instituto Xavier. Entretanto, o rapaz não está tendo uma adaptação muito fácil, em virtude de seu passado como membro da organização racista dos carniceiros.

Na ânsia de ser aceito por seus colegas, ele resolve usar seus poderes para tentar curar Amara Aquila, a Magma, que se encontrava em estado de coma desde um ataque da Igreja da Humanidade. Mas as coisas não sairão bem do jeito que Josh espera.

Fabulosos X-Men – A equipe impediu uma invasão interdimensional, mas acabou pagando um alto preço. Eles foram feitos prisioneiros pelo poderoso Azazel e seus asseclas demoníacos. O vilão revela ser o verdadeiro pai de Noturno. Mais do que isso, os mutantes descobrem que podem estar enfrentando o próprio Satã.

Em nossa dimensão, o Fanático e Estrela Polar finalmente encontram Sammy Paré. Ao constatar os maus tratos a que o jovem tem sido submetido por seu próprio pai, Cain Marko é tomado por uma fúria homicida. Caberá a Tropa Alfa tentar parar o gigante.

Positivo/Negativo: Novos X-Men – Grant Morrison proporciona duas ótimas histórias. Na primeira, apresenta sua concepção de Magneto, mais do que nunca mostrado como um fanático impiedoso e determinado a tudo. A mensagem é bem clara, nunca o Mestre do Magnetismo foi tão perigoso.

Já a segunda aventura é focada em dois dos X-Men mais famosos, Logan e Jean Grey. Considerando a conturbada atração platônica que sempre existiu entre ambos, parece bem adequado que eles encarassem o fim juntos. Mas, claro, os mutantes têm o hábito de enganar a morte.

Neste arco, o autor escocês mostra mais uma vez o quanto os X-Men podem render boas histórias nas mãos certas. Doses fartas de aventura, suspense e ação garantem o interesse do leitor. Desde a época da infernal dupla Chris Claremont e John Byrne, nenhum escritor captou tão bem a essência dos personagens.

O trabalho de Phil Jimenez também merece destaque, especialmente nas páginas que mostram a destruição promovida por Magneto, extremamente detalhadas e de grande beleza.

Novos Mutantes – A série continua mostrando os conflitos de relacionamento entre jovens que, além das transformações da adolescência, ainda precisam aprender a usar seus dons mutantes. A premissa surrada não ajuda e a história continua pecando pela superficialidade e pela falta de originalidade.

Entretanto, desde que se consiga entrar no clima de drama adolescente, a aventura até apresenta uma melhora em relação às apresentadas anteriormente. Os roteiristas acertaram em focar a ação num único personagem, o que evita que a atenção do leitor se distraia entre tramas paralelas.

Considerando-se que são personagens novos, com os quais o público ainda não estabeleceu uma relação de familiaridade, esta opção se revelou bastante acertada.

A substituição do fraquíssimo Mark A. Robinson por Carlo Barbieri na arte também ajudou a melhorar um pouco o nível da série. Ele tem um traço estilizado, com nítidas influências de mangás e cartuns. É o tipo de desenho que as editoras parecem acreditar que está “na moda” atualmente.

O desenhista não se revela particularmente brilhante quer nas composições ou no detalhamento dos personagens e cenários, mas ao menos não compromete tanto quanto seu antecessor.

Fabulosos X-Men – Se Novos Mutantes conseguiu atingir um nível um pouco melhor, o mesmo não se pode dizer da revista escrita por Chuck Austen. A saga Draco continua em mais uma história confusa.

O estilo verborrágico do autor faz com que ele gaste a edição inteira sem desenvolver quase nada da trama. Falta a Austen a habilidade de prender o leitor e impactá-lo com o que deveriam ser revelações bombásticas. O ritmo arrastado dispersa o interesse pelo desenrolar da história.

O subplot do Fanático também não convence. A falta de originalidade continua sendo a tônica, inclusive no gancho para a próxima edição, um mais que previsível confronto com a Tropa Alfa, o segundo em questão de meses, já que a superequipe canadense deu as caras em X-Men # 32.

O trabalho desenhista Philip Tan também não é dos mais convincentes. Seu traço é detalhista e diferente dos padrões usuais. Contudo, às vezes, ele peca pelo excesso de preciosismo, prejudicando a narrativa. Algumas de suas composições ficam poluídas pelo uso demasiado de hachuras; e seus personagens parecem pouco naturais, como se estivessem posando para fotos.

Além disso, há alguns problemas de anatomia e na caracterização fisionômica dos protagonistas, faltando uma maior distinção entre os rostos dos mutantes.

A boa surpresa desta edição foi o fato de a Panini ter selecionado duas aventuras dos Novos X-Men para compor a revista. Considerando que a atual saga Planeta X é uma das melhores da passagem do escritor Morrison pelos mutantes da Marvel, quem sai lucrando é o leitor.

Sem dúvida, o nível subiu um bocado em relação aos meses anteriores. A nota só não é mais alta, devido às falhas de Novos Mutantes e, especialmente, dos Fabulosos X-Men de Chuck Austen.

Classificação:

4,0

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