Y – O Último Homem – Dragões de Quimono

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 13 abril, 2012

Y - O Último Homem - Dragões de QuimonoEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Brian K. Vaughan (roteiro), Pia Guerra e Goran Sudzuka (arte), José Marzán Jr. (arte-final), Zylonol (cores) e Massimo Carnevale (capas) – Originalmente em Y – The last man # 43 a # 48.

Preço: R$ 17,90

Número de páginas: 144

Data de lançamentoMarço de 2012

Sinopse

Dragões de quimono – Yorick e 355 tentam resgatar Ampersand da nova Yakuza, enquanto Rose e a dra. Mann confrontam a implacável Toyota.

O homem de lata – Diversas cenas do passado da dra. Mann e as possíveis consequências de suas experiências.

Geena – Alter, a agente de Israel, lidera uma intervenção armada para buscar Yorick, enquanto suas origens e motivações são reveladas em uma série de flashbacks.

Positivo/Negativo

Y – O último homem está chegando ao fim.

Se continuar com seu ritmo de publicação, a Panini encerra a série ainda em 2012, tendo publicado suas 60 edições originais reunidas em dez coletâneas. Faltam apenas mais dois volumes.

Assim, Dragões de quimono tem um jeito de “últimos capítulos”. Diversos personagens aparecem em tramas paralelas. É difícil dizer se o leitor não familiarizado conseguirá apreciar os seis episódios presentes.

Por outro lado, aquele que acompanha a série desde o início não vai se decepcionar.

Vaughan segue sua própria fórmula à risca e entrega exatamente o que se espera de uma história de Y: tramas paralelas, revelações sobre personagens em diversos flashbacks e ganchos instigantes ao final de cada episódio.

O ritmo de Dragões de quimono, arco de histórias central do volume, é ainda mais alucinante do que o normal. Isso se deve talvez à tensão e violência presentes nas duas narrativas principais.

Na primeira, Yorick e 355 se jogam sozinhos contra praticamente um exército de yakuzas armadas para resgatar Ampersand. Nas mãos de Vaughan, os protagonistas não apresentam nenhuma habilidade sobre-humana e a desvantagem é gritante, colaborando para a construção de um suspense convincente.

O mesmo acontece na outra trama, em que a dra. Mann, acompanhada de sua nova companheira, Rose, parte em busca de sua mãe. Novas especulações a respeito da praga são levantadas e há um confronto inesperado com a assassina Toyota.

A quantidade de informações e acontecimentos é despejada de maneira ágil sobre o leitor e ainda é complementada por vislumbres de outras cenas, que mostram diversas situações com Hero, Beth 2, Jennifer Brown e outros personagens.

Toda essa overdose de fatos parece ressaltar ainda mais que a série está chegando ao seu fim e é preciso retomar personagens e acontecimentos para caminhar rumo a uma possível conclusão.

As quatro partes de Dragões de quimono terminam com imagens impactantes, que instigam e deixam o leitor perplexo, ansioso pela sequência. Como sempre, as situações não são exatamente o que parecem.

Aliás, uma das características principais do trabalho de Vaughan em Y – O último homem é justamente provocar o leitor, apresentando possíveis soluções para o mistério do genocídio masculino, que parecem estar quase ao alcance das mãos e que escapam no último momento.

Muito semelhante à estrutura da série televisiva Lost, na qual atuou como roteirista.

Quanto à arte, o volume é um exemplo da unidade fantástica entre o trabalho de Pia Guerra e Goran Su?uka. Talvez por causa do trabalho do arte-finalista José Marzán Jr, é um tanto difícil distinguir entre as páginas que uma e outro produziu.

Guerra é responsável por Dragões de quimono e Su?uka desenha as duas histórias curtas da edição. A transição entre elas é praticamente imperceptível no que se refere à arte e aos layouts.

O homem de lata e Geena são episódios focados no passado de Allison Mann e Alter.

Ambos apresentam fatos que ajudam a compreender melhor as personagens e mostram como Vaughan elaborou estruturas complexas para seu “elenco”.

O episódio sobre Alter é o mais interessante. A personagem é de extrema direita radical e sua presença se destaca nos textos de Vaughan, que apresentam uma visão política e social muito flexível e aberta ao diálogo.

A história revela as razões que motivam Alter em suas atitudes belicosas. Vaughan é habilidoso o suficiente para apresentar diversos temas polêmicos, mas não cria juízo de valores sobre eles.

Assim, alguns leitores entenderão e apoiarão Alter em suas ações, enquanto outros podem condená-la por sua brutalidade e ideologias.

Personagens como Alter ressaltam como, na ficção de Vaughan, em um mundo sem homens, certos valores extremamente discutíveis, tipicamente relacionados ao modo de pensar masculino, são incorporados e defendidos pelas próprias mulheres. Alter, antes de ser mulher, é militar e israelense, como ela mesma deixa bem claro.

Y – O último homem mostra que certos valores podem ultrapassar questões de gênero, estando vinculados à própria construção de identidade e cultura da pessoa.

Classificação

4,0

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