Há 40 anos, uma pancada de humor chegava às bancas de revistas do Brasil

Por Marcus Ramone
Data: 24 abril, 2017

“Moço, me dê uma Pancada!”

Assim destacava um anúncio que se via em todos os gibis publicados pela Editora Abril no final dos anos 1970, sugerindo ao leitor usar essa frase para pedir a revista Pancada nas bancas.

Lançada em 1977, a revista era uma paródia da Mad e não se intimidava nem um pouco em emular sua contraparte norte-americana, cuja versão brasileira já fazia sucesso no Brasil (publicada pela Vecchi).

Em formato magazine, com 48 páginas em preto e branco e até se valendo de uma mascote abobalhada – à la Alfred Newman -, a publicação também seguia a linha editorial da Mad, abrindo cada edição com uma sátira em quadrinhos de filmes, seriados ou novelas e continuando com charges, tiras e textos de humor nonsense.

Pancada nada mais era do que a versão nacional da Cracked (Major Magazines), clone da Mad fundada em 1958 e cujo artista principal era John Severin, que trabalhara na concorrente e fez vários trabalhos para a Marvel Comics.

Apesar de levar para suas páginas muito material originalmente publicado na Cracked – como as sátiras de Guerra nas Estrelas, A Marca do Zorro, Contatos Imediatos do Terceiro Grau e diversos outros -, a revista também trazia bastante material exclusivo, produzido por artistas brasileiros do calibre de Renato Canini – com as tiras da série Dr. Fraud e uma inusitada paródia do ranger Tex Willer, da Sergio Bonelli Editore -, Ivan Saidenberg, Waldyr Igayara de Souza e Napoleão Figueiredo.

Para as novas gerações de leitores que folheasse a revista atualmente, Pancada soaria datada. As piadas e expressões sobre fatos, personalidades, comerciais de TV, política e assuntos diversos em voga naqueles tempos perderiam completamente o entendimento – e a graça – diante de quem não viveu na década de 1970.

As sátiras de seriados, como O Homem de Seis Milhões de Dólares, e de novelas da TV Globo, como Dancin’ Days, além de game shows como Cidade x Cidade, que faziam sucesso na época, não fariam rir quem nunca os assistiu ou tenha ouvido falar.

Mas, por isso mesmo, Pancada acabou se tornando um registro histórico – principalmente na área do entretenimento – do período de abril de 1977 a janeiro 1980, tempo que durou a publicação, encerrada na edição # 33.

E para quem viveu esses anos, a recordação que Pancada traz é garantia de boas risadas.

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  • VAM!

    Olá Ramone!

    Lembro que nessa naquela época, não vendiam ela pra menores de 10 anos, assim como a MAD, só pude comprar anos mais tarde. Eu fica somente olhando as capas no interior das bancas.

    Abs,
    VAM!

  • Carlos Chagas era demais!

  • Rodrigo Oliveira

    Excelente, bem que poderia ser reeditada, os tempos pedem a volta de uma crítica mais ácida… Hehe

  • Eduardo Arydes

    Por onde anda o artista Carlos Chagas?

  • Dyel Dimmestri

    Faltam revistas assim,hoje em dia… A própria MAD ficou sem graça… deixou de lado o humor inteligente e mordaz e,agora, se resume a fazer piadas grosseiras e escatologicas,sem nenhuma classe! Só o Aragones escapa,assim como o Peter Kuper…
    Parabéns pela matéria! Além da Pancada,outra revista que surgiu no período,pegando carona no sucesso da MAD,foi a KLIK,editada pela lendária EBAL. Aliás,a equipe que produzia esta revista,também colaborava na Pancada,e acabou cooptada pela Mad. Entre estes profissionais,estava o Carlos Chagas. (Por onde anda esse moço??)