Dia do Quadrinho Nacional ou Dia Nacional dos Quadrinhos?

Por Samir Naliato
Data: 1 fevereiro, 2016

O dia 30 de janeiro é celebrado por leitores de quadrinhos brasileiros. Mas você sabe o motivo? Acredite, todo ano acontece muita confusão por causa desta data e, no último sábado, não foi diferente.

É quando se comemora o Dia do Quadrinho Nacional, mas muitas pessoas (até mesmo da área) confundem com o Dia Nacional dos Quadrinhos. Quanto desentendimento causado pela troca de duas palavras, não é mesmo?

A confusão é tão grande e acontece com tanta frequência, que muitos assumem o acontecimento como fato. Mas isso está errado.

A data marca a produção nacional de histórias em quadrinhos, seus autores e obras.

Mas por que o dia 30 de janeiro foi escolhido?

Em 1984, a Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas de São Paulo realizou uma pesquisa na Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro/RJ) e verificou que o Brasil era pioneiro na publicação dessa linguagem.

Foi descoberto, então, Ângelo Agostini, um italiano radicado no Brasil, que começou a publicar, em 1867, seus desenhos e charges no Cabrião, jornal de São Paulo. Em 1869, ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde fazia uma série no semanário Jornal Vida Fluminense.

Foi em 30 de janeiro daquele mesmo ano que Agostini começou a publicar o que se considera o primeiro quadrinho brasileiro: As aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte. Em forma de páginas duplas, a cada semana a história mostrava Nhô-Quim viajando de Minas Gerais para a corte do Rio de Janeiro.

Nhô-Quim completou 145 anos em 2014. Saiba de mais detalhes aqui.

Depois da descoberta, a AQC-SP levou toda a documentação das pesquisas aos órgãos responsáveis para conseguir que esse dia, 30 de janeiro, entrasse no calendário oficial do Brasil como o Dia do Quadrinho Nacional.

Isso aconteceu um ano depois, em 1985.

Então, lembre-se. Todo dia 30 de janeiro é comemorado o Dia do Quadrinho Nacional.

Podem parecer coisas similares, mas, na verdade, são bem diferentes.

.

As aventuras de Nhô-Quim, por Ângelo Agostini

• Outros artigos escritos por

.

  • Também em 1984, a Academia Brasileira de Letras, a Associação Brasileira de Imprensa e outras instituições instituiram o dia 14 de março como o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos em comemoração aos 50 anos do lançamento do Suplemento Juvenil do Aizen, a data é pouco citada, ano passado saiu uma nota bastante confusa na Jovem Pan :http://museudosgibis.blogspot.com.br/2012/03/ebal-e-o-14-de-marco-dia-nacional-das.html http://jovempan.uol.com.br/entretenimento/cultura/no-dia-nacional-das-historias-em-quadrinhos-turma-da-monica-continua-como-favorita-no-brasil.html

    • Carlos EJT Vázquez

      Mas isso está no calendário oficial do Brasil ou é extra-oficial?

    • Pelo que entendi, a comemoração do 14 de março é referente aos quadrinhos em geral, mas é “nacional” porque é uma data celebrada apenas aqui no Brasil.
      Já o dia 30 de janeiro é o “dia do quadrinho nacional” porque celebra as criações de artistas brasileiros.
      Nesse caso, a ordem dos fatores altera o produto. :)

  • Márcio Dos Santos Rodrigues

    Um amigo pesquisador de quadrinhos uma vez fez uma colocação bem interessante: classificar o Agostini como autor de quadrinhos, sem problematizar o que as representações que ele concebeu significam para o contexto em que elas foram produzidas, é tratar os quadrinhos apenas de um ponto de vista estritamente formal (imagens em sequência + articulação texto e imagem). Isso é muito reducionista, pois desconsidera em muito os processos criativos específicos da época e da obra do Agostini.

    • Norman Miller

      Mas o Agostini NÃO ERA autor de quadrinhos. Tanto que nem existia isso na época. Ele FEZ aquela que é considerada a primeira HQ brasileira (quiça do mundo, se bem que na época da I Bienal de Quadrinhos do Rio de Janeiro saiu no jornal que haviam descoberto um personagem anterior a ele, mas depois nunca ouvi mais falar disso). Assim como todos os pioneiros, ele adaptou o que já fazia (ilustrações e textos para suas publicações e de terceiros) e criou uma coisa nova, sem nem perceber o que fazia, sem deixar “manuais” da nova forma de expressar que fazia. Não há reducionismo nenhum nisso. Os jornalistas desinformados que gostam de inventar. Grandes nomes de outras áreas já escrevam ou desenharam ocasionalmente quadrinhos (Fellini, Stephen King, Ettore Scola, Zé do caixão, Chico Anísio etc.) e não podem ser chamados de autores de quadrinhos por isso. Do mesmo que Frank Miller não pode ser chamado de cineasta por suas incursões no cinema.

    • o Agostini esteve presente no começo de O Tico Tico, aí os quadrinhos brasileiros já tinha influência dos franceses e americanos.