X-MEN ANUAL # 3

Por Zé Oliboni
Data: 3 julho, 2009


Autores: X-Men – Primeiros Alunos (X-Men – First Class Vol. 2 # 1 a 5; X-Men – First Class Special # 1) – Jeff Parker (roteiro), Roger Cruz, Júlia Bax, Collen Coover, Kevin Nowlan, Mike Allred e Paul Smith(desenhos).

Preço: R$ 14,90

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Agosto de 2008

Sinopse: O álbum traz histórias fechadas mostrando algumas novas aventuras da primeira turma de mutantes da Marvel. As aventuras se passam em algum ponto do começo da carreira dos personagens, quando o grupo composto por Ciclope, Garota Marvel, Homem de Gelo, Anjo e Fera era treinado pelo Professor Xavier.

Eles estavam se conhecendo e ainda aprendiam a controlar seus poderes, enquanto tentavam ajudar a humanidade a entender melhor os mutantes.

Nesta edição, a equipe se encontra com o Quarteto Fantástico, tem seu primeiro confronto com o Hulk, visita a Ilha Monstro e arranja uma mascote bem peculiar: o Homem-Dragão.

Positivo/Negativo: O primeiro volume de X-Men – First Class foi, sem dúvida, um grande sucesso. Tanto que a Marvel rapidamente investiu na continuação da série.

A razão do êxito é simples: os X-Men originais foram concebidos como ótimos personagens. Não adianta querer criar novas versões, como a Ultimate, e dizer apenas que a cronologia é um entrave. É verdade que anos de aventuras, muitas vezes contraditórias e confusas, obviamente dificultam a formação de novos leitores, que não acham um ponto de entrada na infinita novela dos mutantes. Mas não é só isso.

Após passar por tantas mãos, mudanças e reformulações, os personagens estão distantes daqueles criados por Stan Lee. Eles crescerem, morreram, ressuscitaram, equipes surgiram, se desfizeram, houve tempos com milhões de mutantes e agora são apenas 198.

São mudanças estruturais profundas nos personagens e até no cenário em torno deles; e isso impede que seja feito um trabalho semelhante ao do começo dos X-Men.

Assim, voltar à primeira equipe e contar novas histórias – sem a intenção de alterar a cronologia, apenas acrescentar aventuras não mostradas – é uma solução. E vale notar: não é um produto direcionado a um público saudosista (apesar de também suprir esse papel), mas uma questão de bons ingredientes para uma ótima HQ.

Os conceitos simples dos heróis originais, a forma de trabalhar com eles – como estudantes, com máscaras, pequenas missões e problemas adolescentes – torna tudo equilibrado e funcional. Basta um roteirista bom e despretensioso, como Jeff Parker, que sabe fazer histórias curtas, divertidas e inteligentes; juntar a desenhistas habilidosos e se terá uma revista de alta qualidade, para agradar a todos os públicos.

Este segundo volume da série apostou acertadamente na diversificação dos artistas. Roger Cruz ficou com as HQs principais e fez um ótimo trabalho, ágil e limpo, com estilizações na medida. Ele revezou uma edição com a também brasileira Júlia Bax, que usou um traço parecido, mas com contornos mais arredondados.

Nas histórias curtas, os outros desenhistas foram escolhidos para combinar com o estilo HQ. Collen Coover, com seu traço mais cartunesco, ficou com as tramas cômicas e ligeiramente bobinhas. Mike Allred, com sua arte alternativa, ilustrou a aventura em que o grupo vai a um café onde um poeta mutante causa alucinações ao ler o que escreve. E Kevin Nowlan deu um visual sombrio a uma pequena investigação num suposto museu assombrado.

No geral, a revista é uma leitura extremamente agradável. Uma coleção de pequenas aventuras de uma época em que a Marvel era mais simples e inocente. Tudo revisitado com bom gosto, um texto fluido e conciso e uma arte que casa perfeitamente com a proposta da edição.

A única ressalva fica para a história de Wanda e Jean Grey. Primeiro por uma questão cronológica: quando Wanda e Pietro se mudaram para os Estados Unidos, eram parte da Irmandade dos Mutantes – mesmo sendo membros relutantes. Portanto, inimigos dos X-Men até se regenerarem e passarem a integrar os Vingadores. Isso torna a trama em que as duas saem para passear como amigas bastante estranha.

Mas isso é uma mera picuinha cronológica. Estranha mesmo foi a tradução das falas da Wanda no estilo: “Aqui ser Wanda. (…) Eu ligar para Jean.” Como a personagem, que é russa de nascimento, nunca foi traduzida dessa forma no Brasil, ficou esquisito.

 

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.