El Muerto: 40 anos de uma obra-prima de Tex

Por Marcus Ramone
Data: 14 janeiro, 2016

Uma obra-prima da nona arte. Expressões acaloradas como essa, usadas para definir El Muerto, a segunda aventura de Tex escrita por Sergio Bonelli (sob o pseudônimo de Guido Nollita), nunca são demais para quem leu – e releu – esse clássico dos quadrinhos.

A história gira em torno do desejo de vingança do horripilante e cruel El Muerto contra Tex, que causara a morte dos irmãos do bandido alguns anos antes. O facínora planeja liquidar o ranger em um duelo no mesmo cemitério em que seus irmãos estão enterrados e, para fazer com que Tex aceite o desafio, El Muerto inicia uma saga de assassinatos e espancamentos de pessoas próximas ao herói.

Tex e El Muerto

Todo o desenrolar da história, desenhada por Aurelio Galleppini, é o que os fãs dos quadrinhos bonellianos convencionaram chamar de cinematográfico. Para muitos, é a melhor HQ de Tex em todos os tempos.

E não é para menos. Com uma narrativa cheia de reviravoltas e um suspense crescente, a aventura culmina em uma das sequências mais aplaudidas de todos os tempos nos quadrinhos: o tenso duelo final ao pôr do sol, cuja música de fundo, “tocada” em onomatopeias por um relógio de bolso, pode ser ouvida com um mínimo esforço de imaginação, dizem os fãs mais ardorosos dessa epopeia.

Até chegar à batalha final, o vilão manipula os passos de Tex. Por mais implacável que o ranger se mantenha, a sensação de impotência é palpável. Pouco se viu o personagem tão à mercê dos acontecimentos e incapaz de impedir desfechos fatais, sem ter ideia do que levou El Muerto a perpetrar tanta violência. Tudo isso sem que os dois mantenham contato até as últimas páginas, quando os detalhes das motivações do bandido são expostos e acontece o único e derradeiro encontro entre os protagonistas da trama.

Duelo entre Tex e El Muerto

Psicologicamente perturbadora, graficamente impactante – os contrastes de luzes e sombras carregadas conferiram à HQ o clima pesado que o roteiro exigia – e primorosamente narrada.

Não é à toa que El Muerto é a história mais indicada pelos leitores de Tex aos que desejam se iniciar no universo desse personagem que há quase 70 anos ajuda a manter vivo o faroeste nas HQs.

El Muerto foi publicada originalmente em 1976 nas edições # 190 e # 191 do título italiano de Tex. Quatro anos depois chegou ao Brasil, editada na íntegra em Tex #112 (Editora Vecchi) e novamente em Tex 2ª Edição #112 (RGE). A aventura retornou às bancas brasileiras em 2001, na revista Almanaque Tex #7, e em 2007, em Tex Coleção # 242 e # 243, todas pela Mythos. Em 2013, a mesma editora republicou a HQ numa versão colorida, em Tex Apresenta – Especial Sergio Bonelli.

Tex # 112 - El Muerto

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  • Wilson Sacramento

    Ontem mesmo olhava esta edição colorida “Especial Sergio Bonelli” uma história, realmente memorável em uma edição/impressão Tex fabulosa … das séries do Tex só coleciono as Tex em Cores (tamanho italiano, papel e cores fenomenais), os luxuosos Tex Gigante em Cores (Encadernado Capa Dura) e aproveitei a Black Friday Mythos para iniciar a 3ª série colecionável, com o Tex Edição Especial em Cores (Anual).

    O Sérgio Bonelli (Guido Nollita) é um roteirista espetacular, e nesta história está a carga toda, bang bang, foi certeiro!

    PS: Fica o convite à tod@s para o III Encontro Nacional dos Fãs Clubes Tex e Zagor Brasil a ser realizado na Brasil Fumetti Con – Tangará/SC nos dias 23 e 24 de janeiro de 2016. Para mais acessem as páginas dos fãs clubes e Brasil Fumetti Con no facebook.

  • Gege Carsan

    Texto primoroso do Ramone (que se mostra atento para o fator aniversário importante nas HQs) e quem ainda não leu vai correr atrás dessa aventura que ocupou o segundo posto das Tops de Tex (em 2015), concorrendo com O Passado de Kit Carson, a primeirona.

    Apenas um registro a ser feito: Há um equívoco quando o autor diz “Tudo isso sem que os dois mantenham contato até as últimas páginas”, pois Tex e El Muerto se encontram antes do duelo final em Pueblo Feliz, e ocorre o clichê ‘ter a chance de fechar a conta e deixar para depois’, (pág. 86 a 95 do Especial Sergio Bonelli).

    Aos 70 anos Tex consegue movimentar a massa com suas aventuras e levar seus seguidores a viajar pelo país visando a participação em eventos, como o III Encontro Nacional que acontecerá em Tangará do Sul – SC, (vide comentário anterior) promovido por fãs endiabrados e abnegados, capazes de descer ao inferno para encontrar um amigo e fazer festa em volta de uma fogueira, desde que tenha bifes de três dedos de altura e algum rega-bofes que não seja fruto de traficantes.

    • Marcus Ramone

      Grande, Carsan! Grato por suas palavras. Quanto ao encontro prévio de Tex e El Muerto, antes da batalha final, eu posso ter me expressado mal, pois referi-me a um confronto anterior, que não houve. Ao menos não no sentido estrito da palavra, pois os dois não entraram em combate, já que o vilão fez um refém e Tex se viu de mãos atadas. Nem um tiro foi trocado, nenhum soco foi desferido. ;-)

  • Kael Ladislau

    A história ainda pode ser republicada esse ano, no Tex Edição Histórica 96, lá pra Maio ;)