Young heroes in love # 1

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 28 fevereiro, 2014

Young heroes in love # 1Editora: DC Comics – Revista mensal

Autores: Dan Raspler (roteiro), Dev Madan (desenhos), Keith Champagne (arte-final) e Scott Baumann (cores).

Preço: US$ 1,75

Número de páginas: 32

Data de lançamento: Junho de 1997

Sinopse

Eles apresentam os tradicionais superpoderes e uniformes coloridos, mas estão longe de ser apenas mais um grupo de super-heróis. Vivendo as maiores intrigas e sentimentos conflitantes, eles são… Jovens Heróis Apaixonados!

Positivo/Negativo

A chamada de capa promete “sexo, mentiras e super-heroísmo”, a ilustração sugestiva não deixa espaço para dúvidas, e o texto da primeira edição de Young Heroes in Love atende as expectativas do leitor mais exigente.

Com roteiro do veterano editor Dan Raspler e desenhos de Dev Madan, o gibi lançado em 1997 conseguiu uma interpretação diferenciada e original sobre o manjado universo dos super-heróis, focando nos relacionamentos afetivos da nova equipe e privilegiando a trama cheia de reviravoltas, no melhor estilo “novela das nove”.

É curioso que, de início, a série foi anunciada como um Melrose Place com heróis, mas a premissa logo transcendeu definições simplistas, seguindo o caminho do imprevisível. Ainda assim, o clima da aventura é leve e desencanado, ideal para atrair novos fãs e oferecer uma alternativa saudável num mercado carregado pela nostalgia e eventos bombásticos.

É fácil simpatizar com os Jovens Heróis, personagens bem construídos e cheios de idiossincrasias, sonhos e desejos, falhas e problemas pessoais. Figuras como Junior e Monstergirl logo caem no gosto do leitor, que passa a torcer com fervor por novas guinadas.

Evidente que esses pretensos justiceiros uniformizados estão bem mais próximos do homem comum que de uma Liga ou Sociedade da Justiça, e aí encontra-se outro mérito do título. O desejo de identificação é parte essencial da leitura de um gibi escapista, e Young Heroes in Love acerta em cheio. Tantos autores ao longo dos tempos prometeram mostrar super-heróis como eles seriam se existissem no mundo real, mas Raspler e Madan conseguiram justamente isso.

Todavia, Dan Raspler era um roteirista iniciante quando lançou a série. Por isso, seu entusiasmo sobressai muito mais que o apuro técnico ao conduzir a narrativa. Ainda assim, está de bom tamanho.

Com muita intriga, manipulação, mentiras e heróis que acabam despidos na cama, há espaço para o sentimento de altruísmo e vontade de fazer o bem, inerentes ao gênero. Além disso, conversas frequentes sobre o uniforme de grandes heróis do Universo DC, sua fonte de poderes ou o que estavam fazendo quando o Superman ressuscitou, fazem dos Jovem Heróis os fanboys definitivos da editora.

É uma forma competente de inseri-los num universo ficcional em que as maiores lendas brilham intensamente.

Na arte, Dev Madan mostra um traço remanescente das séries animadas de Batman e Superman, simples e dinâmico, seguindo a escola de Bruce Timm. Não é um espetáculo de desenho, mas a opção pelo estilo cartunesco mostrou-se acertada, por combinar com o clima irreverente proposto por Raspler.

A edição de estreia de Young Heroes in Love esgotou nas comic shops estadunidenses, sendo reimpressa para atender a demanda do público. Infelizmente, porém, a série teve apenas 18 edições, incluindo o número Um Milhão (parte do crossover idealizado por Grant Morrison).

Não é um desempenho ruim para uma revista que fugiu dos padrões da indústria, mas fica a dúvida sobre o valor de fazer diferente para conseguir atenção e reconhecimento.

Para quem acompanha atentamente o mercado ou apenas deseja um passatempo único, o título foi garantia de bons momentos com uma qualidade inegável: era diferente de tudo que era publicado na época. E isso não é pra qualquer gibi.

Classificação

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