ZAGOR # 14

Por José Ricardo do Socorro Lima
Data: 1 dezembro, 2007


Título: ZAGOR # 14 (Record) – Revista mensal

Autores: Guido Nolitta (roteiro) e Gallieno Ferri (desenhos).

Preço: Cr$ 170,00 (preço da época)

Número de páginas: 224

Data de lançamento: Novembro de 1990

Sinopse: Zagor contra o vampiro – Enquanto guiam uma caravana de colonos europeus até Fairmont, Zagor e Chico têm de lutar com um ser vindo das trevas e que atende pelo nome de Barão Bela Rakosi.

Tudo começa quando os heróis, a pedido de Buddy Parkman, decidem ajudar Albert, o filho dele, a guiar uma caravana pelo velho oeste. Para não serem reconhecidos, Zagor e Chico adotam os nomes Harry Gordon e Martin Pereira, respectivamente.

Na primeira noite na estrada, o cão de um dos colonos aparece morto sem explicação. Duas pequenas feridas em sua garganta indicam o ataque de algum animal noturno.

Dias após, a filha de um chefe indígena também aparece morta e as mesmas duas feridas são vistas em seu pescoço, o que deixa Zagor, aliás Harry Gordon, pensativo.

Os misteriosos ataques continuam, até que a caravana chega a Fairmont. Zagor, Chico e Albert vão até a casa dos húngaros para receber o pagamento pela viagem. Lá, conhecem o dono do local, o excêntrico Conde Bela Rakosi, que deixara a Hungria por questões políticas.

Após pernoitar no local, Albert amanhece doente, o que impossibilita o trio de retomar seu caminho. Então, Zagor nota que o jovem também apresenta os sinais no pescoço.

Com a ajuda do Dr. Metrevelic, que já havia estudado sobre mortes semelhantes, Chico conclui que o responsável pelos ataques é uma criatura morta-viva: o Barão Bela Rakosi.

Então, Zagor elabora um plano para deter o vampiro, antes que seja tarde demais para todos.

Positivo/Negativo: Esta HQ inicia a aclamada primeira Odisséia Americana, que prossegue até a aventura Terras Queimadas, publicada em Zagor # 9 (Vecchi), última aventura antes do retorno a Darkwood, visto em Zagor # 29 a # 32 (Globo).

Os fãs do personagem afirmam que as histórias escritas por Guido Nolitta (pseudônimo de Sergio Bonelli) estão entre as melhores. E esta é sempre citada como fabulosa. O roteirista introduz no faroeste um misto de suspense, terror e comédia, como nos melhores filmes do gênero.

A começar pelo nome do vampiro, uma homenagem explícita a Bela Lugosi (1882-1956), ator que primeiro interpretou Drácula no cinema, em 1931, no filme de mesmo nome, e que, assim como Rakosi, também nasceu na Hungria.

O rosto do vampiro é inspirado no de Christopher Lee, outro ator conhecidíssimo por protagonizar filmes com temas vampirescos, e que participou do Drácula de 1958.

A capa italiana de Zagor # 86, reproduzida pela Vecchi no # 11, traz a sombra de um vampiro que não é Bela Rakosi. No caso, a Sergio Bonelli Editore quis homenagear o filme Nosferatu (1921), de Friedrich Murnau. Isso se repete nos desenhos da página 148.

Enquanto o vampiro não se revela, a trama fica impregnada de um suspense inquietante. Afinal, que animal seria capaz de matar várias pessoas e deixar a marca de seus dentes nelas?

Por outro lado, as gags de Chico ganham muito destaque nesta aventura. A começar pela trapalhada inicial do barrigudo, que rouba os dormentes que serviriam para pôr um navio no mar. Nem é preciso dizer que a embarcação afundou.

Mas o engraçado mesmo reside nos encontros de Chico com Bela Rakosi. O vampiro tenta de todas as formas morder o pescoço do mexicano, que escapa graças a diversas trapalhadas.

Tanto a Vecchi quanto a Record publicaram a primeira versão da história. Com isso, uma incongruência passou despercebida nas duas ocasiões. Na página 125, quinto quadro, e na 138, primeiro quadro, há um espelho no quarto do jovem Parkman. Ora, qual seria a serventia de um espelho para quem não tem sua imagem refletida?

Na Itália, ao republicar a história, em Tutto Zagor # 85 a # 87, a editora teve o cuidado de retirar o tal espelho da cena.

Outro deslize dos autores que não foi notado até a republicação está na página 144. Se o vampiro não pode ver alho na sua frente, por que seus fiéis servos o teriam plantado então? Isso contribui para a seqüência cômica espetacular das páginas 152/153, com o Bela Rakosi fugindo de Chico, que está com o alho na mão, mas não deixa de ser uma escorregada de Guido Nolitta.

Embora tenha sido publicada há quase 17 anos, é relativamente fácil encontrar essa edição em sebos. Vale a pena.

Classificação:

4,0

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