Dylan Dog: 30 anos do Investigador do Pesadelo

Por Marcus Ramone
Data: 1 outubro, 2016

Em outubro de 1986, os quadrinhos italianos apresentaram ao mundo Dylan Dog, personagem carismático, cujas aventuras, um misto de terror, mistério, humor, sensualidade, ação e o que mais a imaginação de seu criador pudesse conceber, transformaram-no em um fenômeno pop de grandes proporções em seu país de origem.

O culto que se formou em torno de seu nome não diminuiu com o fim do Dylan Dog Horror Festival, que era realizado anualmente e que ganhou uma espécie de revival em setembro passado, com o Dylan Dog Horror Day.

O Investigador do Pesadelo, que agora completa 30 anos de vida editorial, foi criado pelo roteirista Tiziano Sclavi para a Sergio Bonelli Editore à imagem e semelhança do ator Rupert Everett, um galã inglês como Dylan Dog.

Mas as referências a personalidades do mundo real não param aí. O toque de humor nonsense das histórias surreais do herói é garantido por seu fiel parceiro de aventuras e diálogos hilários Groucho, o tagarela e simpático (ou chato, dependendo do ponto de vista) personagem inspirado, em nome e visual, no mais famoso dos Irmãos Marx, comediantes norte-americanos célebres na TV e no cinema dos anos 1920 a 1950.

No Brasil, apesar dos elogios da crítica e das manifestações de muitos leitores em favor da permanência do título nas bancas, a revista Dylan Dog não alcançou o sucesso esperado. Depois de estrear no País pela Record, em 1991, e durar apenas 11 edições de linha e dois especiais, o gibi voltou em 2001 pela Conrad, numa série curta de seis números.

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Em 2002, o personagem parecia que, finalmente, consolidaria um merecido sucesso no Brasil, ao retornar às bancas pela Mythos. Mas duas premiações consecutivas no Troféu HQ Mix, como melhor publicação de terror de 2004 e 2005, além da marca recorde de 40 edições brasileiras, não impediram mais um cancelamento de Dylan Dog.

O ex-policial da Scotland Yard, que se livrou do distintivo e do álcool para investigar casos sobrenaturais por conta e risco próprios, deixou, além de saudades, uma gama de histórias que, a despeito de tantos adjetivos que possam ser a elas conferidos, podem ser traduzidas em uma única palavra: inteligentes.

Porém, os fantasmas, monstros alienígenas, criaturas abissais e até a Morte (ela mesma, em foice e osso) não devem ficar tranquilos, pois o Investigador do Pesadelo continua ativo não apenas no mercado de quadrinhos da Itália, mas também de vários outros países, sempre tocando seu clarinete e tentando terminar de construir a velha maquete de um galeão espanhol.

Fica a esperança de que as instigantes aventuras em preto e branco do herói do sobrenatural aportem de novo nas bancas brasileiras.

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• Outros artigos escritos por

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  • Luiz Silva

    Conheci o Dylan na minissérie da Conrad, que tinha capas do Mignola e republicava as edições lançadas pela Dark Horse. Até hoje não entendo como um personagem tão bom não consegue emplacar nas bancas brasileiras.

    • Luís Fajardo

      Culpa da grande massa que só lê as grandes Marvel e DC, nos anos 90 tive acesso a umas poucas edições de Dylan, Diabolik, Martin Mystere e Mr. No (meu preferido!!) e são histórias muito boas!!

      • Velot Wamba

        meu predileto também é o Mr. No!!

    • Alessandro Souza

      Cara, uma coisa interessante: eu NUNCA li uma hq (ou fumetto) da Bonelli que fosse ruim. As edições de Dilan Dog, Martin Mistery, Julia Kendall, Magico Vento, etc sempre tiveram tramas e perslnagens interessantes. Já a Marvel e a DC….

      • Valdemar Morais

        Alessandro, você disse tudo. O pessoal do tio Bonelli nunca me decepcionou. Sempre recomendo!

      • Luiz Silva

        A Bonelli sabe mesmo trabalhar com seus personagens. E cria ótimos “sidekicks” também. Poe, Java, Chico e, o melhor de todos, Groucho… todos grandes personagens. Além de ter vilões memoráveis, como Myrna, disparada a melhor vilã dos quadrinhos.

    • Daniel Pereira de Souza

      Estamos vivendo a era dos encadernados e edições de luxos, se sair uma edição luxuosa do Dylan Dog principalmente a colorida (300Paginas) eu compro, mas, se for formatinho e em preto e branco to fora

      • Victor Vitório

        Bonelli pela Mythos só Tex consegue tratamento assim. J Kendall nem a promessa da #100 em cores eles mantiveram. Gostaria de ler Ken Parker e Dylan Dog mesmo se fosse no mesmo materialzinho safado das outras.

