Novos X-Men – E de Extinção

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 2 abril, 2012

Novos X-Men - E de ExtinçãoEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Grant Morrison (roteiro), Frank Quitely, Ethan Van Sciver e Igor Kordey (desenhos), Tim Townsend, Mark Morales e Dan Green, Prentis Rollins, Hanna e Florea (arte-final) e Hi-Fi Design (cores) – Originalmente publicado em New X-Men # 114 a # 121.

Preço: R$ 25,90

Número de páginas: 200

Data de lançamento: Outubro de 2007

Sinopse

Os X-Men enfrentam a ameaça de Cassandra Nova, uma bióloga que planeja liberar uma nova geração de Sentinelas para exterminar os mutantes de Genosha.

Positivo/Negativo

É inegável que, no início dos anos 2000, os mutantes da Marvel precisavam de uma renovação urgente. Desde a saída do roteirista Chris Claremont e de Jim Lee, anos antes, os X-Men amargaram uma fase pouco imaginativa, que apenas regurgitava conceitos manjados em sagas intermináveis, estendendo-se pelos numerosos títulos da lucrativa franquia.

Não que fossem essencialmente ruins as histórias de Fabian Nicieza e Scott Lobdell, e, posteriormente, Joe Kelly e Steven T. Seagle, já que eles conseguiram manter o interesse nos personagens por meio de dramas humanos cativantes. O problema era justamente a previsibilidade das narrativas, a falta de uma ousadia maior, que sacudisse as revistas do grupo.

A saga dos X-Men havia se voltado apenas para os fãs de longa data, fanáticos por cronologia e avessos a mudanças concretas. Foi pensando em renovar a franquia e aproveitar o sucesso da produção cinematográfica dirigida por Bryan Singer, que a Marvel escalou o escocês Grant Morrison para o título principal dos heróis.

E o resultado foi uma das fases mais originais da longa trajetória dos Filhos do Átomo.

Morrison havia passado por uma aclamada fase à frente da Liga da Justiça, da DC Comics, na qual provou sua habilidade em conduzir títulos comerciais, em oposição a suas tradicionais esquisitices. E ele tinha mais planos para os personagens da editora, até que seu projeto de reformulação do Superman ao lado de Mark Waid foi vetado, levando-o a mudar de editora.

Na “Casa das Ideias”, o roteirista fez sua estreia com a minissérie do revolucionário Marvel Boy, seguida por um trabalho polêmico com o Quarteto Fantástico. Mas o melhor viria mesmo com a mais popular franquia da editora.

Assim, em agosto de 2001 saiu New X-Men # 114, com texto de Morrison e arte apreciável de Frank Quitely, cujos novos logotipo e título não escondiam a ambição do criador. Trabalhando com uma equipe de heróis reduzida e investindo no visual moderno dos filmes, a dupla apresentou conceitos inovadores de ficção científica para mostrar uma humanidade temerosa reagindo à possibilidade de ser suplantada pelos mutantes.

O encadernado Novos X-Men – E de Extinção reúne os dois primeiros arcos dessa fase, mais duas histórias curtas; e é um ótimo ponto de partida para seguir os personagens.

São muitos os conceitos interessantes levados por Morrison ao universo dos mutantes, a começar por uma ameaça real de extinção como nunca se vira, até um grupo de humanos que se dedicava a adquirir qualidades de seus herdeiros genéticos.

Outra mudança significativa foi a introdução das mutações secundárias que atingiram os personagens, mudando o visual do Fera, por exemplo, e conferindo um corpo de diamante à Rainha Branca.

Mas as histórias da Marvel são feitas, sobretudo, pelos dramas de personagens, e esses elementos não faltaram em Novos X-Men. Conhecido primordialmente como um autor de ideias arrojadas, Morrison adaptou seu estilo ao explorar uma crise no casamento de Scott Summers e Jean Grey, além de explorar bem o senso de alienação adolescente em novos integrantes da equipe.

Tudo passou a soar diferente nas páginas da revista, com novos heróis e vilões, ameaças imprevisíveis e situações que fugiam do lugar-comum, provando novamente que artistas de talento e liberdade criativa resultam em qualidade.

Talvez o maior mérito dos Novos X-Men sob a pena de Grant Morrison tenha sido tornar os personagens novamente acessíveis e atraentes ao grande público, conquistando novos leitores a partir de desenhos animados e do cinema.

Nestas histórias, a criatividade fala mais alto que o conhecimento da cronologia pregressa dos heróis, e é por isso que elas foram tão bem aceitas por leitores ocasionais. Dentre os fãs mais apaixonados, a fase concebida por Morrison ainda hoje divide opiniões.

Quanto à arte, todavia, parece haver um consenso de que Frank Quitely apresentou um trabalho primoroso, mas o menos talentoso Igor Kordey comprometeu o resultado final das edições que desenhou. Ethan Van Sciver ficou no meio do caminho.

Quitely é parceiro habitual de Morrison e seu design arrojado contribuiu para fazer da série uma das mais visualmente distintas do mercado, e só se pode lamentar que ele não tenha ilustrado todas as edições.

A edição da Panini inclui algumas páginas de esboços, algo sempre apreciado pelos leitores.

Destacando-se num título que alterna fases memoráveis e roteiros sem criatividade, Morrison teve o mérito de fazer diferente.

Classificação

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.