65 anos do Sargento Tainha

Por Marcus Ramone
Data: 22 março, 2016

Brigão. Ignorante. Grosseiro. Desbocado. Pavio curto. Comilão. Mas também tímido, sentimental, amante dos animais (ao menos de seu cãozinho Oto, que é sua imagem e semelhança) e muito querido por uma legião de fãs no mundo inteiro.

Esse é o Sargento Tainha, criação do cartunista norte-americano Mort Walker e antagonista do Recruta Zero desde o dia 20 de março de 1951, quando, ainda sem nome, mas com a mesma expressão dura e temperamental, estreou nos jornais dos Estados Unidos, poucos dias depois de o protagonista da série de tiras entrar para o exército.

Logo quando surgiu, o Sargento de Primeira Classe Orville P. Snorkel (nome original do personagem), lotado no Quartel Swampy, também não era a figura obesa que todos já conhecem há muitos anos. O corpanzil foi formado ao longo dos meses em que as tiras do Recruta Zero angariaram sucesso dentro e fora dos EUA e somente na década de 1960 ele ganhou o visual atual.

Sargento Tainha

Nessa época, foi forjada a clássica, famosa e recorrente imagem do irascível sargento pisoteando e esmagando o pobre Zero, transformando-o numa pasta disforme esparramada pelo chão.

Casado nas primeiras tiras, com o passar do tempo ele ganhou a característica marcante de solteirão sem jeito com as mulheres, que às vezes chega ao ponto de, na presença delas, tremer e gaguejar feito uma criança medrosa.

O destaque do personagem – sem o qual o Recruta Zero não viveria algumas de suas mais divertidas situações – resultou em um gibi próprio, Sarge Snorkel, que o Sargento Tainha estrelou pela Charlton Comics, em 1973. Eram edições especiais sem periodicidade definida, que não durou muito. Antes disso, em 1962, ele havia chegado aos desenhos animados, na série Beetle Bailey and His Friends, que teve apenas duas temporadas.

No Brasil, ele chegou aos gibis em 1962, nas páginas de Recruta Zero, da RGE, sendo desenhado por grandes nomes das HQs nacionais – como Primaggio Mantovi e outros – e ganhou um almanaque especial pela mesma editora, em 1975.

Tainha é uma das mais carismáticas criações dos quadrinhos, até hoje conquistando admiradores de todas as idades. E continua o mesmo adorável ranzinza, atormentando o Zero – e sendo atormento por ele – nas tiras diárias em jornais de vários países.

Feliz aniversário ao solitário rabugento! Que venham outros 65 anos de vida editorial com muita cerveja na cama; pizzas na lanchonete da Mamma Rosa; bolos de chocolate no refeitório do Cuca; roncos guturais no alojamento da Companhia A; provocações ao Tenente Escovinha no escritório; tabefes no Recruta Zero na trincheira mal cavada;  e muitas ordens do dia para passar aos adoráveis vagabundos do Quartel Swampy!

 Tira do Recruta Zero

Tira do Zero

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  • Recurta Zero é uma das tiras mais legais que existe, e sem seu elenco de apoio não teria tanto sucesso.
    Gostaria muito de ver o Tainha sair no braço com o Brutus (do Popeye), esse sim, um cara do mal!

  • Estou gostando da publicação especial do Zero pela Pixel. Comprei as três edições. Meu personagem favorito é a dona Tetê, hehe

  • Emerson Penerari

    Grande Tainha! Amo Recruta Zero desde que aprendi a ler com 5 anos, tanto as tiras originais como as histórias criadas exclusivamente em nosso país (quem não se lembra de “Roque Swampeiro” e “O Dia em que o Desenhista do Zero Sumiu”?) Espero que o legado de Mort Walker continue lembrado por muitas e muitas décadas!

    • Leandro Banner

      Caríssimo, tem toda razão… nos meus quarenta e poucos anos, Recruta Zero foi uma das minhas incursões iniciais aos quadrinhos, juntamente com outros gibis da Luluzinha. Essa histórias que vc mencionou são demais… a do desenhista do Zero quando desaparece… lembra do “substituto”??? FRANK MILHO, com “Zero das Trevas” e outras coisas muito loucas e muito divertidas. rsrsrsrsrs