  • Enoch

    Confesso ter vontade de conhecer o personagem mas acabo sempre adiando…

  • Marlon Miguel

    Acho que a solução é alguma editora tentar trazer encadernados do personagem, assim como a mythos está fazendo com histórias de personagens da Juiz Dredd Magazine, que também foi cancelada.

    • Valdemar Morais

      O problema, Marlon, é que salvo engano, a Bonelli não aprova publicações exclusivas, todas têm de seguir o padrão italiano, e eles não produzem encadernados de histórias como nos Estados Unidos. Até porque cada edição mensal da Bonelli tem em torno de 100 páginas.

  • Plurim

    Não entendi esse parágrafo: “A ausência de nove anos da série regular na Itália – a retomada aconteceu em 2016 – não diminuiu o culto que se formou em torno de seu nome, com direito a um festival em sua homenagem, o Dylan Dog Horror Festival, que era realizado anualmente e, depois de algum tempo interrompido, retornou neste ano.” Que série regular? Dylan nunca deixou de ser publicado mensalmente… E o Festival voltou definitivamente ou foi só o especial de 30 anos – o Dylan Dog Horror Day?

    • Marcus Ramone

      Ops, ato falho, ao tentar me referir aos dez anos de ausência no Brasil. E quanto ao Dylan Dog Horror Day, pretende-se que tenha sido o estopim do retorno do outro festival, mas você tem razão, são eventos diferentes. Corrigido. ;-)

  • marco aurélio santiago

    Tb n entendo, Luiz, mesmo caso de Julia Kendall, outra excelente e inteligente revista que esteve pra ser cancelada e felismente ainda não o foi, assim espero…mas, infelismente, o público aqui sofre de algo, acho eu, marvelismo e decenismo…e assim, argumentos medíocres em dentrimento do inteligente, continuam nas bancas

  • Gladson Pendragon

    Sugiro para aqueles que querem conhecer o personagem o álbum gigante “Fumetti- O melhor dos quadrinhos italianos”, e “Dylan Dog- Ultima Parada Pesadelo”, esse com Mystere. E, claro, as quatro edições da Conrad.

  • Também postei uma homenagem ao nosso querido DD:

    http://bocadoinferno.com.br/cinema/2016/09/dylan-dog-30-anos-de-pesadelos/

  • Sandro Machado

    Tenho tudo que saiu dele no Brasil e gostaria que voltasse a ser publicado.

  • VAM!

    Olá Luiz, no caso do Dylan existe a coleção Color Fest, que são edições com 04 histórias em média, que como o nome já diz são uma “profusão” de cores.

    Ano passado mandei pra Mythos a sugestão de tentarem publicar os 3 primeiros volumes como uma mini coleção, com o intuito de testar o mercado de livrarias.

    Esse mês em função do aniversário, retomei a iniciativa, como uma edição especial comemorativa, baseada nos mesmos originais.

    Espero que dessa vez, me retornem (mesmo que negativamente) se for o caso. O Feedback deles não é muito atuante.

    Abs,
    VAM!

  • Daniel Pereira de Souza

    DISCORDO! as cores das edições clássicas da reimpressão colorida (em ordem cronológica) dos personagens Dylan Dog, mágico Vento, A história do Oeste, almanaque Tex, Tex Anual e Tex gigante comprovam que tem qualidade de competir com qualquer mercado estrangeiro. O problema é a editora que publica estes personagens aqui no Brasil, ainda opta pelo velho material achando que vai cativar os leitores.

    Comprei a edição Crônicas de Conan e gostei, já tinha lido aquelas histórias em preto e branco, mas a edição colorida foi demais!!! Este é o caminho.

  • Lorentz

    Bom estamos criando uma pequena editora, temos um personagem nacional e estamos em busca de material estrangeiro…convido amigos a curtir nossa página. https://www.facebook.com/editoralorentz e dar sua sugestão. Mandamos e-mail para os detentores dos direitos do Dylan Dog e estamos aguardando.

    • Carlos Pedro

      Vai ser Lorentz mesmo o nome? Não vai dar confusão? http://www.editoralorenz.com/

      • Lorentz

        otima lembrança, mas são propostas diferentes, eles são uma editora de livros espiritas.tipo tem a apple gravadora dos beatles e a apple de equipamentos eletronicos. as nossas editoras possuem propostas diferentes.obrigado pela colaboração.

  • Rafhael Victor

    Quando estava na 3ª série, uma professora me deu um gibi do Dylan Dog, da Conrad. Adorava, lia e relia várias vezes, nunca tinha visto nada igual. Principalmente na época, onde minhas referências de quadrinhos eram Mônica, Disney e Dragon Ball, algo de terror impressionou bastante. Sempre tive vontade de ir atrás de algo a mais do personagem.