ZOO

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2010

ZOO

Editora: HQM Editora – Edição especial

Autor: Nestablo Ramos (texto e arte).

Preço: R$ 34,90

Número de páginas: 136

Data de lançamento: Dezembro de 2009

 

Sinopse

Zoo Fashion Week é o mais famoso evento de moda do ano e o sonho de alcançar a glória para qualquer modelo profissional.

E de todas as modelos convidadas a participar, Ísis é a de maior sucesso. Prestes a assinar um contrato para posar nua em uma revista, ela descobre que toda sua vida nas passarelas foi construída à custa do sofrimento de seres humanos usados como matéria-prima na fabricação das roupas que é muito bem paga para usar.

Agora, ela quer reverter o mal que causou. Para isso, terá de enfrentar animais que lucram com a exploração humana e, ao mesmo tempo, lidar com um chimpanzé ativista que luta pelos direitos humanos.

Mas não se iluda! Em Zoo, as coisas nunca são o que parecem.

Afinal, Zoo é um universo onde os agora favorecidos são aqueles que um dia sofreram nas mãos humanas: os animais!

Positivo/Negativo

A primeira coisa que se nota em Zoo é a arte de Nestablo Ramos. Seu traço funciona muito bem nos animais que protagonizam a história e sua narrativa visual transmite com competência o movimento da história.

Pena que o impacto inicial que o autor causa vá se desmanchando aos poucos no decorrer das páginas.

A primeira grande falha da trama é abusar dos clichês “chocantes” usados à exaustão por grupos de proteção aos animais em suas campanhas há tantos anos.

Mostrar animais desfilando com pele de gente, criadouros de pessoas para o abate e grupos lutando pela liberdade dos humanos não surpreende e nem mesmo chama a atenção do leitor. Pelo contrário, lhe dá a falsa noção que trata-se apenas de uma HQ panfletária, mais um comercial do PETA – People for the Ethical Treatment of Animals (em português, Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) ou outro grupo do gênero.

Fica clara a posição do autor na questão dos direitos dos animais logo na página de agradecimentos, que dá grande destaque aos links de sites dessas organizações. Contudo, a insistência em afirmar suas crenças acabou mascarando uma história que até poderia ser legal. Quem tiver paciência para passar por cima da galeria de metáforas baratas encontrará uma trama interessante sobre a organização deste “universo”.

E aí vem o segundo grande problema do álbum: faltou um editor mais atento e exigente.

As falhas editoriais começam na capa. Um álbum nacional de um autor pouco conhecido não necessita de capa alternativa, principalmente na primeira tiragem. Agora, se for o caso de ter uma, ela não deveria ser tão ruim como a que foi produzida para Zoo.

A cor de fundo da capa alternativa – um roxo um tanto estranho – ficou feia demais, além de este tom tornar ilegível o título do álbum e o texto da chamada.

Na HQ em si, o trabalho do editor seria apontar que os efeitos em Photoshop
em várias páginas ficaram ruins. Pior que isso: bem no começo da história
(páginas 14 a 18) vê-se uma sequência péssima de pin-ups que foram
completamente estragadas por um fundo colorizado de forma amadora.

Outro detalhe que o autor deveria ter sido cobrado para elaborar melhor é o final da primeira história e o começo da segunda. Verdade que o leitor terá algumas respostas no decorrer do álbum. No entanto, os conceitos de “mundo exterior” e “mundo interior” de Zoo são jogados como peças à parte da trama.

A apresentação de ambos é feita de forma tão “desamarrada”, que o leitor não sabe se é um fim alternativo, mais uma viagem para validar algum conceito de defesa dos animais ou se, efetivamente, aquilo faz parte da história.

No geral, Zoo coleciona desacertos editoriais na mesma proporção dos clichês em que a história é calcada.

Classificação:

4,0

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