25 anos de Spawn, a Cria do Inferno

Por Marcus Ramone
Data: 2 maio, 2017

Poucos personagens das histórias em quadrinhos dividem tantas opiniões. Há os que odeiam o anti-herói Spawn, criado pelo roteirista e desenhista Todd McFarlane, mas também existem aqueles que o admiram e formam os milhares de fãs que em alguns países acompanham suas aventuras há anos.

Quando estreou, em maio de 1992, Spawn estava predestinado a não ser apenas mais um dos muitos personagens que surgiram para compor o mix da Image Comics, editora que estava iniciando no mercado norte-americano de quadrinhos e fora fundada por McFarlane e outros quadrinhistas, como Jim Lee e Rob Liefeld, todos egressos da Marvel Comics, em uma espécie de debandada em busca de liberdade criativa e controle sobre suas próprias criações – na edição # 10 do gibi, em 1993, tornou-se clássica uma cena em que aparecem os braços de vários personagens das duas grandes editoras, presos em uma jaula no Inferno e clamando por liberdade, numa clara alusão ao fato de que seus criadores não detinham os direitos sobre eles. A HQ nunca foi publicada no Brasil.

Passados todos esses anos, a revista do personagem continua na ativa e ainda gerou vários outros títulos relacionados ao seu universo.

E para não ficar apenas no âmbito dos quadrinhos, Spawn já estrelou uma série em desenho animado e um longa-metragem live-action para o cinema – em 1997 –, além de diversas linhas de estatuetas e figuras de ação, sem contar os mais variados tipos de produtos licenciados.

No Brasil, Spawn  estreou em março de 1996, pela Editora Abril, que cancelou o título em 2005, depois de 150 edições, além dos 12 números da série A Maldição do Spawn, o especial Batman & Spawn – Guerra Infernal, a revista A Bíblia do Spawn (um guia informativo sobre o universo do personagem) e algumas minisséries.

A Cria do Inferno retornou no ano seguinte pela Pixel Media, na qual tomou novo fôlego graças a um tratamento editorial mais apurado. A editora continuou a numeração do gibi de onde a Abril havia parado, mas publicou apenas 28 edições (até o # 178), chegando ao fim em 2008.

As histórias de Al Simmons, o ex-agente da CIA morto à traição pela agência de espionagem dos Estados Unidos e que, cinco anos depois, literalmente voltou do Inferno transformado em Spawn graças a uma barganha – feita por amor a sua esposa Wanda – com o demônio Malebólgia, sempre tiveram elementos do tradicional mundo dos super-heróis. O personagem principal, com seu uniforme colante, a esvoaçante capa, os poderes prodigiosos e os supervilões fantasiados que permeiam suas aventuras, nunca deixou dúvidas sobre isso.

Mas os monstros abissais, demônios (incluindo o mais conhecido de todos, Satã), conflitos religiosos, heresias, blasfêmias, canibalismo, violência, tortura psicológica, dentre outras coisas assustadoras, fizeram de Spawn uma das melhores revistas em quadrinhos de terror dos últimos tempos.

Pouco a pouco, as semelhanças com os quadrinhos de super-heróis foram limadas da série e o horror passou a reinar sem concorrência nas páginas das HQs do personagem, que recentemente chegou a ganhar um novo alter ego, James Downing.

Desde então, e, ao que tudo indica, para o resto de sua vida editorial, Spawn assumiu de vez o terror como matéria-prima e objeto de suas histórias.

Atuando nos becos sombrios dos bairros mais perigosos de Nova York; ladeado por larvas, baratas, ratos e outras pragas repulsivas; lutando no Céu contra anjos e no Inferno contra demônios; tomando o cetro do Senhor das Trevas e desafiando o Criador; ou apenas exibindo seu rosto horripilante em um quadro de página inteira, Spawn protagoniza histórias que chocam e servem de combustível para debates ateístas ou religiosos.

Afinal, como ficar indiferente a um ser superpoderoso dos quadrinhos que foi capaz de eliminar da existência ninguém menos que Deus e Satã?

