X-MEN # 39

Por Luciano Guerson André
Data: 1 dezembro, 2005


Título: X-MEN # 39 (Panini
Comics
) – Revista mensal
Autores: Novos X-Men – Grant Morrison (roteiro) e Phil Jimenez (desenhos);

Novos Mutantes – Nunzio Defilippis e Christina Weir (roteiro), Khary Randolph e Carlo Barbieri (desenhos);

Fabulosos X-Men – Chuck Austen (roteiro), Philip Tan e Takeshi Miyazawa (desenhos).

Preço: R$ 6,90

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Março de 2005

Sinopse: Novos X-Men – Magneto estabeleceu um reino de horror em Nova York. Os X-Men tentam organizar uma desesperada resistência contra o Mestre do Magnetismo.

Novos Mutantes – Na segunda parte do arco Laços de Família, os mais jovens alunos do Instituto Xavier continuam a lidar com a difícil combinação de adolescência e poderes mutantes.

Na semana dedicada aos pais dos alunos, são mostradas novas facetas do relacionamento de David Alleyene e Sofia Mantega com seus respectivos genitores. E quando seu passado racista vem à tona, o curandeiro Josh Foley tem que prestar contas aos demais.

Fabulosos X-Men – O combate final dos mutantes com as hostes de Azazel, na conclusão de Draco, e o confronto do Fanático com a Tropa Alfa.

Positivo/Negativo: Novos X-Men – A aventura apresentada pavimenta o caminho para o encerramento do arco Planeta X na próxima edição. Morrison faz um trabalho competente em armar o tabuleiro para o desenlace final. Destaque para sua construção de Magneto, que graças aos efeitos da droga Porrada se mostra mais fanático e radical do que nunca.

Na verdade, o exagero quase caricatural das atitudes do vilão é proposital, como ficará evidente no número seguinte. Uma ótima sacada do roteiro é incorporar ao discurso de Magneto falas típicas do ideário nazista, de forma a ressaltar seu fanatismo e como ele se tornou justamente aquilo que odiava.

A sugestão de que é possível mostrar “cientificamente” que humanos são “seres inferiores” e nem mesmo sentem dor da mesma forma que os mutantes é uma clara alusão as barbáries sustentadas pelo regime de Hitler para desumanizar os judeus. Considerando como o combate ao preconceito sempre foi a temática básica nas histórias dos X-Men, esse evidente paralelismo caiu como uma luva.

No quesito arte, Jimenez dá conta do recado com a competência habitual. Suas composições poderiam ser um pouco mais inspiradas e seu traço talvez peque por um certo preciosismo, mas ele tem um bom domínio das técnicas narrativas e se sai bem na tarefa de transmitir as emoções vivenciadas pelos personagens.

Fabulosos X-Men – As duas histórias apresentadas finalmente concluem o arco Draco. Após muita enrolação e diálogos sofríveis, a trama se resolve de forma abrupta e forçada. O confronto final entre os X-Men e os vilões, especialmente entre Noturno e Azazel, é totalmente anticlimático.

Draco certamente será lembrada como uma das sagas mutantes mais fracas já escritas. Mais uma vez se repetiram os equívocos que vinham marcando a trajetória de Chuck Austen na condução do título: a premissa canhestra, o desenvolvimento fraco, a descaracterização de personagens, os diálogos intermináveis e os desenhos irregulares. Não sobram qualidades redentoras nem para agradar o mais fanático adorador da franquia.

A proposta inicial de se discutir o conceito de paternidade poderia render bons momentos dramáticos, mas se perdeu em uma seqüência fragmentada de histórias. É de se perguntar como os editores americanos mantiveram-no por tanto tempo como roteirista de um dos carros-chefe da Marvel.

A primeira aventura é desenhada por Philip Tan. Sua arte tem um componente de estranheza, parecendo mesclar influências de escolas diferentes. Os seus rostos, por exemplo, têm uma certa característica da estilização dos mangás e destoam dos corpos e cenários mais realistas.

Sua narrativa visual é um tanto quanto truncada e suas composições confusas. No entanto, as deficiências do roteiro são muito mais gritantes do que as da arte.

Inexplicavelmente, Takeshi Miyazawa assumiu os pincéis na sexta e definitiva parte de Draco, com resultados ainda piores. Se Tan ainda apresentava laivos de criatividade, Miyazawa se prende à estética mangá e oferece um arte simplista e descuidada de detalhes.

Novos Mutantes – A série mantêm a tônica das edições anteriores, privilegiando o tom intimista em detrimento da ação. Os roteiristas continuam estabelecendo a personalidade de seus protagonistas e as relações entre eles e o mundo que os cerca, incluindo pais, colegas e professores.

O resultado é uma história convencional, sem grandes falhas, mas que não empolga.

Não há nada de errado com a abordagem proposta, o problema é que até agora os autores não conseguiram apresentar mais que um cozido de clichês de dramas adolescentes já vistos incontáveis vezes nos quadrinhos e em outras mídias.

Enquadram-se nessa categoria, por exemplo, a jovem com problemas de relacionamento com o pai ausente, o incompreendido que esconde sua fragilidade com um escudo de rebeldia e o jovem dividido entre objetivos pessoais e um ideal maior. Espera-se que com o desenrolar da trama os personagens ganhem uma vida própria e deixem de ser tão esquemáticos.

A parte artística já apresenta falhas mais gritantes. O traço se pretende “moderno”, ostentando influência de mangás e desenhos animados, mas os dois artistas não convencem. Anatomia, enquadramentos e cenários não deveriam ser negligenciados em função de modismos, como ocorre aqui.

Esta edição de X-Men segue o padrão dos últimos meses. Apesar da excelente história dos Novos X-Men, as duas aventuras dos Fabulosos X-Men puxam a classificação para baixo.

 

Classificação:

4,0

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