XAMPU – LOVELY LOSERS

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2010

XAMPU - LOVELY LOSERS

Editora: Devir Livraria – Edição especial

Autor: Roger Cruz (roteiro e arte).

Preço: R$ 29,50

Número de páginas: 80

Data de lançamento: Maio de 2010

 

Sinopse

Xampu – Lovely Losers é o primeiro de uma série de três álbuns escritos e desenhados pelo quadrinhista brasileiro Roger Cruz, que retrata experiências próprias e alheias vividas durante os anos 80.

A vida e os relacionamentos de Max, Nicole, Sombra e outros são o centro dessa história que resgata o lado “sujo” dos anos 80, marcado pelo sexo, drogas e rock’n’roll.

Positivo/Negativo

Os anos 80 são um tema recorrente, mas geralmente ligado a um resgate da infância de quem viveu essa época. Uma espécie de saudosismo precoce mantém todo um mercado de ex-famosos, desenhos animados e séries que eram reconhecidamente ruins, mas persistem sob uma espécie de verniz de nostalgia.

Chega a ser irônico o fato de que, enquanto as crianças se fascinavam com Bozo, Sérgio Mallandro e outros, toda uma geração de adolescentes vivia em um mundo à parte, regado a álcool, drogas, curtindo relacionamentos abertos mantidos pelo sexo e a conversa sem muito nexo abafada pelo som alto do punk rock. Justamente esse cenário e seus personagens típicos são retratados em Xampu.

O leitor acompanha a trajetória de vários personagens. D’O Sombra, um cara com um estilo “podre” que se destacava por ser de uma banda e “traçar” todas as meninas que apareciam na sua frente. De Max, um cara quieto, misterioso e descolado. De Nicole, a garota que adorava essas festas, se apaixonava pelos caras errados – como O Sombra – e acabava se lamentado com os tipos mais amigáveis, como Max.

A história tem momentos desnecessários – apesar de condizentes com o estilo anos 80 -, como o capítulo sobre o banheiro do bar. Assim como tem um ponto alto (com jeitão de documentário em quadrinhos), quando o narrador começa a entrevistar pessoas para descobrir o que aconteceu com Max depois daquela época.

Agora, o forte mesmo do álbum é seu visual espetacular. Começa pelo projeto gráfico, com a capa utilizando a reserva de verniz para simular um disco de vinil, o papel do miolo em sépia e as letras dos títulos dos capítulos. E, claro, o desenho espetacular de Roger Cruz.

O autor encontrou um ponto de equilíbrio. Seu traço usa bem a estilização, simplificando os contornos. Roger não economiza nas linhas e efeitos gráficos para dar volume e sombra, “acha” tomadas de câmera incríveis e, ainda assim, não abre mão de uma caracterização mais caricata dos personagens – que remete ao estilo das HQs underground dos anos 80.

O resultado é uma complexidade visual extremamente funcional para a história.

Xampu é imperdível para quem foi adolescente nos anos 80 e material de referência para quem gosta de desenhos bem executados e uma excelente narrativa visual.

Classificação:

4,0

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