Para quem ainda não se aventurou no universo de Spawn e possui a mente aberta o suficiente para encarar suas histórias como pura diversão, a boa pedida é adquirir em sebos os encadernados que as editoras Abril, Pixel e HQM publicaram, compilando diferentes fases da Cria do Inferno em sua passagem pelo Brasil.

No mercado editorial dos Estados Unidos, Spawn continua firme em seu caminho rumo à eternidade. Seja em que sentido for essa afirmação.

• Outros artigos escritos por

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  • Vipo Free

    Um grande conceito, que (na minha opinião) não soube ser desenvolvido.
    Embora tenha historias muito boas, sua mitologia que constantemente perde personagens (capela, angela, cagliostro…) e “invalida” varias historias não ajudam.
    A fase do david hine estava muito boa, pena que parou de ser publicada do nada.

  • Larrous

    As edições de Spawn pela Pixel Media são quase impossíveis de achar em sebos, a edição da HQM só consegui achar pela Comix e uma comic shop da minha cidade. As edições da Abril são vendidas quase a granel em bons sebos e a edição número 1 costuma ficar em torno de R$20,00, o que nem é tão caro pra quem procura e a coleciona.
    De resto, o artigo, apesar de ser pouco detalhista (Bem genérico. Na verdade tem mais imagens do que texto propriamente dito), serve como algum tipo de alento pra quem não houve mais nada sobre esse personagem.

  • Andre Luiz dos Santos Oliveira

    Ontem (segunda-feira) ele anunciou numa live no Facebook que o roteiro do novo filme está pronto! http://ovicio.com.br/todd-mcfarlane-revela-que-terminou-o-roteiro-novo-filme-de-spawn/

    • Homem Simpson

      Ah, ele faz isso todo mês há 20 anos.

      • Quark Ferengi

        HAHAHAHAHA… pior que é verdade mesmo!!!! :)

  • Montanha

    Prezado Ramone, fiquei em dúvida se é justo dizer que Spawn é a única revista que manteve a publicação desde o início da Image. Pelo que sei, Savage Dragon também permanece até hoje sendo publicada.

    • Eu ia dizer a mesma coisa. Parece que ”Savage Dragon” foi o único personagem que realmente se tornou dono de uma revista na Image SEM interrupções. Me corrijam se eu estiver errado, mas, a ”Spawn” foi uma revista que teve uma leve interrupção e um ”reboot”, tem poucos anos.

    • Dimas Mützenberg

      Não sei se não houve interrupção em algum momento, mas o título realmente está em circulação até hoje. Com o adendo de que ainda é Erik Larsen quem roteiriza, desenha e arte-finaliza as edições.

    • Marcus Ramone

      Talvez eu tenha usado a palavra errada (e até já alterei, pois quis dizer que não foi cancelada). A revista sofreu uma pausa em 2010, tempo em que a série de republicações “Origins” preparou o terreno para a edição # 200, que trouxe James Downing como o novo Spawn.

  • Henrique Brum

    mto bom texto..ótimo personagem…de longe o melhor da iniciativa Image. tenho as primeiras pela Collection, tb da ed. Abril. Os ‘encadernados’ Armageddon que sairam pela Pixel tb foram mto bons..um pouco frustrante ter sido só uma especie de reboot no final das contas mas isso nenhum grande personagem escapa…

  • Banzé Menezes

    A HQM publicou quantos números ???

    • Alex Pereira

      A hqm publicou ate o fim da fase do Hine, acho que ate a 184.

  • Marcus Ramone

    Houve uma parada em 2010, não necessariamente um cancelamento.

  • Então, dessa forma, ”Spawn” e ”Savage Dragon” são as únicas revistas que existem desde o início da Image Comics. Eu achava que a reformulação do Spawn, num outro contexto, de ”matador de deuses” ou coisa do tipo (admito que já não acompanhava e nem curtia mais a revista nesta época, então posso ter me confundido) era um reboot da revista. Mas, pode ter sido um spin-off.