Zé Carioca – Especial Brasil 500 anos

Por Marcus Ramone
Data: 15 abril, 2011

Ze Carioca 500 anos BrasilEditora: Abril – Edição especial

Autores: Gérson L. B. Teixeira (roteiro), Gustavo Machado (desenhos), Antônio de Lima (arte-final) e Donizeti Amorin (cores).

Preço: R$ 5,50 (preço da época)

Número de páginas: 80

Data de lançamento: Abril de 2000

Sinopse

Dois pesquisadores descobrem que Zé Carioca é descendente de José Manoel dos Calotes, responsável direto pelo descobrimento do Brasil.

A dupla conta a história do “tatatataravô” do papagaio, que, depois de embarcar na frota de Peru Álvares Cabral, acidentalmente desvia os navios da rota e os leva até uma terra desconhecida, que viria a se tornar um “país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza”.

Positivo/Negativo

Os 500 anos do descobrimento do Brasil, comemorados em 2000, foram celebrados das mais diferentes maneiras.

E como não poderia deixar de ser, já que tem um personagem essencialmente brasileiro em suas fileiras, os quadrinhos Disney estiveram presentes nessas ações comemorativas.

A edição de luxo Zé Carioca – Especial Brasil 500 anos – em formato magazine, lombada quadrada e miolo em papel couché – trouxe uma aventura épica dividida em sete capítulos, protagonizada pelo papagaio malandro (no presente) e por seu tatatataravô (cinco séculos atrás).

Tudo começa quando dois pesquisadores procuram Zé Carioca para fazer nele um teste de DNA, a fim de comprovar sua descendência do primeiro europeu a pôr os pés no Brasil.

Comprovado o parentesco, a história de José Manoel dos Calotes é contada por meio da leitura de uma carta redigida há 500 anos pelo escriba da expedição marítima.

Fugindo das autoridades portuguesas, que o procuravam para levá-lo à prisão – graças aos golpes, como o da rifa sem entrega do prêmio, que o malandro andava aplicando em Lisboa -, ele toma o lugar de um tripulante de uma das naus de Peru Álvares Cabral.

A aventura é pura diversão, com muitas sacadas engraçadas, iconografia detalhista e muitas citações visuais – dentre elas, o leitor notará que o belíssimo painel da página 75 emula o famoso quadro em óleo sobre tela Primeira missa no Brasil, pintado em 1860 por Victor Meirelles.

Datas e alguns fatos pontuais são fielmente mantidos na trama. Mas o que corre solta é a imaginação para inserir novos elementos, como o jogo de futebol realizado pelos índios, com um coco fazendo as vezes da bola.

Portanto, para todos os efeitos, foi o tatatataravô do Zé Carioca quem introduziu esse esporte no Brasil e organizou a primeira partida disputada em solo brasileiro.

Antes de cada HQ, a edição também apresenta uma matéria especial sobre temas relacionados ao descobrimento do Brasil, como uma breve biografia de Pedro Álvares Cabral; histórico resumido dos fatos que antecederam a descoberta e os momentos seguintes; a vida dura da tripulação da frota do navegador português; linha do tempo com os acontecimentos mais marcantes da história do País; dentre outros assuntos.

Produzidas no ano anterior ao da desativação do Estúdio Disney da Editora Abril, as HQs deste álbum especial não foram creditadas. Passou-se algum tempo até que os autores pudessem ser identificados.

E quando lidas atualmente, mais de dez anos depois de sua publicação, elas reforçam o saudosismo dos leitores que ainda sonham com o retorno da produção brasileira dos quadrinhos Disney, reconhecidamente uma das melhores dentre todos os países que já criaram HQs da turma de Patópolis.

Mas Zé Carioca continua na luta para voltar a estrelar aventuras inéditas neste país de dimensões continentais.

Ele é brasileiro e não desiste nunca. A Anacozeca que o diga.

Classificação

5,0

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