Xula # 1

Por Tiago Araújo
Data: 18 julho, 2014

Xula # 1Editora: Maria Nanquim – Revista sem periodicidade definida

Autores: Ricardo Coimbra, Calote, Bruno di Chico, Bruno Maron (roteiro e arte), Jaca (capa) e Luciana Foraciepe (edição).

Preço: R$ 30,00

Número de páginas: 104

Data de lançamento: Junho de 2014

Sinopse

Coletânea de histórias de humor, em diferentes formatos, estilos e temas, mas com um único ponto em comum: o lado mais sujo e tosco da vida (no bom sentido).

Positivo/Negativo

A primeira recomendação antes de ler Xula é ir ao banheiro, porque, daí em diante, o risco do leitor molhar as calças de rir é real. Qualquer personalidade ou tema vira motivo de piadas ácidas: os artistas pseudointelectuais, a programação de TV, relações sociais e até as dicas de saúde do Dr. Drauzio Varela. E como o título diz, muitas tiradas “xulas” (uma brincadeira com a grafia correta, “chulas”).

Homenagens aos quadrinhos em geral estão presentes na revista, desde Superman até Peanuts. Mas são as referências bem brasileiras que geram as melhores histórias (a nova arma de destruição em massa, misturando vergonha alheira com Carlinhos Brown, Neymar e outros conterrâneos ilustres é impagável).

Os estilos de arte também variam, ora minimalistas, ora passando por um traçado mais cru, ou até mesmo desenhos que lembram livros infantis. A diversidade é o ponto forte de Xula. Ao final da revista, é possível até eleger o seu autor preferido, mas é o contato com diferentes formas de fazer um humor rasgado e politicamente incorreto que faz a leitura passar rápido, sem cair na mesmice.

Apesar de reunir diferentes criações, que variam de uma tirinha a uma página inteira, quem chama a atenção é o Capitão Indulgência, que seria o único personagem fixo da revista. Um super-herói adepto do “fazendo bem, que mal tem?”, sempre pronto pra aconselhar da pior maneira possível qualquer desavisado, como figuras da música brasileira e grandes nomes da História nacional.

Faz muito tempo que revistas em quadrinhos independentes deixaram de ser feitas “nas coxas”. Xula não é diferente. Capa cartonada, papel e impressão de qualidade, além de alguns brindes encartados, fazem o leitor considerar justo o preço pago.

Os mais perfeccionistas podem se incomodar com a ausência de numeração nas páginas, mas nada que atrapalhe a leitura. Também não há um breve perfil dos autores, o que é sempre interessante e poderia ser incluído nas próximas edições.

Para quem quiser mais ao final da leitura, vale visitar os blogs dos autores, indicados na contracapa. Um ótimo álbum de estreia.

Classificação

4,5

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